Opinião: motor 1.0 TSI da VW faz revolução que brasileiro precisa entender

Brasileiro ainda gosta de ostentar o logotipo "2.0" na traseira do carro. Talvez seja tradição herdada dos anos 1980, quando o VW Santana vinha com o "2000" na tampa do porta-malas e era um dos modelos mais desejados do país. Mas o fato é que somos o único mercado a ter Honda Civic, Toyota Corolla e Nissan Sentra com motores 2.0 no mundo (salvo por alguma versão esportiva). Tudo bem que aqui eles ostentam status de carro de luxo, enquanto nos EUA são meio de transporte da garotada na faculdade - só que agora com a tendência do downsizing os 2.0 aspirados vão ficar no passado. E o quanto antes nos adaptarmos à nova realidade, melhor!
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Repare que as nomenclaturas dos BMW e Mercedes há tempos perderam o sentido. Antigamente, o 328i, por exemplo, indicava que ele era um Série 3 equipado com motor 2.8 litros (um 6-cilindros em linha). Agora é uma mera formalidade para deixar claro que o 328i é mais forte que o 320i, mas ambos são equipados basicamente com o mesmo motor - um 2.0 4-cilindros turbo com 184 cv e 245 cv, respectivamente. Na Mercedes, a linha A, CLA e GLA 200 é equipada com motor 1.6 litro turbo, e não um 2.0 como poderia se supor pelo nome. E os exemplos não param por aí.
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O que muda com a chegada do 1.0 TSI da VW sob o capô do up! é que ele traz o downsizing para um segmento, digamos, popular. E a revolução é que, com turbo e injeção direta, o pequeno e frugal 3-cilindros de 999 cm3 chegou a 105 cv e expressivos 16,8 kgfm de torque entregue numa faixa de 1.500 a 4.500 rpm. Ou seja, sabe os sedãs 2.0 como Corolla, Civic e Sentra? Ficariam todos para trás do up! numa hipotética arrancada conjunta. Ah, e o melhor: o carrinho da VW supera os 20 km/l de gasolina na estrada (veja nosso teste completo). Por isso, pare de encarar carro turbo como esportivo (e isso vale também para vocês, seguradoras!) e viveremos num mundo onde os carros andam mais e bebem menos.
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A dúvida acontece dentro da própria Volkswagen. No workshop do motor 1.0 TSI que participamos com executivos da marca, os engenheiros não escondiam a empolgação com a nova tecnologia, mas o marketing ainda tinha o pé atrás. A VW entende que, num carro inovador como o up!, é possível lançar mão do novo propulsor sem que haja rejeição do mercado. "É uma espécie de teste para ver como será a aceitação do motor para, em caso positivo, colocá-lo em outros modelos", diz um engenheiro da empresa.
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Pelo que ouvimos, a aplicação do 1.0 TSI no Golf nacional não teria nenhum impedimento técnico ou financeiro, mas há o temor de que o preconceito do brasileiro barre o sucesso do carro. "Como assim um Golf 1.0?", seria a pergunta temida pela marca. Portanto, vamos ter o motor 1.6 aspirado de 120 cv na versão de entrada do Golf nacional que chega em setembro (um motor bom, sem dúvidas), mas na verdade poderíamos ter o 1.0 TSI como na Europa (em versão com turbo diferente do up! e 115 cv de potência).
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Sobre o temor da "manutenção complicada" dos motores turbo, é preciso ter em mente que um motor de conceito downsizing não tem como premissa ser de alto desempenho, mas sim oferecer performance semelhante a um motor maior com melhor economia de combustível. Ou seja, eles usam turbo de baixa inércia (para torque em baixas e médias rotações) e uma pressão de trabalho que raramente excede 1 bar - em outras palavras, trabalham com sobras de resistência. Tanto é que a VW prevê para o up! TSI o mesmo intervalo de trocas de óleo (primeira com 5 mil km e demais a cada 10 mil km ou seis meses) do up! MPI aspirado, bem como garante a mesma vida útil do propulsor.
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Também na dirigibilidade os motores downsizing não lembram os turbos de antigamente. Eles são lineares, com a curva de torque tradicional substituída praticamente por uma mesa de torque (em vez de haver um pico de força, eles entregam o torque máximo num grande range de rotações), deixando as respostas ao acelerador como num motor aspirado de litragem mais alta. Então, acostume-se: os motores turbo de injeção direta vão dominar o mercado - mais cedo ou mais tarde, dependendo da aceitação do consumidor. E até mesmo o Civic, que adotou motor 2.0 só pra agradar brasileiro, vai chegar com um 1.5 turbo na próxima geração.

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Foto de: Daniel Messeder