Teste CARPLACE: S10 Freeride 2.5 Flex não deixa saudade das antigas V6

Teste CARPLACE: S10 Freeride 2.5 Flex não deixa saudade das antigas V6
Picape com mais de 200 cavalos, até pouco tempo atrás, era coisa de versão a diesel com turbo ou de V6 a gasolina. Mas eis que a tecnologia também chegou aos brutos, e desde o ano passado a S10 é impulsionada por um propulsor 4-cilindros flex de última geração. Trata-se do Ecotec 2.5 litros com injeção direta e duplo comando varável, capaz de render notáveis 206 cv de potência e 27,3 kgfm de torque. Trabalhando atrelado a uma transmissão manual de seis marchas, o valente propulsor deu vida nova à picape média da Chevrolet.
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Média? Bem, talvez esteja na hora de promovê-la a picape grande, bem como suas rivais Ford Ranger, Toyota Hilux, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier. Afinal, exceto pelas gigantescas RAM, nada é maior do que estas "caçambudas" no mercado brasileiro. Mais do que isso, está chegando por aí uma nova geração de picapes médias (estas sim, de tamanho médio), representadas pela Renault Oroch e Fiat 226. As novatas terão basicamente o tamanho da S10 de primeira geração, que estreou por aqui em 1995, com cerca de 5 metros de comprimento (cabine dupla). Hoje, uma S10 double cab como esta testada por CARPLACE mede 5,35 m e pesa praticamente duas toneladas.
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É para não perder terreno com a estreia das futuras rivais (que terão como diferencial principal a carroceria monobloco, em vez do chassi de longarinas) que a Chevrolet deu uma melhorada no custo-benefício da S10 para a linha 2016. E uma das versões mais interessantes é esta Freeride avaliada, que adiciona alguns equipamentos e acessórios à versão intermediária LT 4x2 e tem preço de R$ 95.340 - uma boa diferença em relação à versão imediatamente superior, a LTZ, que custa R$ 103.550.
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Externamente, ela recebe Santo-Antônio e capota marítima, além dos adesivos alusivos à série. As rodas são aro 16" com pneus 245/70, perfeitamente bem adaptados à proposta. Por dentro, a Freeride não esconde sua origem humilde com excesso de plásticos rígidos, bancos de tecido e os botões do ar-condicionado analógico. Mas ao menos o desenho interno agrada e a montagem é bem-feita, transmitindo sensação de robustez. A posição de dirigir é bem elevada, com excelente visibilidade e boa pega do volante, mas ajudaria se a direção tivesse ajuste de profundidade além do de altura - do jeito que está, o volante fica um pouco longe. Espaço não é problema, contanto que os passageiros de trás não liguem de viajar com os joelhos um pouco para cima, pois o assoalho é alto.
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Com tração apenas traseira (4x4 é opcional na versão LT), a Freeride tem proposta urbana. Não que usar uma picapona dessas numa cidade como São Paulo seja prático, mas exceto para encontrar vaga, até que a S10 se revelou amigável no dia-a-dia. A suspensão é uma delícia, bem macia e praticamente à prova de qualquer coisa que venha de baixo. A direção é leve e o câmbio, embora de engates um pouco longos e durinhos (normal numa picape dessas), é bastante preciso. E o motor, bem, empurra muito.
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Chega a surpreender o pulo da S10 nas arrancadas, com direito a pneus patinando mesmo na troca para a segunda marcha. Testada com gasolina, ela levou apenas 10,9 segundos para chegar aos 100 km/h (tempo de Fiesta Sport 1.6), enquanto a retomada de 40 a 100 km/h em terceira marcha foi cumprida em 11,1 s, dando uma boa ideia de sua esperteza nas ultrapassagens. Curioso notar o comportamento meio "dupla personalidade" do motor. Você pode andar numa boa, sem falta de força, trocando de marchas até 4 mil rpm. Acima disso, porém, ele se transforma, mudando inclusive de ronco e entregando todos os 206 cv. O problema, nesse caso, é que o nível de aspereza e vibrações passa a incomodar.
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Outra benesse da injeção direta é o consumo: abastecida com gasolina, a S10 rodou 7,1 km com um litro na cidade e 9,6 km na estrada. Ainda não dá pra chamar de "econômica", mas é melhor que a versão 2.4 flex e com muito mais desempenho. Para ajudar, a picape traz um indicador de marcha no painel, que mostra que você pode andar numa mantendo as rotações baixas. Por fim, a injeção direta também elimina a necessidade de um sistema de partida frio (tanquinho de gasolina ou aquecedor de etanol), pois a alta pressão do sistema já eleva a temperatura do combustível durante sua compressão.
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Estradas abertas são o habitat desta S10 4x2. Suspensão confortável, baixo nível de ruído e boa força para ultrapassagens fazem da picape da GM uma boa companheira de viagens. A sexta marcha permite manter o giro em cerca de 2.500 rpm nos 120 km/h legais da rodovia, enquanto as bitolas largas e o próprio peso do conjunto a deixam bem postada à estrada (mesmo carregada). Pise um pouco mais e a S10 responde na hora, chegando à máxima de 163 km/h (limitada eletronicamente) com facilidade, mostrando disposição para andar carregada - a carga útil é de 927 kg. Nas curvas, há de se respeitar seu porte e peso, mas para quem está acostumado com picapes sobre chassi não há surpresas. De todo modo, a falta do ESP é imperdoável e as frenagens pedem atenção, pois exigiram longos espaços.
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Em termos de custo-benefício, esta versão Freeride é certamente mais vantajosa que a LT, adicionando a desejada central multimídia My Link com câmera de ré (uma ajuda e tanto nas manobras com uma S10!), controlador automático de velocidade, computador de bordo e fechamento dos vidros pelo controle remoto, além dos já citados santo-antônio e capota marítima. Nos parece um pacote interessante na faixa até R$ 100 mil, principalmente considerando o motor com mais de 200 cv. As principais rivais, Hilux e Ranger, não passam de 163 e 173 cv em suas versões flex, respectivamente. Texto e fotos: Daniel Messeder

Ficha Técnica: Chevrolet S10 2.5 SIDI Freeride

Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, duplo comando variável, injeção direta de combustível, flex; Potência: 197/206 cv a 6.000 rpm; Torque: 26,3/27,3 kgfm a 4.400 rpm; Transmissão: câmbio manual de seis marchas, tração traseira; Direção: hidráulica; Suspensão: Independente de braços sobrepostos na dianteira e eixo rígido com feixe de molas na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aro 16" pneus 245/70 R16; Peso: 1.979 kg; Capacidades: caçamba 1.570 litros; carga útil 927 kg; tanque de combustível 80 litros; Dimensões: comprimento 5.347 mm; largura 1.882 mm; altura 1.908 mm; entre-eixos 3.096 mm; vão livre do solo: 228 mm
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Aceleração* 0 a 60 km/h: 4,6 s 0 a 80 km/h: 7,0 s 0 a 100 km/h: 10,9 s Retomada* 40 a 100 km/h em 3a marcha: 11,1 s 80 a 120 km/h em 4a marcha: 13,3 s Frenagem 100 km/h a 0: 46,6 m 80 km/h a 0: 29,8 m 60 km/h a 0: 16,5 m Consumo* Ciclo cidade:  7,1 km/l Ciclo estrada: 9,6 km/l *Medições realizadas com gasolina Galeria de fotos: S10 Freeride 2016

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Foto de: Daniel Messeder