Avaliação: Prisma 1.0, como anda o novo líder dos sedãs compactos

Há dois meses na liderança de vendas no concorrido segmento dos sedãs compactos, o Prisma começou 2015 mostrando a que veio. Ao lado do Onix, o sedã é um dos grandes responsáveis pelo aumento de participação da Chevrolet. E o mérito é ainda maior se considerarmos que o modelo começa a ameaçar a liderança de anos da Fiat no segmento, que na verdade agrega dois modelos: Siena e Grand Siena. Mas será que o Prisma faz jus a todo esse sucesso? Passamos uns dias com a versão LT 1.0 para saber.
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Desenvolvido no Brasil, o Prisma não é um mero três-volumes do Onix. Como argumento de vendas, a Chevrolet aposta forte na personalidade do sedã, que se destaca pela visual quase ao estilo cupê, com o terceiro volume bem curto e caída suave da traseira. Esta versão de entrada, LT 1.0, é responsável por uma boa parcela das vendas e a que mais bate de frente com os rivais Fiat Siena, Voyage 1.0 e HB20 S, além do recém-lançado Ka+.
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Com visual bem resolvido, aliás, um dos melhores entre os compactos, o Prisma também possui outros pontos a favor. O sedã também agrada com uma cabine de visual bem arejado e atual. Todavia, o plástico usado no painel e nas portas é bastante simples e a qualidade geral do acabamento e dos encaixes é apenas razoável. O painel de instrumentos, já bem conhecido da linha GM, oferece ótima leitura com o velocímetro digital e conta-giros bem visível, mas esta versão peca por não oferecer o computador de bordo - uma economia totalmente desnecessária. A despeito disso, a lista de itens de série é condizente com o segmento: alarme, ar-condicionado, banco traseiro rebatível, chave tipo canivete, aviso sonoro para cinto de segurança do motorista, direção hidráulica, sistema follow me, vidros elétricos nas portas dianteiras, travas elétricas e até sensor de estacionamento. O Prisma avaliado trazia também a central multimídia MyLink, que custa R$ 1.200. Intuitiva de usar com a tela sensível ao toque, reconhece facilmente os smartphones para tocar músicas, fazer chamadas, e ainda tem um sistema de som de boa qualidade. De acordo com a rede GM, o recurso é um dos grandes atrativos da dupla Onix/Prisma diante da concorrência, equipando a grande maioria dos modelos mesmo quando vendido à parte - em algumas versões a central é de série.
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O Prisma também está entre os melhores da categoria em espaço interno. Tanto quem vai na frente quanto os ocupantes do banco traseiro têm espaço para pernas bastante honesto. O único porém é o espaço para a cabeça no banco traseiro, devido à caída acentuada do teto. Já a posição de dirigir não agrada logo de cara. Mesmo com o banco do motorista no ajuste mais baixo, a posição ainda é alta (o ajuste eleva apenas o assento e não o banco). No mais, a visibilidade é excelente em todas as direções. E o amplo porta-malas leva 500 litros de bagagem.
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Mas como é dirigir o Prisma no dia-a-dia, nesta versão com motor mil? Feito sobre a moderna plataforma Gamma II, o sedã compacto roda suave e tem uma suspensão muito bem ajustada para equilíbrio entre conforto e dirigibilidade. A carroceria inclina pouco nas curvas e a estabilidade é muito boa, um dos destaques do carro. Na verdade, não existe muita diferença entre dirigir um Onix ou um Prisma, já que a traseirinha saliente praticamente não altera as sensações. Como ponto a melhorar podemos citar a direção, que com assistência hidráulica ficou um pouco pesada nas manobras, embora agrade pela firmeza em velocidade. O câmbio é excelente: tem engates macios e precisos, além de bom escalonamento das marchas. Os pedais são leves e bem modulados. No conjunto, o Prisma é bem gostoso de dirigir.
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Em relação ao desempenho, a expectativa era de que um sedã com motor "mil" de oito válvulas (80 cv e 9,8 kgfm) fosse decepcionar, mas na prática não foi bem assim. Apesar das saídas lentas, em torno de 3 mil giros ele já entrega desempenho razoável e na estrada andando a 120 km/h se saiu bem - acompanhou o fluxo sem stress. Além disso, mesmo não sendo um motor moderno, gira macio o tempo todo, mesmo em rotações altas. Então dá pra explorar bastante sem excesso de ruídos ou vibrações invadindo a cabine. Para solteiros ou casais sem filhos, até daria para encarar o Prisma com motor 1.0. Mas a maioria das pessoas que procura um sedã tem família e vai andar com o porta-malas cheio. E nessas condições o carro começa a sofrer...
Avaliação: Prisma 1.0, como anda o novo líder dos sedãs compactos
Nos testes anteriores, já tínhamos falado que tanto o Onix quanto o Prisma com motor 1.4 eram bastante silenciosos. Com o 1.0 foi exatamente a mesma coisa: seja no trânsito urbano esticando um pouco mais as marchas ou andando na rodovia a 120 km/h (4.000 rpm em quinta marcha), o ronco do motor é pouco notado na cabine. O consumo não foi surpreendente, mas também não chegou a decepcionar, levando em conta a idade do motor e o peso do conjunto. Fez média de 10,7 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada, usando gasolina. Bem aceito no mercado (nos últimos meses tem rivalizado com Siena na liderança), o Prisma definitivamente faz por merecer seu lugar ao sol. Agrada no visual, tem espaço honesto, porta-malas amplo e ainda é bom ao volante. O preço de tabela é salgado para uma versão de entrada, R$ 44.250, mas na prática a rede GM pratica descontos bem generosos, até mesmo porque os principais concorrentes têm valor de lista mais baixo.
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É uma pena, porém, que um carro tão bem projetado não conte com motores mais modernos. A GM insiste na linha de propulsores 8V, praticamente abandonados na concorrência em favor dos novos três cilindros 12V, mais eficientes. Entre os rivais, apenas o VW Voyage (R$ 39.620 sem ar-condicionado) também usa motor antigo. Os mais recentes Ford Ka+ (R$ 40.790) e Hyundai HB20S (R$ 44.195) já trazem os novos 1.0 tricilíndricos nas versões de base. O Grand Siena, por sua vez, não possui versões equipadas com motor 1.0. Texto e fotos: Julio Cesar

Ficha Técnica: Chevrolet Prisma LT 1.0

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 999 cm3, 8 válvulas, comando simples, flex; Potência: 78/80 cv a 6.400 rpm; Torque: 9,5/9,8 kgfm a 5.200 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aço estampado aro 14, com pneus 185/65 R14; Peso: 1.079 kg; Capacidades: porta-malas 500 litros, tanque 54 litros; Dimensões: comprimento 4.280 mm, largura 1.705 mm, altura 1.484 mm, entreeixos 2.528 mm.

Galeria: Prisma LT 1.0

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