Teste CARPLACE: Mercedes C180 faz entrada com classe

Teste CARPLACE: Mercedes C180 faz entrada com classe
Chamar de "carro de entrada" um sedã de R$ 142.900 soa como ofensa num mercado como o brasileiro, dominado por versões 1.0 de hatches compactos. Mas, para os puristas da Mercedes-Benz, a gama da marca começa aqui, no C180. E comparando aos modelos mais em conta da empresa, como o Classe A e o CLA, fica fácil entender porque é o Classe C que dá mais orgulho aos fãs. O C180 tem "cara" de Mercedes, tem tração traseira, tem uma cabine maravilhosa e, olhando por fora, ninguém diz que você levou a estrela "menos brilhante" da constelação.
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Amantes do design arrojado do CLA, lamento dizer, mas o C180 é muito mais carro. Eu não teria dúvidas na escolha entre um ou outro. Porte, espaço, conforto e prazer ao dirigir deixam o Classe C em ampla vantagem. Sim, o motor é um pouco limitado para o tamanho do carro, mas é um esforçado 1.6 turbo de 156 cv e com bons 25,5 kgfm de torque. A transmissão automática 7 G-Tronic foi atualizada, recebendo um novo conversor de torque com menor deslizamento. É eficiente quando exigida, com trocas razoavelmente rápidas, e ganha fácil em suavidade se comparada ao câmbio de dupla embreagem do CLA.
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O resultado é um conjunto de desempenho honesto - nem falta, nem sobra. Os 25,5 "quilos" de torque logo a 1.250 rpm dão conta de saídas razoavelmente espertas na cidade (0 a 100 km/h em 9,9 segundos) e ultrapassagens seguras na estrada (retomada de 80 a 120 km/h em 6,4 s). Não dá para acompanhar o pique do rival BMW 320i ActiveFlex (184 cv para um 0 a 100 km/h de 7,2 s), mas ao menos a Merça tem as borboletas na direção que tanto fazem falta no modelo bávaro. Não que o C180 tenha um câmbio esportivo, mas dá para se divertir com as reduções nas serrinhas da vida. O C mantém a tração traseira e ganhou uma direção mais rápida nesta nova geração, ou seja, mesmo com toda a pompa de carro de luxo ele faz curvas com muita competência - e ainda permite algumas felizes "abanadas de rabo". Além disso, as frenagens foram dignas de carros esportivos.
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Pena que a Mercedes tenha adotado a (má) ideia dos pneus runflat (que rodam por um período mesmo depois de furados), pois o composto mais duro deixou a suavidade de rodagem comprometida. Você percebe que o acerto da suspensão é macio, mas os pneus (primeiros pontos na absorção de impactos) não aliviam em nada o trabalho das molas e amortecedores. Resta conviver com alguns solavancos nos buracos, algo que me faz ter saudade da antiga Classe C, mas ao menos é bem mais tranquilo que o chão de "tábua" do CLA, este sim duro de maltratar a coluna.
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O interior do C180 é um oásis de tranquilidade. Nesta combinação de couro creme com a carroceria azul avaliada por nós (seria o meu C180 se tivesse bala para um), a sensação de luxo e aconchego é das melhores. Do desenho do painel ao toque refinado dos materiais (até o botão do vidro elétrico é gostoso de acionar), dá para perceber que a Mercedes fez um pequeno Classe S aqui dentro. Há poucos botões e comandos (a maioria migrou para a central multimídia), o que deixou o ambiente bastante "clean" e fácil de operar.
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É preciso se acostumar apenas com a alavanca de câmbio na coluna de direção (você acaba mudando de Drive para Neutro quando procura a alavanca do limpador em dia de chuva), e também com o "iPad" que concentra as informações do sistema multimídia. O problema não é o formato (um pouco fora do design do painel), mas sim a tela de 7" não ser sensível ao toque. Ao menos a qualidade da imagem impressiona bem e os comandos ficaram mais fáceis de usar do que no antigo C, sem contar o fato de que dá para navegar pela internet pareando um celular via Bluetooth. A qualidade sonora é muito boa (a Mercedes usou a estrutura lateral da carroceria como câmara de ressonância para os woofers) e dá para visualizar até o manual do carro, agora em formato digital. Outro recurso legal é uma espécie de mouse com a parte superior sensível ao toque (Touchpad), onde você pode escrever números e letras.
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Os bancos são pra lá de confortáveis e a posição de dirigir ficou mais centralizada em relação ao antecessor, sem contar o novo volante mais bonito e de melhor pegada. Curioso foi a Mercedes manter a tradição do freio de estacionamento do lado esquerdo do motorista, lembrando o antigo C que tinha o pedalzinho - neste novo é apenas um botão, já que o acionamento agora é elétrico. A lamentar, somente o desenho mais pobre do quadro de instrumentos, que tinha grafismo mais bem trabalhado na antiga geração. Já os passageiros do banco de trás não têm do que se queixar, pois o longo entre-eixos de 2,84 metros melhorou o espaço para esticar as pernas - ainda que haja um grande túnel da transmissão. O porta-malas também tem bom volume, de 480 litros, e a tampa traz braços carenados que não invadem a área das bagagens.
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Mancada máster da Mercedes foi não oferecer nenhum auxílio na hora de estacionar o C180, sequer um mísero sensor sonoro de estacionamento - estamos falando de um sedã de quase 4,7 metros de comprimento. Nisso ele lembra um carro de entrada, daqueles que você fica chorando desconto nos acessórios da concessionária. Pelo menos o consumo de combustível (auxiliado pelo sistema start-stop) é quase de carro 1.0: registramos média de 10,7 km/l na cidade e 16,9 km/l na estrada. Por Daniel Messeder Fotos Divulgação/autor Veja também: novo Mercedes C250 enfrenta BMW 328i ActiveFlex

Ficha Técnica – Mercedes-Benz C180 Avantgarde

Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.595 cm3, comando duplo variável, turbo, injeção direta, gasolina ; Potência: 156 cv a 5.300 rpm; Torque: 25,5 kgfm a 1.250 rpm; Transmissão: câmbio automático de sete marchas, tração traseira; Direção: elétrica;Suspensão: independente tipo four-link na dianteira e multilink na traseira; Freios: discos ventilados na frente e sólidos atrás, com ABS; Rodas: liga-leve aro 17″ com pneus 225/45 R17; Peso: 1.425 kg; Capacidades: porta-malas 480 litros, tanque 66 litros; Dimensões:comprimento 4.680 mm, largura 1.810 mm, altura 1.440 mm, entreeixos 2.840 mm

Medições CARPLACE

Aceleração 0 a 60 km/h: 4,9 s 0 a 80 km/h: 7,1 s 0 a 100 km/h: 9,9 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 7,0 s 80 a 120 km/h em S: 6,4 s Frenagem 100 km/h a 0: 36,6 m 80 km/h a 0: 23,2 m 60 km/h a 0: 13,1 m Consumo Ciclo cidade: 10,7 km/l Ciclo estrada: 16,9 km/l

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