Teste CARPLACE: Cherokee 2015 reflete nova fase global da Jeep

Teste CARPLACE: Cherokee 2015 reflete nova fase global da Jeep
Entre o velocímetro e o conta-giros do novo Cherokee há uma vistosa tela TFT de 7" que mostra diversas informações sobre o carro e seus gadgets. Na página inicial do sistema, onde constam consumo médio, distância percorrida e tempo gasto, o fundo da imagem é nada menos que o mapa mundi. Normal se pensarmos que estamos num Jeep, desbravador de caminhos por natureza. Mas na verdade o desenho do mundo ali transmite uma mensagem mais profunda: indica que a Jeep agora é a marca global do Grupo FCA, algo que o próprio chefão Sergio Marchionne já fez questão de deixar claro. O Cherokee de quinta geração é o primeiro filho a nascer nesta era Fiat-Chrysler, projetado desde o começo com participação das marcas do conglomerado.
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Desta simbiose veio a plataforma de carro de passeio, emprestada do Alfa Romeo Giulietta, e também muito do design arrojado que o Cherokee ostenta agora, principalmente na dianteira. Rumores dão conta de que esse estilo tinha sido desenvolvido para um SUV da Alfa que acabou nunca saindo do papel. Houve muito bafafá a respeito desta frente com mais lata do que farol, mas, quer saber, ao vivo o novo Jeep é muito imponente e arrojado, esvaziando as críticas com muitos olhares admirados nas ruas. Fazia tempo que não andava com um carro que chamasse tanta atenção, recebendo ainda comentários como "muito louco" e "invocado" - tenho minhas dúvidas apenas quanto a essas rodas aro 18" cromadas, um tanto clássicas para o modelo. Se a dianteira com quatro blocos de luz (na verdade o filete de cima é só para luz diurna com LEDs e seta) é inovadora, a traseira com lanternas delgadas na parte de cima da tampa lembra mesmo os Alfa e dá um toque esportivo. No conjunto, é um avanço e tanto em relação ao quadradão antecessor, uma mudança necessária quando você tem rivais como Volvo XC60, Hyundai Santa Fé e até o Range Rover Evoque, que embora menor e mais esportivo acaba entrando na briga pelo preço.
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O design mais elaborado é uma das características embutidas pela Fiat, bem como a atenção aos pequenos detalhes. Uma vistoria no interior revela um Jeep Willys desenhado na base do para-brisa, encarando uma subida de rocha, ou ainda a inscrição "since 1941" no volante, que relembra a origem da marca. O Willys volta a aparecer nos simpáticos ganchos do porta-malas, com sua carinha formada pelos faróis redondos e a clássica grade de sete fendas. Bela homenagem!
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A cabine nos reserva ainda outras surpresas, como o belo desenho do painel de espuma injetada, o volante esportivo (nem parece carro americano) e a imensa quantidade de mimos. Deixei o Cherokee estacionado sob o sol e, na volta, esfriei o assento pelo comando na central multimídia. Sim, este Jeep não só esquenta o banco para os dias frios (como muitos fazem), mas também enfrenta o calor. A central multimídia Uconnetc, aliás, é o grande sistema nervoso do carro, com sua tela de 8,4" sensível ao toque onde a gente comanda o ar-condicionado, o rádio, a conexão com celular via Bluetooth, o GPS, a câmera de ré e, claro, o refresco no traseiro - tudo muito fácil e intuitivo. Pode parecer besteira, mas numa categoria de jipões de luxo, é nos detalhes que pode se ganhar o consumidor.
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Mimos mais comuns também estão presentes, como ajuste elétrico para o banco do motorista, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, freio de estacionamento elétrico, entrada sem chave e botão de partida, além da tampa traseira com abertura/fechamento elétricos e teto-solar panorâmico. Como esperado pelos 4,62 m de comprimento do jipão, o espaço interno é bastante amplo, com excelente acomodação para quatro adultos e uma criança. O porta-malas leva ótimos 696 litros na condição normal, mas, caso seja necessário, o banco traseiro que corre sobre trilhos pode ampliar o compartimento de bagagens. A posição de dirigir é tipicamente SUV, elevada e com ampla visibilidade, sem falar no banco pra lá de aconchegante e volante de boa pegada.
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Apesar do jeitão modernoso do novo Cherokee, os fãs de carrões americanos não precisam derramar lágrimas ao dirigi-lo. Sob o capô está um legítimo V6 de 3.2 litros (uma variação do conhecido Pentastar 3.6), que emite aquela melodia inconfundível de um "seis bocas" nas acelerações fortes e rende 271 cv de potência e generosos 32,2 kgfm de torque. É motor mais do que suficiente para lidar com os nada contidos 1.834 kg do novo Jeep, oferecendo respostas vigorosas nas saídas e ultrapassagens, ainda que não chegue a empolgar. A ausência de borboletas no volante para as trocas de marcha mostra que a pegada aqui não é esportiva, mas a aceleração de 0 a 100 km/h 9,1 s (teste CARPLACE) não é nada mau para um veículo com vocação familiar, certo?
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Ok, o V6 mantém as tradições ianques do Cherokee, mas e o consumo? Bem, aí a Jeep recorreu à transmissão automática de nove marchas da alemã ZF para aumentar a eficiência do propulsor. A receita mostra mais resultado na estrada, onde a nona marcha permite viajar a 120 km/h com pouco mais de 1.500 rpm e um gasto médio de 12 km/l - além de silêncio absoluto. Já na cidade não tem jeito: estamos num carrão V6 de quase duas toneladas, de modo que os 6,8 km/l registrados até que não podem ser considerados ruins. No geral, a caixa da ZF trabalha muito bem, com trocas suaves e certeiras na maior parte do tempo, sempre com uma relação acertada para cada situação. Apenas no modo manual (com mudanças pela alavanca) é que fica marcha demais para trabalhar, sendo indicado o uso da sexta para baixo no caso de uma condução mais animada.
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Condução animada? Bem, o Cherokee está mais estável do que em outras gerações, mas continua pesadão e com uma suspensão calibrada para fazer "fluf fluf" nos buracos. Ou seja, é um Jeep com todas as letras e, como tal, tem no conforto e robustez suas principais lanças de frente. É uma delícia poder andar despreocupado com o nosso solo lunar, ou mesmo valetas e quebra-molas, digeridos com facilidade. Nas curvas e desvios rápidos, porém, a inclinação acentuada da carroceria pode assustar os passageiros no começo. Nada, porém, que desabone a segurança do carro. Forcei o Cherokee numas alças de estrada e também simulei mudanças repentinas de trajetória, situações nas quais ele apresentou comportamento previsível e de fácil controle. Fora isso, o controle de estabilidade é bastante zeloso e não demora a entrar em ação. Nas frenagens, porém, a dianteira mergulha e os resultados foram apenas medianos.
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Um Jeep que se preze deve oferecer boa performance off-road, e de fato o Cherokee traz seus recursos. O mais interessante é um seletor de pisos a enfrentar (chamado Selec-Terrain, como o Terrarin Response da Land Rover), que condiciona o funcionamento da tração 4x4, do motor e do câmbio para desempenhar o melhor papel. Opções são Auto, Snow (pisos escorregadios, menos força), Sport (estica as marchas) e Sand/Mud (areia/lama, onde é necessário mais força). Numa breve incursão na terra, o novo Jeep mostrou valentia e conforto, sem raspar o fundo nos facões ou os para-choques nas subidas, e ainda transpôs os obstáculos sem distribuir pancadas aos ocupantes - ponto negativo somente para os barulhos de acabamento interno ao passar pelas irregularidades. É mais do que suficiente para enfrentar a estradinha enlameada do sítio ou trecho de areia para chegar naquela praia mais escondida. Para quem desejar um off-road mais extremo, a Jeep vai oferecer em breve a versão Trailhawk, esta com reduzida, bloqueio do diferencial traseiro e controle de velocidade em descidas, além do visual mais fora-de-estrada.
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Convencidos de que o Cherokee 2015 é muito mais que um design chamativo, chegamos ao preço. E aqui a Jeep foi com muita sede ao pote: R$ 174.900 nesta versão Limited é mais do que todos os rivais, que ficam numa faixa de R$ 140 mil a R$ 160 mil. Fosse na seara dos R$ 150 mil, o novo SUV seria matador e teria grandes chances de êxito - haverá uma versão Longitude de R$ 159.900, mas menos equipada. É preciso levar em conta que a Jeep do Brasil entra numa nova fase a partir de agora, e seria bem-vinda uma política de preços mais agressiva. Para os que esperam um Jeep mais acessível, vale a visita ao Salão do Automóvel, de 30 de outubro a 9 de novembro. Será a primeira exibição pública do Renegade, rival do EcoSport que começa a ser fabricado na nova planta da FCA em Goiana (PE) e chega ao mercado em março de 2015. Algumas da atrações deste Cherokee, como o câmbio de nove marchas e a tração 4x4 com seletor de terreno, também estarão presentes na novidade. Estamos ansiosos... Por Daniel Messeder Fotos Rafael Munhoz
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Motor: dianteiro, transversal, seis cilindros em V, 24 válvulas, 3.239 cm3, comando duplo, gasolina; Potência: 271 cv a 6.500 rpm; Torque: 32,2 kgfm a 4.400 rpm; Transmissão: câmbio automático de nove marchas, tração integral; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e multilink na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira; Rodas: liga-leve aro 18" com pneus 225/60 R18;Peso: 1.834 kg; Capacidades: porta-malas 696 litros, tanque 60 litros; Dimensões: comprimento 4.620 mm, largura 1.860 mm, altura 1.680 mm, entreeixos 2.700 mm
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Aceleração 0 a 60 km/h: 4,4 s 0 a 80 km/h: 6,5 s 0 a 100 km/h: 9,1 s Retomada 40 a 100 km/h em D: 5,0 s 80 a 120 km/h em D: 4,6 s Frenagem 100 km/h a 0: 43,7 m 80 km/h a 0: 28,4 m 60 km/h a 0: 16,9 m Consumo Ciclo cidade: 6,8 km/l Ciclo estrada: 12,0 km/l

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