Salão de Detroit: "Civic dos céus" e outros fatos legais da mostra

Salão de Detroit: "Civic dos céus" e outros fatos legais da mostra
Poucas coisas podem ser tão corridas na vida de um jornalista automotivo quanto a cobertura de um Salão do Automóvel. São dezenas de coletivas de imprensa acontecendo num curto espaço de tempo (às vezes com 15 minutos de diferença uma para a outra), diversos carros novos, uma série de entrevistas com executivos... É tanta coisa que acaba faltando tempo para fazer o que a gente realmente gosta - sentar a bunda nos carros e fuçar as coisas inusitadas da mostra. Neste aspecto, o Salão de Detroit é um dos mais prazerosos de cobrir, pois o pavilhão de exposições Cobo Hall é relativamente pequeno (pouco maior que o Anhembi, em São Paulo) e tem excelente infra-estrutura. Assim, a maioria das marcas expõe apenas os seus carros mais recentes (ou somente lançamentos) e dá tempo para descobrir outros aspectos do evento. Veja o que a gente trouxe de lá desta vez: Chinês no puxadinho A GAC fez muito barulho antes do Salão com notícias de que seria a única marca chinesa presente na mostra norte-americana. Foi mesmo, mas por pouco. Por absoluta falta de espaço no COBO Hall (dominado pelas marcas tradicionais), a GAC acabou ficando num puxadinho do pavilhão, longe dos demais estandes e ao lado de lojas de souvenires e lanchonetes. Da mesma forma, a tentativa de vender nos EUA deve ficar somente na vontade: o jipinho GS4 exposto até tem estilo, mas, com pequenos motores 1.3 e 1.5 (ao menos turbinados), não parece ser muito o tipo de carro que o consumidor ianque está comprando atualmente.
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Rivalidade em duas rodas Ninguém em sã consciência anda de moto em Detroit nesta época (estava até -18º C lá fora!), mas obviamente que a BMW não iria deixar de expor sua faceta Motorrad. Por isso estavam presentes a novíssima S1000 RR 2015, superesportiva com 199 cv e alívio de peso, e a naked retrô Nine T, feita para comemorar os 90 anos de atuação da marca no segmento de duas rodas. Mas a novidade mesmo ficou por conta da resposta da Audi, agora dona da italiana Ducati, que aproveitou para exibir a nova geração da bigtrail MultiStrada, que chega com mudanças no motor, na eletrônica e no visual. Boa notícia é que tanto a S1000 RR 2015 quanto a nova MultiStrada deverão chegar ao Brasil ainda neste ano.
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Submarcas premium É nos EUA que se concentram a maioria das "submarcas gourmet" de empresas generalistas. A GM tem a Cadillac, a Ford tem a Lincoln, a Honda tem a Acura, a Toyota tem a Lexus, e a Nissan tem a Infinity. Não obstante, a Toyota investe ainda numa marca para o público jovem, a Scion, cujo destaque foi uma versão incrementada do FR-S - clone do empolgante Toyota GT86. Nada, porém, superou a Acura com o NSX de segunda geração. Com um conjunto mecânico formado por nada menos que quatro motores (três elétricos e um V6 turbo a gasolina), o superesportivo promete revolucionar o segmento com "foco total no condutor", diz a marca. O melhor da história? Ele tem tudo para ser vendido no Brasil em 2016, por aqui com a marca Honda.
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Civic dos céus E por falar em Honda, a marca japonesa saiu do chão em Detroit. Isso mesmo, você já viu apresentação de avião em Salão do Automóvel? Pois estava lá o Honda Jet, aposta da empresa para o mercado de Very Light Jets (jatos executivos de baixo peso), onde terá como principal rival o brasileiro Embraer Phenon 100. Entre as qualidades de sua aeronave, a Honda destaca o posicionamento das turbinas acima das asas (e não na parte traseira da fuselagem), o que segundo a marca garante economia de 20% de combustível por melhorar a aerodinâmica. Além disso, os motores fabricados pela própria Honda garantem que ele seja o mais rápido e o que voa mais alto na categoria. Com tecnologia avançada, como a fuselagem feita de compósito de carbono e asas com painéis inteiriços de alumínio, o modelo tem velocidade de cruzeiro de 778 km/h e requer apenas 951 metros de pista para decolar. Tabelado a partir de US$ 4,5 milhões (mais de R$ 10 milhões), o Honda JET tem como objetivo ser o "Civic dos céus". Segundo a fabricante, a ideia é antecipar as inovações que os concorrentes só terão no futuro.
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Sangue alemão A Porsche aproveitou o lançamento mundial do 911 Targa 4 GTS para exibir todos os seus modelos que possuem versões GTS, e todos na na cor vermelha - seria uma provocação à faltante Ferrari? Além da pintura invocada, os GTS (na foto o Cayman) trazem potência extra, melhorias no chassi e escape esportivo. É o caso do 911 Targa apresentado, que recebe motor com 430 cv, pacote Sport Chrono, chassi com acerto eletrônico PASM e ainda rodas aro 20" pintadas de preto. Bandido!
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Salvem os manuais! Na terra do câmbio automático, a transmissão manual está virando coisa apenas de entusiastas. Prova disso é que a Jaguar exibiu a versão manual de seis marchas do F-Type V8S com adesivos que chamavam a atenção para o câmbio em "H". A BMW foi na mesma onda e apresentou o M235i numa versão com câmbio manual de seis marchas e farto uso de fibra de carbono e couro Alcantara no acabamento - um deleite para os saudosos do hardcore Série 1M! Viper, Corvette, Camaro e Mustang também oferecem versões com três pedais.
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Família turbinada A Ford dedicou um espaço de seu estande à linha de motores EcoBoost, com turbo e injeção direta. Disponível em versões de três, quatro e seis cilindros, a gama inclui as seguintes litragens: 1.0, 1.5, 1.6, 2.0, 2.3, 2.7 e 3.5 - destes, apenas o 2.0 vem para o Brasil atualmente, sob o capô do Fusion. Nossa atenção se voltou ao 1.0 tricilíndrico, que já foi eleito o melhor do mundo em sua cilindrada e gera saudáveis 125 cv. Notícias de bastidores dizem que o New Fiesta nacional deverá estrear o 1.0 EcoBoost por aqui ainda em 2015.
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Um Doblò que fala inglês Já pensou num Doblò com motor 2.4 de 180 cv e câmbio automático de nove marchas? Pois ele existe nos EUA, vendido sob a marca RAM (das picapes) com o nome de Promaster City. Além do conjunto mecânico poderoso, o modelo tem interior requintado, amplo espaço interno e ainda um compartimento de cargas gigante. Mas nem pense em compará-lo ao Doblò do Brasil. Este corresponde à nova geração da Europa, por enquanto sem planos de ser nacionalizada.
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Guerra de potência Acura NSX com mais de 550 cv, Ford GT com 600 cv, Corvette ZL1 de 660 cv... O que não faltou em Detroit foram cavalos. Mas, apesar de não ser considerado um superesportivo nato por conta de seu estilo "sedã pesadão", o Charger STR Hellcat 2015 mostrado como estrela da Dodge levou a disputa com nada menos que 717 cavalos! Tudo por conta do motorzão V8 de 6.2 litros sobrealimentado por um compressor mecânico. O resultado é uma aceleração de 0 a 100 km/h abaixo de 4 segundos e máxima de 318 km/h. Haja reta!
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Maior sala de imprensa do mundo Mais de 5 mil credenciais de imprensa foram confeccionadas para a edição 2015 do NAIAS (North American International Auto Show), com a presença de jornalistas de 59 países - incluindo profissionais do Cambodia, Montenegro e Guinea. Para dar conta dessa gente toda trabalhando, a sala de imprensa do Salão de Detroit é a maior (e mais bem preparada) do mundo, superando com facilidade os Salões europeus (Paris, Genebra e Frankfurt). Com patrocínio da Michelin, o Media Center fica numa área de mais de 3,7 mil metros quadrados e conta com 1.060 assentos para os jornalistas (muitos deles com notebook do evento incluído). No meio da turma estava a equipe do CARPLACE, pela primeira vez representada por dois profissionais num Salão Internacional.
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Texto e fotos: Daniel Messeder, de Detroit (EUA) Viagem a convite da Honda Galeria de fotos: 

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Foto de: Daniel Messeder