Volta Rápida: novo Audi Q3 1.4 é bom de andar e tem preço de briga

Volta Rápida: novo Audi Q3 1.4 é bom de andar e tem preço de briga
Não era você que vivia dizendo que os Audis tinham todos a mesma cara? Pois a partir de agora vai ficar mais fácil identificar ao menos os SUVs da marca. É que a linha utilitária "Q" terá uma grade exclusiva com o que a Audi chama de "efeito 3D", na realidade uma moldura prata em volta da grade que encosta nos faróis, fazendo uma interessante composição na dianteira. Este visual é um dos destaques do Q3 2016, que desembarca no Brasil em julho como importado (deve se tornar nacional em 2016) e depois será visto no novo Q7 já apresentado na Europa.

O que é?

SUV compacto da Audi, o Q3 é sucesso de vendas em nosso mercado. Somente em 2015 foram emplacadas 3.817 unidades e, passado esse período de troca de modelo, o Q3 deve voltar à brigar com o Mercedes GLA pela liderança do segmento de SUVs compactos premium. Além das alterações visuais, a linha 2016 recebe motor 1.4 TFSI de 150 cv para as versões de entrada, enquanto as mais caras estreiam novas configurações do conhecido 2.0 TFSI, agora com 180 cv e 220 cv, respectivamente. Nos 2 litros, a transmissão S-Tronic também é nova, desta vez com sete marchas e a dupla embreagem banhada em óleo - até então era usada uma caixa seis marchas. No 1.4 litro, segue a S-Tronic de seis velocidades (estranhamente não é usada a de sete marchas do A3).
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Falando de estilo, o Q3 2016 é facilmente identificado pela nova grade e para-choque dianteiros, mas os mais atentos notarão que os faróis também mudaram: agora são bixenônio (em todas as versões) e com as luzes de neblina incorporadas, além do feixe de LEDs ter mudado de desenho. Atrás, as lanternas são novas por dentro, também com nova assinatura noturna de LEDs, enquanto os refletores do para-choque ficaram maiores. Para completar, o SUV recebeu ponteira de escape cromada e novas rodas aro 17" (modelo de entrada) e 18" (nos demais).
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Internamente as alterações se resumem ao acabamento e equipamentos, dependendo da versão. Não que o Q3 precisasse de mudanças neste parte: o painel tem desenho moderno e a ergonomia é excelente, com ótima posição de dirigir, volante de boa pegada, ampla visibilidade e fácil acesso aos comandos. Também a qualidade percebida é digna de nota, justificando o termo premium (tão banalizado hoje em dia) mesmo na versão de entrada.

Como anda?

Ainda com a (boa) impressão deixada pelo A3 Sedan 1.4 no nosso teste de um mês, já imaginava que o Q3 com motor emprestado do Golf (família EA-211) não iria decepcionar. Pois não deu outra: mesmo pesando 1.405 kg, o SUV 1.4 acelera com vontade (a marca fala em 8,9 de 0 a 100 km/h) e mostra bom fôlego nas retomadas, aproveitando os 25,5 kgfm de torque aliados à eficiente transmissão S-Tronic - de trocas muito rápidas, que quase não interrompe a entrega de força para as rodas. Também agrada a leveza de condução, lembrando que esta versão tem tração apenas dianteira. Num dos trechos do Rodoanel paulistano, onde ocorreu a avaliação, deu para acelerar um pouco mais e a sensação foi sempre positiva, nunca parecendo "faltar" motor. A Audi indica máxima de 204 km/h.
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Outro bônus da menor cilindrada fica por conta do consumo: segundo dados do Inmetro, o Q3 1.4 faz média de 10,7 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada, lembrando que esses valores podem ser até melhores na prática, especialmente em uso rodoviário. Ainda não foi desta vez, porém, que o motor 1.4 turbo do Grupo VW se tornou flex. A estreia da versão bicombustível deve acontecer mesmo na dupla Golf/A3, que começa a ser feita no Paraná em agosto. A expectativa é que a potência seja de 150 cv com etanol, o mesmo que rende esse Q3 com gasolina.
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Passando ao Q3 2.0 de 180 cv, as respostas ficam obviamente mais ágeis, mas também é nítido o maior peso do motor na dianteira (a direção é um pouco mais pesada) e do sistema de tração Quattro, do meio para trás. De todo modo, é reconfortante contar com o torque extra (32,6 kgfm) logo a 1.500 rpm nesta versão mais parruda (1.540 kg). O ronco do 2.0 também é um pouco mais bravo, não deixando dúvidas quanto à capacidade de chegar aos 100 km/h nos 7,6 segundos informado pela Audi. Outra boa notícia é a presença da sétima marcha, que deixa o giro ainda mais baixo em velocidade de cruzeiro (cerca de 2 mil rpm) e ajuda a reduzir o consumo.
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Tanto na versão 1.4 quanto na 2.0 o Q3 oferece dirigibilidade marcante, com ótimo controle dos movimentos da carroceria e uma direção com peso e relação na medida - nem boba, nem pesada, nem brusca, nem lenta. A suspensão é tipicamente Audi, com acerto um pouco mais para firme, mas sem ser dura a ponto de maltratar os ocupantes nos buracos mesmo usando rodas aro 18". Os freios têm resposta rápida e forte, com um pedal bastante firme. Como o trajeto quase não tinha curvas, não pudemos experimentar a aderência extra proporcionada pela tração integral (versão 2.0), mas já conhecemos seu efeito positivo na antiga versão do Q3. Na briga contra os rivais Mercedes GLA e BMW X1 (este à espera da nova geração já mostrada na Europa), o modelo da Audi continua a se destacar ao volante.

Quanto custa?

Se os SUVs compactos nacionais estão cada vez mais caros, a chegada de versões mais simples dos modelos de marca premium vem aproximando as duas realidades. O que faz do Q3 Attraction, de R$ 127.190, um modelo interessante em termos de custo-benefício - considerando, claro, a categoria SUV, pois com esse valor dá para levar um A3 Sedan 1.8 TFSI de 180 cv. Mesmo o Q3 de entrada já vem com bancos de couro, sistema de som com Bluetooth, comandos do som na direção, borboletas para trocas manuais de marcha, sensor de estacionamento traseiro e os sensores de luz e chuva, além dos airbags frontais, laterais dianteiros e de cortina. Passando à versão seguinte, 1.4 Ambiente, o preço já salta para R$ 144.190. O pacote adiciona rodas aro 18", ar digital de duas zonas, teto-solar panorâmico e a tampa do porta-malas com abertura/fechamento elétrico. Mas neste caso é melhor pular para o Q3 2.0 Attraction, que apesar de menos equipado, traz o motor mais forte e a tração Quattro por apenas R$ 1 mil a mais (R$ 145.190). Já quem quiser unir o pacote Ambiente ao motor 2.0 com tração integral vai gastar R$ 165.190 (levando ainda o sensor de estacionamento dianteiro e o seletor de modo de condução Audi Drive Select), conforme a tabela abaixo: Q3 1.4 Turbo 150 cv Attraction R$ 127.190 Q3 1.4 Turbo 150 cv Ambiente R$ 144.190 Q3 2.0 Turbo 180 cv Quattro Attraction R$ 145.190 Q3 2.0 Turbo 180 cv Quattro Ambiente R$ 165.190 Q3 2.0 Turbo 220 cv Quatrro Ambition R$ 190.190
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Por fim, o Q3 ainda oferece a opção top de linha Ambition, com o motor 2.0 na mesma configuração encontrada no Golf GTI (220 cv e 35,7 kgfm), que adiciona o sistema de navegação 3D - opcional de R$ 10.500 nos demais. Com ele, a central multimídia passa a ter a tela de 7" (5,8" no sistema mais simples) e a operação pode ser via comandos de voz. Outros opcionais são o sistema de som da Bose, o keyless Go (entrada sem chave e partida por botão) e o assistente de pontos cegos.
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Com as mudanças, o Q3 fica pronto para angariar terreno até a chegada do modelo Made in Brazil no próximo ano. A Audi diz que a liderança o segmento não é o foco, mas admite que espera um incremento de cerca de 25% nas vendas com a estreia das versões 1.4. Pelo efeito que vimos com o A3 de entrada, a meta nos parece questão de tempo. Por Daniel Messeder Fotos Pedro Bicudo/Divulgação

Ficha Técnica: Audi Q3 1.4 TFSI

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.395 cm³, turbo, injeção direta, gasolina; Potência: 150 cv de 5.000 rpm a 6.000 rpm; Torque: 25,5 kgfm entre 1.400 e 3.500 rpm; Transmissão: câmbio automatizado S-Tronic de dupla embreagem e seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente multibraço na traseira; Freios: discos nas quatro rodas com ABS e EBD; Peso: 1.405 kg; Capacidades: porta-malas 460 litros, tanque 64 litros; Dimensões: comprimento 4.388 mm, largura 1.831 mm, altura 1.590 mm, entre-eixos 2.603 mm

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