Volta rápida: Jetta muda da água para o vinho com motor 1.4 TSI

Está instaurada a confusão na Volkswagen do Brasil. Após nacionalizar o Golf e seu primo rico Audi A3 Sedan, a marca lança agora o Jetta nacional com motor 1.4 TSI. Até aí nada demais, mas vamos aos fatos: Golf e A3 têm como novidade a versão flex do propulsor 1.4 TSI e, por conta da redução de custos, viram ir embora a suspensão traseira multilink e o câmbio DSG de sete marchas. Eis que agora chega o Jetta 1.4 TSI, mas sem injeção flex e com multilink. E bem mais barato que os outros dois.

O que é?

A VW, claro, tem uma explicação: o Jetta está uma geração atrás dos novos Golf e A3. Enquanto o sedã é feito sobre a plataforma PQ35, os novatos já usam a moderna arquitetura modular MQB. Em outras palavras, o projeto do Jetta já teve mais tempo para se pagar e, no fim das contas, pode custar menos que Golf e A3. OK, mas por que o Jetta não veio flex? Aí é outra confusão: a produção no ABC paulista é apenas complementar à mexicana, que continua enviando os Jetta para cá, mas também para os EUA e para o próprio México - países que não têm carros a etanol. Além do mais, fazer do Jetta bicombustível exigira toda uma nova bateria de testes para validar o restante da eletrônica do carro ao módulo flex. Um investimento que, segundo a VW, não se justifica pelo atual volume do mercado brasileiro.
Volta rápida: Jetta muda da água para o vinho com motor 1.4 TSI
Parece complicado, mas o que você precisa saber é o seguinte: os Jetta de entrada, Trendline, e o topo de linha Highline (que mantém o motorzão 2.0 TSI de 211 cv e o câmbio DSG) continuam vindo do México. Já a versão que deve ter maior volume de vendas, a Comfortline (40% do mix), é feita em São Bernardo do Campo. E, diferentemente de Golf e A3, o Jetta não perdeu nada. Pelo contrário, ele até retomou a versão manual de seis marchas como base da gama.
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O Jetta 2016 enfim dá adeus ao motor 2.0 8V que lhe rendia o apelido de "Santanão" e recebe o super-eficiente 1.4 TSI com turbo e injeção direta. A potência subiu de 120 para 150 cv, mas é o ganho de torque que muda tudo: de 18,4 para 25,5 kgfm, e entregue logo a 1.500 rpm. A transmissão continua a Tiptronic de seis marchas (da japonesa Aisin), sendo a caixa de dupla embreagem DSG restrita ao 2.0 TSI.

Como anda?

Nosso primeiro contato com o Jetta 1.4 TSI ocorreu num trecho de estrada entre São Bernardo do Campo e Guararema (SP), a bordo da versão Comfortline A/T com pacote completo de equipamentos - o que inclui os opcionais ar digital de duas zonas, teto-solar e a central multimídia com tela de 6,3" navegador por GPS e rodas aro 17", entre outros itens. Visualmente, as diferenças para o 2.0 TSI são mínimas: não há frisos cromados na base das portas e as rodas são de outro modelo. Na traseira, ambos trazem o logotipo TSI sem especificar a litragem.
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Dos carros do test-drive, a combinação mais interessante me pareceu o de carroceria azul com o interior creme, que dá um toque de sofisticação ao modelo. Ele não tem o mesmo refinamento interno do Golf, especialmente nas laterais de porta. Mas os materiais são de qualidade, o painel é de espuma injetada e a concorrência não oferece nada muito diferente. Pena o interior ainda ter desenho bem careta, rivalizando com o Corolla neste aspecto.
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Acabamento à parte, o Jetta roda feliz e satisfeito com o coração novo - que ele esperou cinco anos para receber. O motor 1.4 turbinado tem fartura de força em baixa rotação, de modo que os 1.300 kg do sedã embalam com facilidade, enquanto as ultrapassagens ficaram muito mais seguras e rápidas. E não é só: tudo com silêncio e suavidade de funcionamento que encantam, um mundo bem diferente do antigo 2.0 8V. Na prática, você não precisa mais partir para o 2.0 TSI se quiser um Jetta com desempenho decente.
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Não que o 1.4 TSI tenha acelerações de tirar o fôlego. Usando a transmissão Tiptronic, bem mais lenta que a DSG do ex-Golf 1.4 importado, o sedã não arranca com a mesma garra do hatch. A VW indica 0 a 100 km/h em 8,6 segundos (máxima de 203 km/h), cerca de 3 s mais rápido que o antigo 2.0 8V. Na real, achamos esse dado um pouco otimista. Ele parece acelerar junto de Corolla e Focus Fastback 2.0 (pouco abaixo dos 10 s até 100 km/h), ficando atrás do C4 Lounge THP quando o assunto é performance. Pelo lado do conforto, o câmbio se mostrou bastante suave na condução em estrada, além de ter um modo Sport eficiente que praticamente dispensa as borboletas no volante. Faltou somente o teste do anda-e-para no trânsito.
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Em termos de consumo, novamente o motor "downsized" faz valer sua racionalidade: andando a 120 km/h em sexta marcha (cerca de 2 mil rpm), o Jetta marcou ao redor dos 15 km/l no computador de bordo. Forçando um pouco mais o ritmo, a média caiu para 12 km/l, lembrando que ele só bebe gasolina. A falta do flex pode ter importância mercadológica, mas com o atual preço do etanol, o recurso não deverá ser adotado tão logo no Jetta.
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Por fim, mas não menos importante, a suspensão também é destaque. O Jetta 1.4 nos pareceu um pouco mais macio que o 2.0 TSI (que seguia à frente) nas emendas de ponte da estrada, onde era perceptível que nosso carro tinha mais "jogo" de carroceria. Suave, sim, mas muito preciso quando chamei o sedã mais forte para dentro da curva, ajudado pelo diferencial com vetorização de torque (XDS), que dá uma leve beliscada no freio da roda interna à tangente, ajudando o carro a contorná-la. Para completar, temos direção leve e esperta (elétrica) e freios fortes. Só leva o 2.0 TSI agora quem realmente quiser potência de sobra. Veja também: Testamos o Jetta 2.0 TSI

Quanto custa?

Como esperado, houve significativo acréscimo de preços nas versões que fizeram o transplante de coração. Enquanto o antigo Jetta 2.0 8V saía por volta de R$ 75 mil já com câmbio automático, o novo 1.4 TSI custa R$ 83.630 na versão Trendline A/T - a manual de seis marchas é tabelada a R$ 78.230. Nesta configuração, o sedã vem com bancos de tecido, rodas aro 16", sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, fixação Isofix para cadeirinhas, controles de estabilidade e tração, quatro airbags e central multimídia com tela de 5" e espelhamento para celular, entre os itens mais importantes.
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Mancada da VW foi deixar o Comfortline ainda com ar-condicionado analógico, mesmo cobrando R$ 89.750 pelo modelo. Ele adiciona diferencial de bloqueio eletrônico XDS, central multimídia com tela de 6,3", "piloto automático" e volante com comandos do som e borboletas para trocas de marcha. Mas para ter ar digital, retrovisor eletrocrômico, sensores de chuva e iluminação, rodas aro 17" e multimídia com GPS é preciso levar o pacote Exclusive de opcionais (R$ 6.470). Ou seja, para montar um Jetta igual ao que avaliamos some ainda o teto-solar (R$ 4.130) e chegamos a R$ 100.350. Muito próximo do TSI 2.0, que subiu R$ 1 mil e foi a R$ 103.990. Melhor seria se o Jetta 1.4 TSI tivesse opcionais livres, mas, comparando com o A3 Sedan (a partir de R$ 99.900) e com o Golf 1.4 TSI A/T (a partir de R$ 96.690), não restam muitas dúvidas de que o sedã tem a melhor relação custo-benefício entre os novos modelos do Grupo VW fabricados no Brasil. Por Daniel Messeder Fotos: Divulgação

Ficha Técnica – VW Jetta 1.4 TSI 2016

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, comando duplo variável na admissão, 1.395 cm³, turbo e intercooler, injeção direta, gasolina; Potência: 150 cv a 5.000 rpm; Torque: 25,5 kgfm a 1.500 rpm; Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente multibraço na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 16 com pneus 205/55 R16; Peso: 1.300 kg; Capacidades: porta-malas 510 litros, tanque 55 litros; Dimensões: comprimento 4.659 mm, largura 1.778 mm, altura 1.473 mm, entre-eixos 2.651 mm

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