Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE

Desde 2013 um diferencial do CARPLACE em relação aos demais sites independentes (não ligados à publicações impressas) é o rigor técnico dos testes, embasados pelas medições com aparelho de aquisição de dados via GPS da britânica Racelogic - o mesmo usado pelas principais publicações automotivas, montadoras e fabricantes de autopeças mundo afora. Ou seja, a gente realmente testa os veículos, sem dar espaço a "achismos" ou usar números das fábricas (geralmente otimistas) e nem comprados de outros órgãos.
Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE
Pois agora damos mais um passo importante neste sentido. Deixamos a crise de lado e investimos na compra de mais um aparelho da mesma fabricante, desta vez menor e mais leve que o usado nos carros, para fazemos também a medição das motos que passarem por nossa avaliação completa. Hoje, apenas duas publicações impressas fazem esse tipo de trabalho no Brasil. Ou seja, seremos novamente o primeiro site do país a realizar tais testes, o que vem ao encontro do crescimento das motos como fonte de nossa audiência - hoje elas já representam 30% dos nossos acessos.
Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE
As medições de motocicletas serão basicamente as mesmas dos carros, com algumas diferenças para os modelos de baixa cilindrada. Nas motos com motor inferior a 200 cc, mediremos aceleração de 0 até 80 km/h e as retomadas de 40 a 80 km/h e 70 a 90 km/h. As frenagens serão de 60 km/h a 0. Nas motos de cilindrada superior a 200 cc, faremos aceleração de 0 a 100 km/h, retomada de 40 a 80 km/h e de 60 a 100 km/h, enquanto as frenagens serão de 80 km/h a 0. As medições serão feitas em reta de 200 metros no interior paulista, a 730 metros do nível do mar, com piloto equipado pesando 95 kg.
Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE
Para estrear nosso equipamento, escolhemos a moto mais vendida do país, a Honda CG, em sua mais recente versão Titan 160, que além de modificações no estilo usa também o novo motor de 162,7 cc da marca - que estreou na trail NXR Bros. Entre outras mudanças, apresenta melhorias que passam pelo eixo balanceiro (vem com dois contrapesos laterais ao invés de um no centro para reduzir vibrações) e redesenho do cabeçote e do suporte do comando de válvulas, além de redução da transmissão primária e mudanças nas relações de marcha, também com redimensionamento dos discos de embreagem. Até mesmo o alternador teve sua eficiência melhorada, propiciando o uso de uma bateria de menor amperagem (de 5 para 4 ampères).
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O propulsor segue sendo um monocilíndrico com comando de válvulas simples no cabeçote, arrefecido a ar, flex (etanol/gasolina), agora em conformidade com a segunda fase do PROMOT4. O aumento de cilindrada de 150 para 162,7 cm³ se deu com o aumento do curso e utilização de um pistão mais leve. Comparando os valores de potência e torque com etanol, temos 15,1 cv a 8.000 rpm contra 14,3 cv a 8.500 rpm e 1,61 kgfm a 6.000 rpm contra 1,45 kgfm a 6.500 rpm (novo 160 contra o antigo 150). Em termos de ciclística, a Titan ganhou pneu traseiro mais largo e baixo (medida 100/80) para melhor estabilidade.
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Assumir o comando da nova CG não remete a uma moto "popular". A carenagem da Titan é bonita e moderna, enquanto as rodas de liga leve na cor preta e a tampa do tanque estilo aviação dão um toque esportivo ao modelo. Também o novo painel é mais completo, trazendo conta-giros (finalmente!), relógio e hodômetros total e parcial. A tocada urbana, como esperada, é excelente: embreagem e câmbio são bastante macios, o banco é confortável mesmo após horas em cima dele e o chassi é extremamente leve, o que torna a CG muito ágil no trânsito urbano. Sua largura de apenas 739 mm é certamente uma das menores do mercado, ou seja, onde não passa uma CG provavelmente não passa nem uma bike!
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Vantagens do novo motor ficam claras logo no primeiro semáforo verde. A Titan 160 pula na frente de suas antecessoras sem dificuldade, como comprovamos na aceleração de 0 a 80 km/h feita em 10,2 segundos. Para chegar aos 60 km/h, velocidade máxima permitida em muitas cidades (em São Paulo já dá multa!), a nova CG leva pouco mais de 6 segundos. E isso com funcionamento bastante suave do motor, sem apresentar vibrações incômodas em altas rotações, nem mesmo na estrada.
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Viagens? Bem, a Titan continua com as limitações de uma moto de baixa cilindrada, mas se o trajeto for curto ela aceita numa boa. Em rodovias com limite de 110 km/h não precisa nem ir de "cabo enrolado", bastando reduzir marcha nos aclives para não perder o pique. No velocímetro ela chegou a 125 km/h de máxima, o que é notável para um motor de somente 15 cv. O câmbio de cinco marchas também se revelou bem escalonado, sem "buracos" entre as marchas e com passagem muito fácil. Mesmo quem já vem da CG 150 vai notar a evolução, principalmente com garupa. Na comparação com a CG 125, é outro mundo. Diria até que a nova 160 serve tão bem ao uso cotidiano que, caso você vá usar a moto prioritariamente na cidade, nem precisa de uma 250 cc. O que não deixa de ser uma boa notícia levando-se em conta que uma CGzinha top de linha como essa já custa salgados R$ 9.290.
Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE
Outro ponto positivo da CG está nos freios de uso combinado (CBS). Isso significa que, ao frear somente com o traseiro, o sistema vai aplicar também 1/3 da força na roda da frente, deixando a frenagem mais equilibrada - recurso útil para iniciantes ou para quem ainda tem "medo" do freio dianteiro, achando que a moto pode capotar numa freada busca. Nossa medição de 60 km/h a 0 registrou 23,3 metros, sem muita tendência ao travamento. No entanto, se o freio traseiro agradou, achamos que o dianteiro poderia ter uma pouco mais de "pegada".
Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE
Em termos de consumo, a média da CG 160 com gasolina ficou em 33,5 km/l no uso misto entre cidade e estrada, exigindo bem do motor. Se rodar só na cidade, pegando leve no acelerador, dá para conseguir médias superiores a 40 km/l, lembrando que este motor usa injeção flex e também pode ser abastecido com etanol. Com tanque de 16,1 litros e considerando a média de consumo do nosso teste, a autonomia seria de cerca de 540 km.
Teste: Honda CG 160 inaugura medições de moto no CARPLACE
Pequenos vacilos da Honda ficam por conta da ausência do lampejador de farol alto e do útil indicador de marcha no painel, itens presentes até na mais barata Yamaha Factor 150, recém-lançada rival para as CGs de entrada. Também não acostumamos ainda com a posição adotada pela marca para a buzina em suas motos, acima da seta e que exige deslocar o polegar para acioná-la. Incômodo, porém, que não tira da Titan 160 o título de melhor CG feita até hoje. Por Daniel Messeder Fotos: autor e divulgação

Ficha técnica – Honda CG 160 Titan EX CBS

Motor: monocilíndrico, 162,7 cm³, injeção eletrônica, flex, refrigeração a ar, OHC; Potência: 14,9/15,1 cv a 8.000 rpm; Torque: 1,40/1,52 kgfm a 6.000 rpm; Transmissão: câmbio de cinco marchas, transmissão por corrente; Suspensão: garfo telescópico (135 mm de curso) na dianteira e dois amortecedores (106 mm de curso) na traseira; Freios: disco na dianteira (240 mm) e tambor na traseira (130 mm); Pneus: 80/100 aro 18" na dianteira e 100/80 aro 18" na traseira; Peso: 121 kg; Capacidades: tanque 16,1 litros; Dimensões: comprimento 2.032 mm, largura 739 mm, 1.087 mm, altura do assento 792 mm, entre eixos 1.315 mm; Preço: R$ 9.290 (novembro 2015)

Medições CARPLACE

Aceleração 0 a 40 km/h: 3,5 s 0 a 60 km/h: 6,1 s 0 a 80 km/h: 10,2 s Retomada 40 a 80 km/h em 3a marcha: 10,2 s 70 a 90 km/h em 4a marcha: 8,0 s Frenagem 60 km/h a 0: 23,3 m 40 km/h a 0: 11,2 m Consumo Médio: 33,5 km/l (gasolina)

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