Garagem CARPLACE #5: Focus SE 2.0 encontra Golf 1.4 TSI e divide opiniões

Garagem CARPLACE #5: Focus SE 2.0 encontra Golf 1.4 TSI e divide opiniões
Bastou o Focus do Garagem aportar na redação que já começou o blá, blá, blá: "Mas o Golf isso, o Focus aquilo...". Em resumo, rolou um "racha" na equipe, com direito a algumas discussões interessantes - parecia até mesa redonda de futebol. Resolvemos então apresentar esse encontro entre o Focus SE 2.0 e o Golf 1.4 TSI DSG de uma forma diferente. Mostramos justamente uma das conversas que tivemos pela internet, entre os editores Fábio Trindade e Daniel Messeder, após revezarmos os carros durante algum tempo. Confira a discussão! Daniel: E aí, gostou do Focus? Vai dar o que falar nesse encontro com o Golf, né? Fabio: Gosto bastante da essência do Focus, que inclui dirigibilidade, a visibilidade e o comportamento dinâmico. Daniel: Sim, para quem já teve dois, gostei bastante da evolução desta terceira geração. O carro está mais maduro, melhorou onde já era forte e ainda corrigiu algumas falhas do anterior. Fabio: Você senta no banco e vê que o Focus foi feito para quem gosta de dirigir, com bom apoio lateral e volante de boa pegada. Daniel: Sim, esse volante de quatro raios ficou muito legal. Aliás, o painel como um todo é bem arrojado. Lembra um pouco da ousadia da primeira geração. O segundo era um tanto careta. A questão é que a Ford demorou tanto que a VW trouxe o novo Golf. E esta sétima geração ficou o "bicho". É praticamente um Audi A3 com o logotipo da Volks.
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Daniel: Alternando entre Focus e Golf, é engraçado como eles são diferentes, apesar das propostas semelhantes. E ambos estão acima do restante da concorrência. Bom, a gente viu isso quando comparou o Focus 1.6 com o Cruze 1.8 e deu Ford... Fabio: Exatamente. O tempo que demorou para a Ford tornar o Focus global abriu espaço para a Volkswagen trazer, praticamente ao mesmo tempo que o mercado europeu, a geração mais recente do Golf. Fabio: O Focus é muito bem equipado, tem bom preço, bom desempenho, mas, ao colocar no papel, o Golf é bem mais moderno. Pelo tempo que manteve o Golf 4,5 em linha, era a única alternativa para a Volks. Daniel: Então, mas o Golf é um carro alemão rodando aqui. O Focus argentino me parece mais "preparado" para as condições locais, como buracos, combustível, beber o etanol da nossa gasolina... Fabio: É uma questão interessante. De fato, a suspensão do Focus parece melhor adaptada para o Brasil, o que no fim das contas deixa o carro mais macio no dia-a-dia. Por outro lado, achei que o acerto de suspensão do Golf o deixa mais no chão. Daniel: Bom, é preciso considerar também que os pneus do Golf, Dunlop 225/45, são mais largos e grudentos que os Michelin 215/50 do Focus. Só de encostar o dedo no pneu você percebe que ele é mais "chiclete". Os dois são muito bons de tocada. Tanto que o ESP mal dá as caras, só quando a coisa fica feia mesmo. Em frenagem, o Volks foi melhor.
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Fabio: Por falar em tocada, o Golf atende mais a quem gosta de "controlar" a máquina, seja com reduções na manopla do câmbio ou pelas borboletas no volante. Gosto bastante da dirigibilidade, praticamente idêntica ao do Audi A3. Já o Focus... OK, pode se deixar o câmbio na posição Sport, mas reduzir marchas pelo "joystick" é desanimador. Claro que a maioria do público nem vai ligar, mas como a principal proposta do Focus é ser feito para quem gosta de dirigir, é um detalhe bem chato. Daniel: Putz, isso é imperdoável. Eu não sei onde os engenheiros da Ford estavam com a cabeça quando não colocaram as borboletas. Uma pena, até porque achei o câmbio bem esperto. Um problema é que no modo Sport ele não reduz nas frenagens, e daí é preciso usar as malditas teclinhas. Mas pelo menos não tem aqueles barulhos chatos que o DSG do Golf faz em pisos ruins. Fabio: Sim, apesar de ter uma marcha a mais que o Focus (sete contra seis), é única coisa que me desagradou no DSG do Golf.
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Daniel: Já em termos de suavidade de trocas achei semelhante. E o Golf é mais orientado para consumo. Mesmo no modo normal de condução, ele troca as marchas mais cedo. Se tivesse um Golf acho que andaria no Sport direto..hehe. Ainda mais porque o Golf precisa andar em giros médios, para o turbo acordar. O Focus é mais disposto em baixa, parece sair mais rápido do semáforo e naquelas mudanças de faixa no trânsito. Fabio: Isso é uma situação que não consigo apontar o que é melhor. O Golf sai mais manso por conta desse "lag" até 1.500 rpm, enquanto o Focus já sai "estourando". Nessa situação, o Focus é mais agressivo e o Golf, mais dócil. Mas depois que passa das 1.500 rpm, aquela sensação de ser empurrado contra o banco é show de bola! Daniel: Bom, pisando tudo eles foram bem semelhantes nos testes: o Golf foi um pouco mais rápido, com 0 a 100 km/h em 9,0, contra 9,3 s do Focus. E nas retomadas a mesma coisa. O torque de 25,5 kgfm e as marchas mais próximas do Golf fazem diferença. Só que mais para frente a potência do Focus fala mais alto, e ele busca o Golf. Afinal, são 178 cv contra 140 cv. Daniel: Enfim, acho que desempenho não resolve a parada, os dois são bons. O Focus é mais linear e o Golf tem o empurrão do turbo, que é bem legal também. Agora m termos de consumo... Mesmo que o Focus com injeção direta seja econômico para um 2.0, o 1.4 TSI do Golf em conjunto com o DSG programado para gastar pouco fazem milagre. Tanto que esta versão recebe o selo "BlueEfficiency" na traseira.
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Fabio: Realmente, nesse aspecto o Golf satisfaz mais o comprador. É econômico quando quer se andar manso, mas anda bem quando se quer dirigir com mais vontade. Daniel: Sim, o Golf levou fácil as medições de consumo, apesar de que não achei o 2.0 do Focus gastão com a injeção direta. Só que por enquanto só o Ford bebe etanol, e vejo isso como vantagem. Fabio: Vale lembrar que a Ford diz que o sistema Start-Stop não é uma solução interessante para o Brasil por conta do clima mais quente, que em tese, prejudica o funcionamento do ar-condicionado em dias quentes. Mas nem todo dia é um dia quente.
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Daniel: Temos que levar em consideração também a questão ambiental, e de usar um combustível brasileiro. Quero ver como vai ficar o 1.4 TSI flex, a VW está demorando para lançar. Fabio: Verdade. Apesar de muitos criticarem o motor flex no Brasil, acho que será a salvação quando o preço da gasolina explodir para o valor real. Daniel: Também tem isso. É um caminho sem volta, veja que a BMW já tem duas versões do Série 3 flex! Daniel: E nesse lance de adaptação ao nosso mercado, você acha que o Golf 7 nacional vai manter o alto padrão de qualidade do alemão? Hoje ele parece bem mais refinado que o Focus. Tem encaixes mais justos, colunas dianteiras forradas e até mesmo o porta-trecos das portas vem com tecido. No Ford o acabamento é apenas OK, nada demais para um carro de R$ 75 mil. Fabio: Eis a temida tropicalização. Acho que isso pode tornar o Golf um pouco mais simples, principalmente as versões mais básicas. Vindo da Alemanha, não há observações quanto ao acabamento e a montagem geral do carro. No Ford tem o que se espera, com acabamento emborrachado em praticamente todo o painel e comandos no volante, mas acho que o Focus merece mais refinamento e um pouco mais de cuidado na montagem.
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Daniel: Lembro que você falou de achar o Golf mai silencioso na estrada. Eu achei os dois semelhantes, talvez menos barulho de vento no Golf. No Focus são 2.600 rpm a 120 km/h em sexta marcha, bem sossegado. Difícil é andar no limite de 120 km/h nesses carros! Uns 150 km/h para eles é brincadeira, você percebe que são carros europeus, feitos para andar em altas velocidades. Suspensão é show, as direções são muito bem calibradas (achei a do Focus um pouco mais afiada) e o motor e o câmbio falam a mesma língua. Fabio: Isso mesmo. No Golf, a sétima marcha deixa o giro perto dos 2.000 rpm. Isso sem falar na função roda livre do modo econômico, uma "banguela moderna", que derruba o giro para próximo das 1.000 rpm. Mais uma vez, me senti dirigindo um Audi. Daniel: E no espaço interno? Você, que tem criança pequena, sentiu diferença significativa? Acho o Focus meio justo atrás, sem ser apertado, enquanto o Golf leva vantagem pelo teto mais alto, mas também não é referência. Em porta-malas os dois decepcionam. O Golf por ter o estepe com roda grande, e o Focus nem com estepe fino. Mas, para mim, que não tenho filhos, os dois serviriam como uma luva.
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Fabio: Como tenho que colocar cadeirinha da bebê, achei mais fácil no Golf. Parece que o espaço é ligeiramente melhor ali. E também tem a saída de ar traseira para aliviar os passageiros. Apesar de ambos terem espaço limitado no porta-malas, dá pra se virar rebatendo um dos bancos para levar algo maior (60/40). Daniel: É, no fim mesmo acho que eu ficaria com o Focus pelo preço. Dá para conseguir um desconto, fora algumas versões com taxa 0 de juros no financiamento em 24 vezes. Dá pra levar esse 2.0 Powershift por menos do que os R$ 73.790 da tabela. O Golf DSG é muito difícil de achar abaixo de R$ 80 mil, sem contar o seguro mais caro. No Focus eu colocaria apenas aquela central multimídia que a Ford lançou como acessório, por R$ 3.500. Fabio: Você quer dizer na versão Highline, certo? É preciso procurar um pouco, mas nos grandes centros encontra-se preços melhores para o Golf. O problema até então são os pacotes já adicionados que elevam o valor. Se for considerar só preço, o Focus leva, mas prefiro desembolsar e ficar com o projeto mais moderno.
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Daniel: Mas carro importado tem todo aquele lance de possível demora de peças e tal. Acho que quando o Golf for nacional e ganhar versões mais baratas, aí pode tomar a liderança do Focus. Fabio: Vale lembrar que agora tem a versão Comfortline, mas o acabamento dela é mais simples. Bancos totalmente de tecido, painel com aplique cinza no console (no Highline é black piano). No configurador, com DSG, essa versão sai por R$ 73.990.
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Daniel: É, vale conhecer os dois antes de fechar negócio. Mas nesse Comfortline se perde algumas coisas, como o couro e as rodas aro 17". Daí o Focus SE passa a levar vantagem nos equipamentos. Fabio: Verdade, nem a central multimídia está presente, precisa adicionar o pacote Elegance que custa R$ 4.000. Mas aí vêm também os paddle-shifts, coming living-home, as rodas 17", o piloto automático e outras coisas.
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Daniel: Pois é, em custos o Focus leva vantagem. Tomara mesmo que a concorrência se acirre para baixar esses valores. Em 2009 comprei meu Focus GLX manual por R$ 52.900. O A/T saía por R$ 57 mil. Hoje acho que os dois deviam ter versão A/T abaixo de R$ 70 mil. Do jeito que está vou esperar um SE usadinho no ano que vem... Fabio: Agora é esperar para ver as versões mais acessíveis do Golf nacional e torcer para os preços serem interessantes! Fotos Fábio Trindade e Rafael Munhoz Ficha técnica – Ford Focus SE 2.0 Powershift Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.999 cm3, comando duplo variável, injeção direta, flex; Potência: 175/178 cv a 6.500 rpm; Torque: 21,5/22,5 kgfm a 4.500 rpm; Transmissão: câmbio automatizado de seis marchas, dupla embreagem, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e multilink na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 17" com pneus 215/50 R17; Peso: 1.375 kg; Capacidades: porta-malas 316 litros, tanque 55 litros; Dimensões: comprimento 4.358 mm, largura 1.823 mm, altura 1.484 mm, entreeixos 2.648 mm Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 4,4 s 0 a 80 km/h: 6,4 s 0 a 100 km/h: 9,3 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 7,0 s 80 a 120 km/h em S: 6,2 s Frenagem 100 km/h a 0: 40,8 m 80 km/h a 0: 25,3 m 60 km/h a 0: 14,1 m Consumo Ciclo cidade: 7,5 km/l (9,2 km/l gasolina) Ciclo estrada: 10,8 km/l (13,2 km/l gasolina) Números do fabricante Aceleração 0 a 100 km/h: - Consumo cidade: - Consumo estrada: - Velocidade máxima: 197 km/h Ficha Técnica – VW Golf 1.4 TSI DSG Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, comando duplo variável, 1.395 cm³, turbo e intercooler, injeção direta, gasolina; Potência: 140 cv de 4.500 rpm a 6.000 rpm; Torque: 25,5 kgfm entre 1.500 e 3.500 rpm; Transmissão: câmbio automatizado de dupla embreagem (DSG) e sete marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente multibraço na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 17 com pneus 225/45 R17; Peso: 1.218 kg; Capacidades: porta-malas 313 litros, tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 4.255 mm, largura 1.799 mm, altura 1.468 mm, entre-eixos 2.637 mm Aceleração 0 a 60 km/h: 4,3 s 0 a 80 km/h: 6,5 s 0 a 100 km/h: 9,0 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 6,4 s 80 a 120 km/h em S: 6,3 s Frenagem 100 km/h a 0: 37,0 m 80 km/h a 0: 23,0 m 60 km/h a 0: 12,9 m Consumo Ciclo cidade: 12,1 km/l Ciclo estrada: 17,0 km/l Números do fabricante Aceleração 0 a 100 km/h: - Consumo cidade: - Consumo estrada: - Velocidade máxima: -

Galeria de fotos: Novo Focus 2.0 SE Powershift vs. Novo Golf 1.4 TSI Highline

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Foto de: Daniel Messeder