Volta rápida: Nissan Versa muda estilo e ganha motor 3-cilindros

Volta rápida: Nissan Versa muda estilo e ganha motor 3-cilindros
"Quem ama o feio, bonito lhe parece. Quem vê cara, não vê coração. Não se deixe levar pelas aparências"... O que não falta é ditado para minimizar a falta de beleza de algo (ou alguém) quando colocada na balança junto com suas qualidades. O Nissan Versa é um caso desses, com um corpo comprido demais para sua magreza, e que agora com a reestilização ganhou olhos e boca desproporcionais ao tamanho da cara. Beleza é uma questão muito pessoal, mas... sorte da Nissan que existe o Etios Sedan, senão levava o carimbo de patinho feio do segmento.
Volta rápida: Nissan Versa muda estilo e ganha motor 3-cilindros
Sedã compacto já é um sujeito difícil de nascer bonito, mas está aí o Logan renovado para mostrar que é possível dar a volta por cima. Bem, com o Versa não foi assim, e ainda acho que a frente antiga era mais harmônica que a nova. Mas o estilo nunca foi o forte dele, então vamos ao que interessa: o sedã agora é produzido na fábrica de Resende (RJ) ao lado do New March, e estreia versões 1.0 com um moderno motor três cilindros. Também manteve o 1.6, agora sem tanquinho de partida a frio, e ganhou uma versão topo de linha com direito a rodas aro 16" e bancos de couro. Câmbio automático? "Ainda está em estudos", diz um engenheiro da marca.

O que é?

Após o March, chegou a vez do Versa se tornar brasileiro. Afora o redesenho já comentado, o sedã passar a usar o novo motor 1.0 da Nissan (o Versa mexicano era equipado exclusivamente com o 1.6). Trata-se de um propulsor de três cilindros e 12 válvulas com comando de válvulas variável na admissão. A potência de 77 cv fica abaixo dos rivais Ka+ e HB20S (com 85 cv e 80 cv, respectivamente), mas o torque de 10 kgfm a 4 mil giros está na média do segmento. A Nissan destaca que o Versa 1.0 é o mais econômico da categoria pelos dados do Inmetro, com 12,6 km/l na cidade e 15,2 km/l na estrada, usando gasolina - a verificar em teste futuro.
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Nas versões mais caras segue o conhecido 1.6 16V de quatro cilindros, também com comando variável na admissão. Novidade é a estreia do sistema FlexStart da Bosch, que aquece o etanol e elimina a necessidade do tanquinho de gasolina para a partida a frio (item que também passou a vir no March 1.6 desde janeiro). Segue com 111 cv de potência e 15,1 kgfm de torque, números que rivalizam com o Ka+ 1.5, mas ficam aquém do HB20S 1.6. Como no rival da Ford, faz falta uma transmissão automática para o Versa 1.6, solução que a Nissan diz estar desenvolvendo, mas não para já. Também não conseguimos descobrir se a caixa será uma automática convencional ou do tipo CVT, como no Sentra.
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O câmbio automático teria tudo a ver com a nova versão topo de linha Unique, que adiciona a central multimídia com tela sensível ao toque (Bluetooth, GPS e câmera de ré), rodas aro 16" com pintura escura e ar digital, além de revestimento de couro nos bancos, volante, portas e manopla do câmbio. Também só o Versa Unique vem com luz de seta nos retrovisores e fixação Isofix para cadeirinhas no banco traseiro - uma mancada não vir nas demais versões, dada a vocação familiar do modelo.
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Antes de dirigir, uma relembrada no ponto alto do Versa: o espaço traseiro é imbatível. Entre e fique à vontade, porque suas pernas vão achar que você está num Mercedes Classe S, tamanho o vão para esticá-las. Além de comprido para um sedã compacto (4.492 metros, ou 3 cm menor que um Civic), o Nissan tem distância entre-eixos de 2,60 m (mesma do antigo Corolla). A marca destaca também que o acesso à cabine do Versa é dos melhores da categoria, bem como a distância entre a base e o topo da boca do porta-malas, que comporta 460 litros. Abertura interna da tampa é de série somente nas versões 1.6, mas não há forração na tampa e os braços do tipo "pescoço de ganso" invadem a área das bagagens.

Como anda?

Começamos nosso test-drive pela região de Mogi das Cruzes (SP) com o Versa Unique. O couro dá um toque mais legal à cabine, bem como deixa a pegada do volante mais grossa. Temos o mesmo ar digital e a central multimídia do March (ambos bem fáceis de usar), além de um quadro de instrumentos mais caprichado, que a Nissan chama de "fine vision" - novamente só nos modelos 1.6. O acabamento é simples, mas honesto tanto na escolha de materiais (não há rebarbas nas peças plásticas) quanto na montagem. Ruim é que o volante continua a despencar quando liberamos a trava para ajustar sua altura, e também é estranha a posição da tomada 12V, quase no pé esquerdo do passageiro. Já o comando dos retrovisores elétricos poderia ser na porta, em vez de no lado esquerdo do painel.
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Em movimento, a suspensão parece ligeiramente mais macia, embora a Nissan diga que não mexeu em nada no acerto de molas e amortecedores (mesmo nesta versão com aros 16"). Mas o fato é que aquelas pancadas secas foram atenuadas nos buracos ou ao passar pelas famosas "tartarugas". Outra mudança percebida é na calibração da direção elétrica, que ficou mais firme em velocidade. Agora você sente mais resistência do volante nas curvas, o que melhorou o controle do carro. Para completar, aplausos para a Nissan por equipar todos os Versa com ótimos pneus Continental - 195/55 R16 no carro avaliado.
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O motor 1.6 serve bem ao Versa e o câmbio de cinco marchas está bem escalonado. As saídas são ágeis, facilitadas pelo peso de apenas 1.088 kg, e na estrada é fácil manter boa velocidade de cruzeiro. Mas nas subidas com ar ligado foi preciso esticar a terceira marcha para não perder o pique. Para quem pretende pegar estrada com a família, vale investir um pouco mais neste motor mais forte, principalmente se for usar o porta-malas em sua plenitude. Já o câmbio ganhou engates um pouco mais suaves e menos barulhentos, mantendo o bom curso da alavanca.
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De resto, o Versa segue como um carro bem fácil de dirigir, com comandos e pedais leves, além de boa visibilidade geral. Nas curvas o carro ficou mais "na mão", não só pela direção recalibrada, mas também pelas rodas maiores e pneus mais aderentes. A suspensão melhorou no trato com os buracos, mas continua "firminha" como é típico dos Nissan, enquanto os freios respondem a contento. Pena que o controle de estabilidade continue fora da lista de equipamentos - apenas o Ka+ oferece o recurso nesta categoria.
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Passando ao 1.0, confesso que esperava menos. Já sabia que o ponto forte do novo motor  da Nissan era o baixíssimo nível de vibrações (é o melhor 3-cilindros do mercado neste aspecto), mas o Versa "mil" até que desenvolve bem em piso plano, mesmo como ar-condicionado ligado. Ainda que os 77 sejam modestos, o novo tricilíndrico tem curva de torque mais plana que o antigo 1.0 16V da Renault que era usado no March. Nas subidas o Versa "mil" obviamente pede algumas reduções de marcha, mas nada que comprometa ou seja diferente dos rivais. Para uso prioritariamente urbano, é uma opção a se considerar. Legal também é o roquinho gostoso do "meio V6", com um timbre mais agradável que o próprio 1.6 quatro cilindros. Nas versões 1.0, porém, permanece o câmbio de engates ruidosos e um pouco mais duros.
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Também no acabamento é nítida a diferença para o 1.6 Unique. Mesmo nesta versão S (mais equipada dos 1.0) não há luz de teto na parte fontal da cabine (apenas um spot no meio da capota) ou alças de segurança para os passageiros. O painel também é mais pobre, com instrumentos sobrepostos. Ao menos todo Versa vem com ar-condicionado, ajuste de altura do banco do motorista, travas elétricas, computador de bordo, abertura interna do tanque de combustível, rodas aro 15" e retrovisores com regulagem elétrica.

Quanto custa?

Apesar de bem equipado quando comparado aos rivais, o Versa não tem mais aquela vantagem de preço que era seu chamariz de vendas na estreia em 2011. A versão de entrada 1.0, por exemplo, sai por R$ 41.990, contra R$ 40.790 do Ka+ - o HB20S começa em R$ 44.195. Já o Versa 1.0 S passa a R$ 44.990, com adição de sistema de som com comandos no volante e rodas de liga. Mas é melhor abrir mão das rodas de liga e levar o modelo 1.6 SV, que além do motor mais potente traz o painel mais bacana, as luzes na frente da cabine e a abertura interna do porta-malas, por R$ 46.490. O melhor custo-benefício da linha está neste carro.
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O preço das versões mais caras também poderia ser um pouco mais agressivo. Tabelada a R$ 49.490, a configuração 1.6 SL adiciona acabamento um pouco melhor (maçanetas cromadas, bancos em camurça e tecido nas portas), vidros elétricos traseiros e rodas de liga. Porém, a R$ 49.390 o Ka+ entrega a versão SEL 1.5 com sistema multimídia Sync (que faz chamadas por voz) e o pacote de segurança que inclui assistente de partida em rampa e o controle de estabilidade. Em relação ao Prisma e ao HB20S, mais caros, o Nissan deve a versão automática.
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Por fim, o Versa Unique chega por R$ 54.990, valor que consideramos um tanto alto até mesmo se comparado ao March SL, que tem basicamente os mesmos equipamentos (menos o couro) e sai por R$ 47.490 - mais espaço e porta-malas valem R$ 7.500? Como atrativos de pós-venda a Nissan destaca a cobertura 24 horas por dois anos (dos três da garantia) e o custo fixo de revisões (R$ 1.850) até 60 mil km, para qualquer versão. Mesmo considerando o fato de ser o único japonês da categoria e o espaço interno sem igual, a vida do novo Versa não deverá ser das mais fáceis... Por Daniel Messeder, de Mogi das Cruzes (SP) Fotos Marcos Camargo/Divulgação

Ficha Técnica: Nissan Versa 1.0 S

Motor: dianteiro, transversal, três cilindros, 999 cm3, 12 válvulas, comando variável na admissão, flex; Potência: 77 cv a 6.200 rpm; Torque: 10,0 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: aço estampado aro 15, com pneus 185/65 R15; Peso: 1.056 kg; Capacidades: porta-malas 460 litros, tanque 41 litros; Dimensões: comprimento 4.492 mm, largura 1.695 mm, altura 1.506 mm, entreeixos 2.600 mm

Ficha Técnica: Nissan Versa 1.6 Unique

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 999 cm3, 16 válvulas, comando variável na admissão, flex; Potência: 111 cv a 6.200 rpm; Torque: 15,1 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: alumínio aro 16, com pneus 195/55 R16; Peso: 1.088 kg; Capacidades: porta-malas 460 litros, tanque 41 litros; Dimensões: comprimento 4.492 mm, largura 1.695 mm, altura 1.506 mm, entreeixos 2.600 mm  

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Foto de: Daniel Messeder