Volta Rápida: Focus Fastback aposta na dinâmica para se distanciar do Corolla

A Ford enfim percebeu o que parecia óbvio: não dá para brigar em vendas contra Corolla e Civic. Por isso, a linha 2016 do Focus Sedan muda de sobrenome e, principalmente, de estratégia. Com a sigla Fastback, que remete ao Mustang 1967, o modelo vai apostar na sua esportividade para se destacar entre os " rivais caretas", nas palavras da marca. "Você quer espaço, pode ir para o Corolla; quer um desenho clássico, pode ir para o Sentra... Mas se você quer um carro com design dinâmico e que entrega dirigibilidade esportiva, seu carro é o Focus", brada Oswaldo Ramos, gerente de marketing da Ford.

O que é?

Antes com a missão de entrar no "G4" dos sedãs médios em termos de vendas, agora o Focus quer ser uma opção diferenciada no segmento. Mas, apesar do Fastback no nome, o ex-Focus Sedan não tem novidades no desenho da traseira. As únicas novidades estão nas lanternas com lentes vermelhas e na tampa com desenho mais limpo. A linha de caída do teto, que teoricamente definiria o termo fastback, é a mesma de antes, ou seja, de um sedã tradicional. É na dianteira que se concentram as principais novidades. Como já mostrado pelo hatch, o Focus enfim adota a linguagem atual de design da Ford com a grade "Aston Martin" e os faróis mais delgados.
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Outra atração está no pacote de equipamentos. A versão Titanium Plus, como a avaliada, vem de série com faróis de xenônio direcionais, sistema multimídia Sync com tela de 8", teto-solar, assistente de estacionamento (agora também para vagas de shopping) e o sistema de frenagem automática. Por meio de um sensor no para-brisa, o Focus analisa a distância do carro da frente e aciona automaticamente os freios caso o motorista não reaja, evitando o impacto se a velocidade for inferior a 20 km/h ou ao menos diminuindo o estrago em velocidades até 50 km/h.
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Para valorizar a dinâmica, o modelo ganhou rodas aro 17" em todas as versões e recebeu aperfeiçoamentos na direção e suspensão. Na primeira, o sistema elétrico foi recalibrado para maior leveza em manobras. Na segunda, há novas buchas dianteiras, além de um aumento na rigidez da carroceria na parte da frente. No que diz respeito à aerodinâmica, as linhas mais fluidas diminuíram o arrasto, baixando o Cx da carroceria de 0,306 para 0,296. Por fim, a Ford também aplicou carpete com melhor isolamento acústico e isoladores de ruído nas caixas de roda dianteira e no corpo dos espelhos retrovisores.
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Alterações no motor Duratec 2.0 16V de injeção direta (único disponível para o Fastback) ficaram por conta de detalhes como módulo de controle de carga da bateria (que diminui o uso do alternador e, consequentemente, o consumo de combustível) e um novo compressor do ar-condicionado, para roubar menos potência do propulsor. A potência segue de expressivos 178 cv usando etanol, com torque de 22,5 kgfm a 4.500 rpm. É o suficiente para um desempenho dos melhores da turma, ficando atrás apenas dos rivais turbinados (leia-se Jetta TSI e C4 Lounge THP).
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No acabamento o sedã mostra a mesma evolução do hatch, com materiais mais refinados e melhor qualidade de construção. Por dentro mudam o volante, agora de três raios, e o visor do ar-condicionado digital, além de detalhes como o grafismo do quadro de instrumentos. O que não muda é o espaço acanhado: para os ocupantes do banco de trás, o Focus é um dos carros mais justos (no mau sentido) do segmento. Também o porta-malas de 421 litros perde para a maioria dos rivais, sendo superado até por sedãs compactos.

Como anda?

As melhorias são facilmente perceptíveis em movimento. O Focus ficou mais confortável no trânsito, com a direção mais leve, e mais silencioso na estrada. Mesmo em velocidades elevadas, agrada a sensação de carro bem postado à pista e imune aos ventos laterais, com excelente estabilidade direcional. Apesar de ficar mais sensível nas manobras, a direção mantém a firmeza necessária quando aceleramos.
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A suspensão independente nos dois eixos (multilink na traseira) continua um dos destaques, fazendo ótimo trabalho na absorção de impactos com uma estabilidade praticamente sem igual no segmento. E nisso colabora também o novo sistema de controle de estabilidade preventivo, que já atua antes mesmo de o carro desgarrar. Numa curva, por exemplo, ele freia de leve a roda dianteira interna para puxar o carro para dentro da tangente. Em relação ao hatch, o Fastback tem ainda melhor distribuição de peso, além de aparentar ser um pouco mais macio na traseira.
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Os que curtem dirigir também vão se sentir valorizados com a chegada (finalmente!) das borboletas no volante para trocas manuais de marcha do câmbio Powershift de seis marchas. Tudo bem que a transmissão de dupla embreagem da Ford não tem trocas tão rápidas quanto a DSG da VW, por exemplo, mas ainda assim ficou bem melhor que os antigos botões "+ e -" na própria alavanca.
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Ainda não desta vez que o Focus "Mercosul" recebeu o motor 1.5 Ecoboost (turbo) usado na Europa. Mas o 2.0 dá conta do recado em termos de desempenho e, graças à injeção direta, não chega a ser gastão - é possível conseguir médias acima dos 7 km/l na cidade e 10 km/l na estrada, usando etanol. Sabendo explorar o motor em giros mais altos (o torque máximo surge a 4.500 rpm), o Focus anda com desenvoltura: em nosso teste, o hatch acelerou de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos. E o Fastback aparenta acelerar com a mesma vontade. Aliás, se você não olhar pelo retrovisor interno, mal perceberá a traseira saliente.

Quanto custa?

Marketing à parte, o Focus Sed, digo, Fastback estreia em três versões: SE (R$ 77.900), SE Plus (R$ 79.900), Titanium (R$ 87.900) e Titanium Plus (R$ 96.900), sempre com motor 2.0 e câmbio Powershift. Como no hatch da linha 2016, a versão de entrada S foi suprimida do catálogo e a SE, mais recheada, ficou no lugar pelo mesmo preço. Veja abaixo os itens de série de cada modelo: SE: freios a disco nas quatro rodas, rodas aro 17″, ESP com atuação preventiva, faróis de neblina, sensor de chuva, faróis automáticos, retrovisor interno eletrocrômico, tela de LCD colorida de 4,2″, sistema de som e Bluetooth com chamadas por voz, App Link e assistente de emergência (que liga para o Samu em caso de acidente). SE Plus: SE + rodas aro 17″ com design exclusivo, airbags laterais, bancos de couro, sensor de estacionamento traseiro e ar digital com duas zonas e paddle shift na direção. Titanium: SE Plus + rodas aro 17″ com novo design, airbags de cortina, Sync Media System com My Ford Touch (tela de 8″ touch screen), sistema de navegação por GPS, sistema de som premium da Sony, chave com sensor de presença e partida por botão. Titanium Plus: Titanium + assistente de frenagem automático, teto-solar, sistema de auxílio de estacionamento (Park Assist 2), sensor de estacionamento dianteiro, retrovisores com rebatimento elétrico e banco do motorista com ajustes elétricos.
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Outro ponto que mostra a preocupação da marca com o modelo está na estratégia de venda: a manutenção, que tem fama de cara, será paga pela própria Ford por 36 meses ou 30 mil km para os 2 mil primeiros Focus Fastback vendidos. Além disso, haverá um lote de 500 caros (entre hatch e sedã) com desconto de 15% para proprietários dos modelos 2014 e 2015. Se o Fastback não emplacar, pelo menos não vai dar para dizer que a Ford não investiu nele. Por Fábio Trindade, de Gramado (RS), com Daniel Messeder Fotos: autores e divulgação Viagem a convite da Ford

Ficha técnica – Ford Focus Fastback Titanium Plus

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.999 cm3, comando duplo variável, injeção direta, flex; Potência: 175/178 cv a 6.500 rpm; Torque: 21,5/22,5 kgfm a 4.500 rpm; Transmissão: câmbio automatizado de seis marchas, dupla embreagem, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e multilink na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 17″ com pneus 215/50 R17; Peso: 1.414 kg; Capacidades: porta-malas 421 litros, tanque 55 litros; Dimensões:comprimento 4.538 mm, largura 1.823 mm, altura 1.469 mm, entreeixos 2.648 mm

Fotos: Ford Focus Fastback 2016

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