Avaliação: BMW R Nine T celebra o prazer de andar de moto

Como comemorar o aniversário de 90 anos de uma conceituada marca de moto? A BMW Motorrad não teve dúvidas e projetou esta belezinha aí das fotos: a R Nine T, um modelo mais do que especial, feito para celebrar o simples prazer de andar de moto. A receita incluiu estilo retrô, guidão largo, o clássico motorzão bicilíndrico 1.200 boxer, transmissão por eixo cardã, garfos invertidos na dianteira, sarados discos de freio, acabamento caprichado e muita aptidão para personalização. Mas será que a festa vale o ingresso de R$ 61.500? Para saber, CARPLACE MOTO já teve a primazia de fazer uma avaliação completa com a Nine T por mais de 500 km na cidade, rodovia e, claro, em estradinhas tortuosas.
Avaliação: BMW R Nine T celebra o prazer de andar de moto
Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. Pois bem, antes de rodar você pode gastar horas simplesmente admirando a nova máquina alemã. Repare como a Nine T traz apenas o essencial, mas é caprichosa nos detalhes. O tanque e a tomada de ar vêm com apliques de aço escovado, enquanto os garfos dianteiros se destacam pela pintura dourada. O guidão largo traz os conhecidos comandos de outras motos BMW, bem como a pintura prata brilhante. Já o painel é minimalista, com dois grandes instrumentos circulares (velocímetro e conta-giros) e um visor digital entre eles. Como nos velhos tempos, não há marcador de combustível, mas temos luz de advertência da reserva e um completo computador de bordo para compensar.
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Na parte mecânica também não há muitas firulas. A opção pelo motor de 1.170 cc refrigerado a ar/óleo em vez de sua versão modernizada a ar/líquido (que equipa a R 1200 GS) se deu em função do longo histórico de preparação que este propulsor possui na Europa, abrindo margem para quem for apimentar a "criança". Eu não mexeria uma vírgula: trata-se do conhecido boxer twin que equipava a antiga R 1200 R, mas com novo sistema de exaustão e um belíssimo escape da eslovena Akrapovic de duas saídas. A potência foi mantida em 110 cv a 7.500 rpm, com torque de 12,1 kgfm a 6 mil giros. E nada de eletrônica interferindo na entrega de força à roda traseira - não há controle de tração ou diferentes modos de potência. Temos apenas o ABS nos freios com discos duplos na dianteira e simples na traseira.
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Já na partida a Nine T revela alto grau de personalidade, com aquela leve chacoalhada para os lados típica do motor boxer. O painel vibra junto com o motor em marcha lenta, mas basta uma ligeira aceleração para que o propulsor se torne "liso", enquanto o excelente câmbio de seis marchas (de engates facílimos) e a transmissão por eixo cardã se encarregam de completar a suavidade ao rodar. A embreagem com assistência hidráulica também é levinha, contribuindo para um inesperado conforto no trânsito. Isso mesmo: confesso que me surpreendi com a maciez das suspensões nos buracos e valetas paulistanos, além de a moto se revelar bastante ágil na cidade apesar do motorzão com as cabeças dos cilindros para fora do quadro. Na verdade eles servem até para proteger suas pernas, restando o cuidado com o guidão largo ao trafegar no corredor entre os carros. Ziguezagueando entre outros veículos, outras boas notícias: a Nine T é leve de manobrar, com seus 222 kg, e esterça bem para uma naked. Em resumo, dá para usar no dia-a-dia tranquilamente.
Avaliação: BMW R Nine T celebra o prazer de andar de moto
A posição ao guidão é mais ergonômica do que parece, com as costas levemente inclinadas para frente e os braços um pouco abertos. O banco baixo e mais estreito na frente favorece o rápido contato dos pés com o solo, de modo que mesmo os baixinhos não terão dificuldades para pilotar esta moto. Mesmo com 15 cv a menos que a GS 1200, a performance da Nine T é bastante viva. Impressiona o generoso torque espalhado por uma ampla faixa de rotações, fazendo com que as respostas do acelerador sejam sempre vigorosas, mesmo em marchas altas. A diversão fica completa com o delicioso ronco que emana da dupla saída de escape: um som rouco, abafado, forte, digno de uma 1.200.
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Uma chamada mais forte na manete direita resulta num coice na traseira, com a Nine T disparando para além dos 200 km/h em pouco tempo. Embora não seja um motor de alto giro (a faixa vermelha começa em 8,5 mil rpm), o que não falta é disposição a este bicilíndrico. Na cidade, a Nine T anda numa boa usando marchas elevadas em baixas velocidades. Na estrada, crava 4 mil rpm a 120 km/h em sexta marcha, proporcionando uma viagem relaxada e prazerosa. Quanto ao desempenho puro, as rápidas arrancadas me fazem acreditar piamente nos 3,6 segundos que a BMW indica de 0 a 100 km/h. Na pista, cheguei a 220 km/h de painel e o acelerador ainda tinha curso...
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Divertida de pilotar em qualquer situação, a Nine T fica ainda melhor quando chegam as curvas. O modelo tem chassi tubular de aço com suspensão de garfos telescópicos emprestados da superesportiva S1000 RR (porém sem as regulagens) na dianteira e um monobraço oscilante com sistema Paralever na traseira - que combina as funções de orientação da roda e de transmissão da potência, reduzindo as forças induzidas pelo cardã que resultariam num endurecimento da suspensão durante a aceleração. O conjunto revela uma ciclística leve, ágil e esportiva, que oferece uma tocada bem mais ousada do que sugere o visual clássico da moto. A Nine T aponta com facilidade onde se deseja, encarando trechos em "S" com naturalidade e inclinando mais do que se espera em curvinhas fechadas. Outro sistema que merece aplausos é o de freios, com discos duplos de 320 mm na dianteira e pinças Brembo, que garantem alicatadas decididas e um eficiente ABS.
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A Nine T é tão gostosa de tocada que perdi a noção do tempo em que fiquei acelerando, freando, deitando, trocando da marcha e ouvindo o ronco do motor boxer durante aquela tarde na Serra da Cantareira (SP). Lembro que só voltei para casa no escuro, bem a tempo de avaliar o potente farol redondo, que traz o logotipo da BMW dentro da lente. No fim do dia, encosto a Nine T na garagem e confiro o consumo médio de nossa avaliação: 15,6 km/l, média normal para uma 1.200.
Avaliação: BMW R Nine T celebra o prazer de andar de moto
Dou aquela última olhada para a Nine T estacionada e vejo como ela fica bem com meu capacete pendurado, até combina... Mas brinquedos comemorativos sempre foram caros, de modo que já me acostumei a admirá-los somente pela vitrine desde minha infância. E no caso desta BMW a história não é diferente: tabelada a R$ 61.500, ela custa cerca de R$ 10 mil a mais do que a virtual antecessora R 1200 R estava sendo vendida nas últimas unidades. É muita grana, mas vale cada centavo. É o tipo de moto para curtir a toda hora e, quando voltar, ainda estacionar na sala de casa. Por Daniel Messeder Fotos Mario Villaescusa Agradecimentos: Eurobike pelo empréstimo da motocicleta e Espaço Quinta da Cantareira pela locação das fotos Ficha técnica - BMW R Nine T Motor: dois cilindros boxer, 8 válvulas, 1.170 cm3, injeção eletrônica, comando duplo no cabeçote, refrigeração a ar e óleo; gasolina Potência: 110 cv a 7.500 rpm; Torque: 12,1 kgfm a 6.000 rpm; Transmissão: câmbio de seis marchas, transmissão por eixo cardã; Quadro: Quatro seções com quadro traseiro em três seções, aço; Suspensão: Garfo telescópico hidráulico invertido com 46 mm de diâmetro (120 mm de curso) na dianteira e monobraço oscilante paralever na traseira (120 mm de curso), ajustável na pré-carga da mola; Freios: discos duplos com pinças radiais na dianteira (320 mm) e disco simples na traseira (265 mm), com ABS; Pneus: 120/70 aro 17 na dianteira e 180/55 aro 17 na traseira; Peso: 222 kg (em ordem de marcha); Capacidades: tanque 18 litros; Dimensões: comprimento 2.220 mm, largura 890 mm, altura do assento 785 mm, entreeixos 1.476 mm Galeria de fotos:

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Foto de: Daniel Messeder