Opinião: a triste realidade de escolher carro e moto por índice de roubo

O cenário não é novo, mas infelizmente cada vez mais comum: o brasileiro está sendo obrigado a escolher seu próximo carro (e principalmente moto) pelo índice de roubo. E o pior é que modelos antes vistos como não desejados pelos gatunos agora estão aparecendo com maior frequência nas estatísticas das seguradoras e consequentemente elevando o preço da apólice para o consumidor. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 476 mil veículos foram roubados no Brasil em 2013. O Estado de São Paulo lidera a estatísticas com 225 mil casos, aumento de 10,1% na comparação com o ano anterior e o maior índice em 12 anos. Na sequência vêm Rio de Janeiro, com 44,7 mil, Minas gerais com 28,8 mil e Rio Grande do Sul com 28,7 mil. Agravante é que, segundo a Secretaria da Segurança Pública de SP, ano passado as ocorrências de roubo de veículos superaram as de furto, ou seja, está mais difícil levar os carros estacionados e os ladrões então praticam os delitos à mão armada e muitas vezes com o uso de violência física. Tanto que 50% dos casos de latrocínio (roubo seguido de morte) no Estado estão ligados a roubo de veículos. Diante desta triste realidade, o assunto tem sido repercutido em praticamente todos os encontros com os jornalistas das áreas de carro e motos. No lançamento da Yamaha MT-09, uma belíssima naked que tem tudo para empolgar os motociclistas brasileiros, a preocupação era de que ela se torne a "nova Honda Hornet" em termos de roubos e fique praticamente inviável para ter uma delas nas grandes cidades brasileiras. Está preocupante mesmo: outro dia estava com minha moto parada no semáforo e um motociclista puxou papo, dizendo que tinham levado a dele (igual à minha, só que de outra cor) na semana anterior. Detalhe: a moto é de uma marca que até pouco tempo atrás era considerada "tranquila" de ter! A violência contra os motociclistas já está afetando a venda de motos. Em contato com revendas de marcas premium em São Paulo, a reclamação de mercado parado por conta dos roubos é constante. A venda de esportivas (as mais visadas), quando acontece, é mais para uso restrito (track days nos autódromos de fim-se-semana) do que para curtir nas ruas. Fora isso, as seguradoras colocam preços inviáveis (acima de R$ 10 mil em diversos modelos) como forma de dizer "não queremos assumir este tipo de risco". Com os carros o fenômeno é parecido: recentemente um amigo deixou de comprar um Hyundai HB20 após ouvir de outros dois colegas que tiveram seu compacto coreano roubado. E um deles com direito à uma coronhada na cabeça quando entrava no carro após sair do trabalho. O interesse dos gatunos pelos Hyundai, aliás, tem ficado escancarado nos últimos tempos. Nesta semana mesmo publicamos uma notícia sobre uma quadrilha de Caxias do Sul (RS) que foi presa com uma lista de carros a serem roubados. E quase todos os modelos da marca estavam presentes: Azera, Sonata, Elantra, Veloster e o próprio HB20.
Opinião: a triste realidade de escolher carro e moto por índice de roubo
Por fim recebi a consulta de uma amiga que, interessada num compacto automático, veio me perguntar sobre o Peugeot 208. Ela disse que também estava pensando no New Fiesta, mas que tinha sido informada que o modelo teve enorme alta no número de roubos e que a corretora de seguro dela desaconselhava o modelo por conta do preço da apólice. É a primeira vez que vejo o Fiesta cotado entre os bandidos, assim como outros Fords (que sempre tiveram fama de seguro barato). Focus e até mesmo o Fusion também apareciam na lista dos criminosos do RS.
Opinião: a triste realidade de escolher carro e moto por índice de roubo
Para você que está pensando em comprar uma moto ou carro, fica a dica: uma consulta com corretores de seguro, além de lhe garantir um valor menor de apólice, pode te ajudar a escolher um modelo menos visado. Enquanto as autoridades não tomam providências, resta aos cidadãos encontrarem a melhor forma de garantir sua segurança. Tempos difíceis esses de hoje...

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Foto de: Daniel Messeder