Garagem CARPLACE#4: A3 Sedan 1.4 - dinâmica e medições de desempenho

Um A3 Sedan com potência de Jetta aspirado não faz ninguém suspirar, pelo contrário. Ao ver o belo sedã da Audi, a maioria já pergunta qual a potência do bicho, e ao receber a reposta dos 122 cv dá aquele sorriso amarelo e vai embora pensando "que bos...". Bem, você pode ser esse cara, jogador de Super Trunfo de carteirinha, ou parar de achar que sabe tudo e dar uma volta no modelo de entrada da Audi. Para começar, esqueça os tais 122 cv - esse carro não tem só isso de cavalaria nem aqui nem na China. O motivo para a não divulgação da maior potência a gente não sabe, mas gente ligada à Audi admite que na verdade o motor 1.4 turbo rende cerca de 30 cv a mais, o que nos deixa numa faixa de 150 cv (bem mais interessante) e ainda com torque de 20,4 kgfm logo a 1.400 rpm - um oferecimento do pequeno turbo de pegada em baixa. Mas não é só motor: temos uma transmissão de dupla embreagem (aquela que já deixa a marcha superior pré-engatada e faz trocas em 0,2 segundo) e sete marchas (com relações bem próximas uma das outras), ou seja, um câmbio que extrai tudo que o propulsor pode entregar. Por fim, o A3 se beneficia da moderna arquitetura MQB do Grupo VW, que tem como premissa o baixo peso: esse sedan 1.4 acusa esbeltos 1.215 kg na balança - para efeito de comparação, um Corolla XEi 2.0 aspirado pesa 1.295 kg e um C4 Lounge 1.6 turbo já vai a 1.500 kg.
Garagem CARPLACE#4: A3 Sedan 1.4 - dinâmica e medições de desempenho
O resultado é nenhum sinal de preguiça ou de motor mirrado para o porte (e pretensões) do A3 Sedan. Na cidade, cheguei a gostar mais desse 1.4 que do 1.8, que apesar de mais potente tem a frente mais pesada e bebe mais, além de as rodas aro 17" nos fazerem sentir mais o mau estado da pavimentação. O A3 1.4 vem com rodas aro 16" (com desenho bem sem graça) e pneus 205/55 R16. Pode não ser dos mais esportivos, mas é o conjunto que mais se adapta às condições brasileiras de rodagem, infelizmente. Com esses sapatos, o Audi passa macio nos buracos e não reclama com pancadas secas, como acontece no 1.8, dando menos dó de usar o carro diariamente. Mas hoje vamos focar na dinâmica e no desempenho puro. Por isso aproveitei um evento na Fazenda Capuava e fiz o caminho mais longo, pegando a Estrada dos Romeiros pela Castelo Branco e depois indo até Jundiaí para daí pegar a Bandeirantes e chegar à Indaiatuba. A Romeiros é uma serpente de asfalto que gosto bastante de usar como parâmetro de dinâmica, seja para carros ou motos, uma verdadeira pista de engenharia aberta a qualquer mortal - curvas de todos os raios e velocidades, asfalto em diferentes condições, bumps, curvas cegas, outras que fecham o raio no meio da tangente... enfim, um parque de diversões para os mais experientes.
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Ainda com os esportivos que levamos aqui há pouco tempo na mente, comecei o trajeto com o A3 no modo Sport e fazendo as trocas de marcha pelas borboletas no volante. Uma delícia! Eu diria até que a traseira saliente deixa o sedã mais equilibrado que o hatch, pela melhor distribuição de massas. A todo momento sinto um carro de tocada leve, com uma direção de respostas rápidas (ainda que leve, pois esse carro não tem pretensão esportiva) e uma suspensão maravilhosamente bem calibrada - McPherson na frente e multilink atrás. O A3 administra muito bem as transições de peso nas frenagens fortes e mudanças de direção repentinas, com pouca rolagem da carroceria e uma traseira muito obediente. Certamente daria trabalho aos esportivos... O motor 1.4 não chega a empolgar, mas também está longe de fazer feio. A questão é que sua melhor performance se dá em giros médios, e esticar as marchas não parece fazer as coisas passarem mais rápido - como eu já havia notado no Golf 1.4 TSI. Mas o fato é que o A3 Sedan 1.4 é tão acertado que andei com o ESP desligado e nem fez falta. No limite a tendência é obviamente substerçante (saída de frente), mas muito fácil de controlar - e sem a traseira abanar ao aliviarmos o acelerador no meio da curva. Sobre os freios, bem, cravar somente 36,5 metros na prova de 100 km/h a 0 já diz muito sobre sua eficiência - um Civic 2.0 se arrasta por 44 metros na mesma medição.
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Quanto ao desempenho puro, o A3 1.4 T fez o que se esperava dele: aceleração de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e retomada de 80 a 120 km/h em 6,8 s - números bem próximos aos do Focus Sedan 2.0 aspirado, que tem 178 cv e 22,5 kgfm de torque, mas pesa 1.414 kg. Ou seja, o Audi tem números que os deixam entre os melhores da classe (tirando C4 THP e Jetta TSI), com vantagem no consumo. Ele só bebe gasolina (terá injeção flex quando for fabricado no Brasil, no segundo semestre), mas é bem comedido: fez média de 10,2 km/l na cidade e 16,5 km/l na estrada. Em suma, o A3 Sedan 1.4 tem um conjunto matador, que atende bem à uma família média e não abre mão da diversão do condutor. Com as versões completas dos sedãs de marcas generalistas chegando perigosamente perto dos R$ 100 mil, fica impossível não recomendar este Audi como boa compra na categoria. Texto e fotos: Daniel Messeder
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Aceleração 0 a 60 km/h: 4,4 s 0 a 80 km/h: 6,8 s 0 a 100 km/h: 9,7 s Retomada 40 a 100 km/h em S: 7,2 s 80 a 120 km/h em S: 6,8 s Frenagem 100 km/h a 0: 36,5 m 80 km/h a 0: 22,5 m 60 km/h a 0: 12,9 m Consumo Ciclo cidade: 10,2 km/l Ciclo estrada: 16,5 km/l Galeria de fotos: Audi A3 1.4 TFSI 

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Foto de: Daniel Messeder