Volta rápida: invocada e divertida, Yamaha MT-09 chega para "causar"

Volta rápida: invocada e divertida, Yamaha MT-09 chega para "causar"
Promessa cumprida: quando a Yamaha mostrou a MT-09 no Salão Duas Rodas do ano passado, muita gente duvidou da declaração do presidente Shigeo Hayakawa ao CARPLACE MOTO, de que veríamos uma nova postura da empresa daqui para frente. A ideia era ter uma grande novidade a cada seis meses, e de fato isso vem ocorrendo. Tivemos a Fazer 150 no segundo semestre de 2013, a Crosser 150 no primeiro semestre deste ano e, agora, a tão esperada MT-09 montada em Manaus (AM). A inédita tricilíndrica da Yamaha chega às lojas entre o final de outubro e o início de novembro, com preços a partir de R$ 35.990.
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Com esta nova moto (lançada mundialmente ano passado), a marca dos diapasões enfim passa a oferecer um produto de última geração na categoria das nakeds 800, trazendo atrações como o motorzão três cilindros de 115 cv, o chassi de alumínio e as suspensões de curso mais longo, com uma pegada de supermotard. O resultado, como pudemos experimentar no circuito do ECPA, em Piracicaba (SP) oferece altas doses de diversão, estilo pra lá de invocado e uma tocada leve para não intimidar os menos experientes.

O que é?

Projeto inovador, a Yamaha MT-09 nasceu dentro do conceito "lado obscuro do Japão", ou seja, tem origem nas corridas de drift do submundo oriental. Design invocado era premissa fundamental para o projeto, e ao vivo a impressão é ainda melhor do que nas fotos: uma moto compacta, com guidão largo, banco em dois níveis, farol retangular com as pontas cerradas, escape quase embutido ao quadro e uma rabeta esbelta que termina numa vistosa lanterna de LED's. As suspensões trazem garfos invertidos na frente e balança de alumínio com link na traseira, enquanto as rodas são aro 17" com pneus 120/70 (dianteiro) e 180/55 (traseiro). O quadro diamante também de alumínio ajuda a deixar o peso em saudáveis 191 kg - baixo diante de concorrentes como BMW F800 R (199 kg), Kawazaki Z800 (231 kg) e até mesmo da Honda Hornet 600 (193 kg quando equipada com ABS, item de série na Yamaha).
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Em relação às nakeds tradicionais, a MT-09 também traz alguns itens de diferenciação: o curso da suspensão dianteira, por exemplo, é de 137 mm, contra 125 mm da F800 R, 120 mm da Z800 e 120 mm da Hornet. Isso garante mais versatilidade e conforto ao enfrentar nossa buraqueira cotidiana, certamente um problema para as nakeds mais esportivas. Fora isso, a nova Yamaha traz um banco que funciona quase como um "2 em 1": é estreito na frente, para uma pilotagem mais esportiva, e mais largo na parte central, para apoiar melhor nosso traseiro em viagens.
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Mecanicamente, um dos destaques do motor tricilíndrico de exatas 847 cc é a tecnologia crossplane, que consiste no trabalho alternado dos cilindros, de modo que as explosões de cada cilindro não aconteçam ao mesmo tempo. A Yamaha explica que isso garante maior torque logo em baixas rotações, para garantir arrancadas rápidas. De resto, o novo motor traz concepção esperada para os dias atuais, como duplo comando no cabeçote (DOHC), quatro válvulas por cilindro, refrigeração líquida e injeção eletrônica sequencial. O resultado é expressivo: 115 cv (10 mil rpm) e 8,9 kgfm de torque (8,5 mil rpm).
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Sacada da Yamaha foi posicionar os injetores na base das válvulas de admissão (meio caminho para a injeção direta, que jorra o combustível na câmara), gerando uma combustão mais eficiente, com ganhos em desempenho e consumo. Já o acelerador eletrônico possui três modos de atuação: STD (standard), A (mais nervoso) e B (mais manso). Vale lembrar que os modos (alternados por um botão no punho direito) não mudam a potência final, apenas a velocidade de abertura da borboleta de aceleração.
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Finaliza o conjunto o belo painel de formato recortado e curiosamente posicionado à direita do piloto. Apesar de compacto e inteiramente digital, oferece boa visualização (mesmo com conta-giros de barrinhas) e não economiza nas informações: tem computador de bordo, luz de condução econômica (acende quando andamos comedidos) e um útil mostrador de marcha engatada. O velocímetro digital também fica em destaque, fazendo com que o piloto receba a informação rapidamente. A Yamaha preferiu não se comprometer com dados de consumo, mas em avaliação na Europa nossos colegas da Infomoto registraram média de 17,8 km/l no uso urbano. Isso renderia uma autonomia na casa dos 250 km com o tanque de 14 litros - a se confirmar numa avaliação completa em breve.
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Como anda?

Embora seja forte, a MT-09 te deixa à vontade logo no primeiro contato. Comparada às nakeds tradicionais, a posição de pilotagem é claramente mais confortável, graças às pedaleiras baixas e não muito recuadas, sem falar no guidão um pouco mais elevado. O manejo da embreagem é leve e o câmbio de seis marchas atua com precisão e maciez, aumentando o prazer da pilotagem. Mas é claro que grande parte do tesão da nova Yamaha é se divertir com as prontas respostas do motor tricliíndrico, que faz a gente quase esquecer do câmbio para reduções numa tocada normal.
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Além de nervoso, este motor tem ronco muito similar aos quatro cilindros em altas rotações - o test-ride foi feito junto com algumas XJ6 e foi possível notar a semelhança. Desde baixos giros o ruído é mais grave que nos tricilíndricos da Triumph, por exemplo. Empolga também o som de admissão conseguido com um ressonador instalado na caixa de ar, enquanto os 8,9 kgfm são despejados sem dó na roda traseira. Começo minhas voltas no ECPA no modo STD, automaticamente escolhido ao se ligar a moto. Ansioso para desfrutar do brinquedão, já vou esticando marchas e curtindo a saúde dos 115 cv. Mesmo com a curta reta "travada" por uma chicane feita com cones, observei o velocímetro mostrar 141 km/h quando saía lançado da curva final em segunda marcha, com a frente querendo levantar!
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Na freada forte para contornar a chicane, a dianteira mergulha com vontade, mostrando que a suspensão de maior curso cobra um preço por seu maior conforto. Nada, porém, que desabone a MT-09 numa tocada esportiva. Já o sistema de freios é digno de elogios pela forma rápida e consistente com que os discos duplos dianteiros são mordidos, contendo a velocidade (alta) com muita eficiência e boa sensação na manete. Em seguida temos uma curva à direita em descida que emenda com outra direita em terceira marcha, para então chegar a uma freada seguida de redução para segunda marcha para contornar um cotovelo. Logo depois, um "S" de baixa velocidade mostra a agilidade e a facilidade da nova Yamaha para deitar de um lado para o outro, transmitindo bastante confiança ao piloto.
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Mais íntimo da moto, começo a variar os modos do acelerador. No A, as respostas ficam muito imediatas, sendo indicado apenas para condução esportiva de verdade. Era preciso pegar leve na hora de retomar a velocidade nas saídas de curva para evitar trancos que desestabilizavam a MT. No entanto, era no modo A que a coisa ficava mais divertida e a dianteira levantava do chão em segunda marcha, mesmo sem que eu "chamasse" a moto para subir. Mais tarde, andando devagar, percebi que mesmo no modo STD as respostas do acelerador são bruscas. Ainda assim, foi o meu preferido no circuito de Piracicaba, onde o modo B tinha atuação um tanto mansa. Creio, porém, que este será o modo ideal para a cidade. Na segunda bateria de voltas dividi meu tempo entre voltas rápidas no modo A e passeio no modo B. No primeiro caso, voltei a comprovar a imensa diversão e fácil controle, apesar da suspensão macia na dianteira. O motor é espetacular pela forma como empurra desde baixos giros e se comporta "liso" e girador em alta, como se fosse um quatro cilindros. Isso até que me empolguei mais e "crrrrr", dá-lhe ralada da pedaleira no chão... Hora de aliviar a mão. Nas voltas "passeio", destaque absoluto para a entrega de linear de torque, permitindo até fazer o circuito inteiro em terceira marcha sem problemas - o que justifica com sobras o nome MT, de Master of Torque. Legal também é o banco, que agrada na posição de "ataque", na frente, e oferece conforto numa pilotagem relaxada, acomodado mais para trás. Não vejo a hora de pegar a MT-09 na rua! Quanto custa? Projetada no período de crise na Europa, a MT-09 tinha de ser ousada e esportiva, mas também acessível. E o lado bom é que, guardadas as devidas diferenças de mercado e impostos, a versão montada no Brasil manteve o valor competitivo: R$ 35.990 na cor Matt Grey (cinza fosco) já com os freios ABS. Para levar as cores especiais, Deep Armor (roxo metálico) ou Blazing Orange (laranja metálico), o preço sobe para R$ 36.590. Nestas, os garfos dianteiros são dourados e há uma faixa exclusiva no tanque, além do logotipo da Yamaha em alto relevo. Apesar de gostar da discrição da primeira versão, é impossível ficar indiferente à MT laranja brilhante, a mais atraente na opinião deste que vos escreve.
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Em termos de concorrência, a Yamaha afirma não ter uma rival direta para a MT-09, dado o caráter misto entre naked e supermotard. De todo modo, as motos que mais se aproximam do perfil de cliente são a BMW F800 R (R$ 36.900), Ducati Monster 796 (R$ 37.900) e Kawasaki Z800 (R$ 39.400 com ABS), sem esquecer também da Honda Hornet 600 (R$ 35.300 com ABS) - embora esta esteja em compasso de espera para a chegada da nova CB 650F. Aproveitando a ocasião, a Yamaha lança também uma linha exclusiva de acessórios para a MT-09, que inclui desde jaquetas até componentes como piscas de LED’s, malas laterais e uma pequena bolha frontal. Como mostra a foto abaixo, é possível tornar a moto uma semi-touring ou apenas reforçar a esportividade do estilo com sliders especiais e gradinhas de metal nas laterais. Outro aspecto importante do pós-venda se dará na questão do seguro, algo fundamental neste tipo de motocicleta. De acordo com o diretor comercial da Yamaha, Marcio Hegenberg, a marca está em negociação com uma seguradora para oferecer valores competitivos para a MT-09, ao menos até que se crie uma base estatística para o modelo.
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Mesmo com uma previsão de vendas pequena (de 100 a 150 unidades por mês), a MT-09 pode ser considerada um divisor de águas para a Yamaha do Brasil. A nova moto mostra que a empresa finalmente colocou nosso mercado na rota dos lançamentos mundiais e tem tudo para voltar a ser mais agressiva daqui para a frente. Tanto que Hegenberg já prometeu: "Daqui a alguns meses teremos mais novidades". Pelas conversas de bastidores, a MT-07 (irmã menor da MT-09) e o scooter X-Max 250 estão na lista. Por Daniel Messeder, de Piracicaba (SP) Fotos Stephan Solon/Divulgação Ficha técnica - Yamaha MT-09 Motor: três cilindros em linha, 12 válvulas, 847 cm3, injeção eletrônica, gasolina, refrigeração líquida; Potência: 115 cv a 10.000 rpm; Torque: 8,9 kgfm a 8.500 rpm; Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por corrente; Quadro: tipo Diamante, de alumínio; Suspensão: garfos invertidos na dianteira (137 mm de curso) e balança monoamortecida com link na traseira (130 mm de curso); Freios: disco duplo na dianteira (298 mm) e disco simples na traseira (245 mm), com ABS; Pneus: 120/70 R17 na dianteira e 180/55 R17 na traseira; Peso: 191 kg; Capacidades: tanque 14 litros; Dimensões: comprimento 2.075 mm, largura 815 mm, altura 1.135 mm, altura do assento 815 mm, entreeixos 1.440 mm

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Foto de: Daniel Messeder