Teste CARPLACE: Subaru Forester XT - o que os olhos não vêem, o coração sente 

No dia em que o Subaru Forester chegou na redação, dei uma olhada rápida no carro e na ficha técnica, e sinceramente não vi nada fora de série. Ainda bem que eu não fiquei só no olhar...
Teste CARPLACE: Subaru Forester XT - o que os olhos não vêem, o coração sente 
O visual do utilitário foi retocado no ano passado, com novos para-choques mais pronunciados e conjunto óptico revisto e com LEDs. Isso se traduz em uma dianteira mais parruda, com ares esportivos. As rodas de liga leve com aro 18" também são novas, com pintura preta e face diamantadas. Na traseira, novas lanternas e uma leve modificação no para-choque. O estilo continua não sendo o forte do Forester, apesar das mudanças. Mas as duas saídas de escape me chamaram a atenção.
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Por dentro, a sobriedade da Subaru impera. Apesar do desenho discreto, a cabine tem materiais de qualidade e a construção é esmerada.  Também observamos a ótima ergonomia e o espaço generoso para todos os ocupantes. O ar-condicionado é digital de duas zonas, mas diferente do comum, as temperaturas são exibidas em um display adicional lá em cima, ao lado da tela do computador de bordo.
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Por falar nela, a tela colorida oferece diversas informações interessantes como o histórico de aceleração e consumo dos últimos minutos e o trabalho da tração Symmetrical AWD, além dos dados tradicionais de um computador de bordo. Vidros elétricos nas quatro portas, direção com assistência elétrica, sistema X-Mode com três modos de condução, volante revestido de couro com comandos de som, piloto automático e paddle-shifts, bancos de couro, teto solar panorâmico, sensor de chuva e acendimento automático dos faróis completam os itens de fábrica.
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Uma das queixas do modelo anterior foi corrigida, em partes, na linha 2016 do Forester. Um novo sistema de som traz uma tela sensível ao toque de 7 polegadas com conexão Bluetooth para áudio streaming. Também é possível utilizar a telefonia, com acesso à lista de contatos, histórico de ligações e atendimento de chamadas. Outra funcionalidade é a visualização das imagens da câmera de ré. No entanto, apesar de moderna, não contempla o sistema de navegação por GPS ou outros aplicativos. Antes de cair na estrada, vamos dar uma repassada pela ficha técnica. Esta versão é mais potente oferecida no Brasil. Seu motor é um 2.0 Boxer Turbo de 240 cavalos de potência a 5.600 rpm e com a patada de 35,7 kgfm de torque a 3.600 rpm. A transmissão é a automática Lineartronic que simula até oito marchas no modo normal e seis na opção Sport#. Peraí, simula? Sim, estamos falando de um câmbio CVT associado a um motor turbo num utilitário esportivo. Hum... aqui muitos devem torcer o nariz. Confesso que também fiquei receoso, pois outros veículos com motor turbo e câmbio CVT não são, digamos, dos mais empolgantes.
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Uma coisa que pouca gente sabe é que a Subaru trabalha com uma filosofia: oferecer um carro com nível de dirigibilidade tão bom que deixe sua mente livre, sem preocupações enquanto conduz o veículo. Convenhamos que é uma filosofia ousada, mas vamos ver se o Forester consegue entregar isso.
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Agora sim, entro no carro para começar o teste pela cidade. Gosto da visibilidade geral, fato que é realçado pelos grandes retrovisores. O banco do motorista é confortável e há também o botão para dar partida no motor. Na cidade, sigo na balada tranquila, pisando leve. A primeira sensação é de que o carro anda solto, não "arrasta". Valetas e lombadas são engolidas pela suspensão sem reflexo para os ocupantes. O câmbio Lineartronic vai progressivamente dando força ao Forester. O rodar segue macio, tranquilo e sem surpresas. Opa, começo a notar a filosofia "mente livre" da Subaru. Alguns carros exigem algo a mais do motorista, seja em atenção com pontos cegos, uma direção mais pesada ou comunicação não tão direta. Impressiona, pois a condução é realmente suave. Mas, e na estrada? Será que o câmbio CVT dá conta desse motorzão? É neste momento que o coração começa a sentir o que os olhos teimavam em não enxergar. Piso fundo e a aceleração é vigorosa. Claro, o câmbio faz o motor aumentar o ronco na cabine, mas a subida do ponteiro do velocímetro torna tudo mais interessante. Aciono o modo de condução Sport#, e as trocas passam ser feitas apenas pelas borboletas enquanto a simulação diminui para seis marchas (sempre com giros mais elevados) contra as oito do modo normal.
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Apesar de ter a suspensão mais elevada, como todo SUV, o Forester não é desengonçado, não! Ganha velocidade mantendo a carroceria firme, na mão.  Neste momento que você esquece que está num utilitário e passa a tratá-lo como carro menor de pegada realmente esportiva. É isso não é exagero. Levamos o bicho para a pista e a aceleração de 0 a 100 km/h foi feita em 7,4 segundos, tempo que surpreendeu nosso editor-chefe Daniel Messeder. Nas retomadas ele também vai muito bem, precisando de 5,2 s para saltar de 80 a 120 km/h. No teste de frenagem, um imprevisto: chuva. Com a pista molhada, o SUV japonês precisou de 46,1 m no teste de 100 km/h a zero.
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Mas agora vamos aos segredos ocultos do Forester. Todo esse equilíbrio da carroceira e estabilidade se devem a dois itens exclusivos da Subaru no segmento. O primeiro é o motor Boxer, produzido em alumínio, que tem o diferencial dos quatros cilindros contrapostos na horizontal. Essa configuração permite à marca dispor de um motor menor, mais leve e o instalar em posição que contribua para que o centro de gravidade fique mais baixo.
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O outro segredo é o sistema de tração Symmetrical All-Wheel Drive. Diferente dos outros carros com tração integral, a Subaru não o desenvolveu com uma função especial para determinadas circunstâncias, mas para atender a dois requisitos: melhor performance de condução e aumento da segurança na utilização diária por qualquer condutor, independentemente das condições climáticas. Se não estiver satisfeito com a atuação padrão da tração, o sistema X-MODE permite controlar alguns de seus parâmetros, indicando se tratar de uma pista irregular ou escorregadia. Para completar, ainda possui um modo de controle de descida, que mantém a velocidade do veículo constante ao descer ladeiras.
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Na prática, estes sistemas em conjunto refletem em capacidades maiores de aceleração, estabilidade, frenagem e dirigibilidade. Falando de forma mais clara, a tração Symmetrical AWD não deixa o carro chato como alguns 4x4 que ficam amarrados. O Forester  XT Turbo 2015/2016 tem preço de R$ 139.900 e traz um conjunto de itens e equipamentos bem interessante. Além dos já citados, dispõe ainda de airbags dianteiros, laterais tipo cortina e laterais nos bancos dianteiros, assistência de partida em aclive (Hill Start Assist), controle eletrônico de estabilidade, controle de tração, encosto de cabeça ativo, ISOFIX, freios ABS com EBD, sistema de som com USB e Bluetooth para áudio streaming e telefonia, duas tomadas 12V, pedaleiras esportivas em alumínio, retrovisores com setas em LED integradas e faróis de neblina.
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Achou o preço salgado? Pois saiba que o Forester tem mais alguns atributos que poucos se atentam: segurança. O SUV simplesmente abocanhou todos os testes a que foi submetido, obtendo cinco estrelas nos  testes do NHTSA (EUA), Euro NCAP (Europa), JNCAP (Japão), ANCAP (Australia) e fechou com chave de ouro ao receber o Top Safety Pick+ 2015 do IIHS. Para finalizar, além das credenciais de segurança e da qualidade de condução, o Subaru Forester XT Turbo mostrou uma pegada esportiva difícil de encontrar no segmento. Também derrubou aquela desconfiança sobre o câmbio Lineartronic e conquistou o coração de quem gosta de dirigir de forma mais esportiva. E também de quem gosta de andar de boa. Por Fábio Trindade Fotos: Rafael Munhoz

Ficha Técnica – Subaru Forester XT Turbo

Motor: dianteiro, boxer, quatro cilindros horizontais e contrapostos, 16 válvulas, comando duplo variável, 1.998 cm³, injeção direta de combustível, turbo, gasolina; Potência: 240 cv a 5.600 rpm; Torque: 35,7 kgfm a 3.600 rpm; Transmissão: câmbio automático tipo CVT com oito marchas simuladas, tração integral simétrica; Direção: elétrica; Suspensão:independente McPherson na dianteira e independente com braços oscilantes na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 18 com pneus 255/55 R18; Peso: 1.502 kg; Capacidades: porta-malas 505 litros, tanque 60 litros; Dimensões: comprimento 4.595 mm, largura 1.795 mm, altura 1.735 mm, entre-eixos 2.640 mm, vão livre do solo 225 mm Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 3,6 s 0 a 80 km/h: 5,3 s 0 a 100 km/h: 7,4 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 5,7 s 80 a 120 km/h em S: 5,2 s Frenagem 100 km/h a 0: 46,1 m (pista molhada) 80 km/h a 0: 29,2 m (pista molhada) 60 km/h a 0: 16,5 m (pista molhada) Consumo Ciclo cidade: 7,4 km/l Ciclo estrada: 12,5 km/l

Fotos: Subaru Forester XT Turbo 2015

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Foto de: Fábio Trindade