Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!

Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
A ideia não é inédita: um hatch com cerca de 3,5 metros de comprimento, teto elevado, ágil no trânsito urbano, equipado com motor 1.0, econômico e de design moderninho. Você encontra esse carro nas concessionárias da Volkswagen desde 2014, ele se chama up!. Apesar de suas inúmeras qualidades, que incluem ser o carro mais econômico do Brasil em nossas medições de consumo e a segurança cinco estrelas nos testes de impacto, ele não consegue figurar sequer no Top 10 de vendas brasileiro. Pois o novo Fiat Mobi segue receita básica semelhante à do rival, embora sem a mesma atualidade mecânica. Então por que a marca italiana aposta que vai conseguir emplacar 8 mil unidades do carrinho por mês? É o que fomos descobrir. O que é? "Somos a montadora mais brasileira do mercado", bradou Stefan Ketter, presidente da Fiat local, no discurso de lançamento do Mobi. Após a Toro, o novo compacto é o segundo modelo de uma nova fase da empresa. Mas, diferentemente da picape, que entra num terreno até então inexplorado pela marca, o Mobi está dentro do que é especialidade da casa: carros pequenos. A partir da plataforma 327 do Uno, o novo hatch nasce com 3,56 metros de comprimento, 2,30 m de entre-eixos e porta-malas de 235 litros - contra 3,81 m, 2,37 m e 280 litros do irmão maior, respectivamente. Motor 1.0, câmbio de cinco marchas, para-brisa e uma série de componentes internos são compartilhados entre eles.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Dentro do discuso do presidente, entenda-se que a Fiat trabalhou no gosto local, principalmente no design. Como dissemos anteriormente, o Mobi é mais bonito ao vivo do que pelas fotos. A frente é imponente, as laterais vincadas transmitem robustez e a traseira completa o conjunto com a elegância da tampa preta, totalmente de vidro. A solução, além de salvar 6 kg do peso do carro, não deixa de ser uma "espetada" na VW, que preferiu não adotá-la no up! brasileiro, apesar de o modelo original europeu ter o recurso. Por dentro, a Fiat também ouviu os consumidores e não deixou nada de lataria aparente, como o up! abusa nas portas, dando a impressão de ser mais bem acabado.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Isso também não deixa de ser verdade, pois o Mobi tem qualidade de construção ainda não vista em Betim (MG). Junções de carroceria mais justas, peças plásticas mais bem montadas e até mesmo o corte dos plásticos do interior, com menos rebarbas, transmitem boa sensação a bordo. Para completar, há diferentes texturas e uso de materiais no painel e laterais de porta, além de um tecido bacana nos bancos. Ao menos na versão Like On avaliada por nós, o Mobi não passa a ideia de "carro de entrada" - só vimos o painel do Easy por fotos, e esse sim parece bem simplório.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Em termos de espaço, não há milagres: na frente a acomodação é semelhante à do Uno (ainda com dois porta-copos muito rasos no console à frente do câmbio), mas atrás há mais espaço para a cabeça que para as pernas - nada muito diferente do up!, é verdade. Boa sacada das portas traseiras que abrem num ângulo de 75 graus, o que facilita bastante o acesso. Já a tampa do porta-malas pode gerar estranheza num primeiro contato, mas a Fiat garante que não é preciso cautela: o vidro é bem grosso, com 5 mm de espessura, e o para-choque traseiro tem alma interna de aço, para proteger a tampa em caso de pequenos impactos. Faltou apenas uma lingueta junto do miolo da chave, pois ao manusear a tampa é preciso pegar no vidro e, com isso, ele acaba ficando marcado de dedos.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
A partir da versão Like, o Mobi traz o que a Fiat chama de Cargo Box, uma cesta de 14 litros encaixada no porta-malas, com divisórias para pequenos objetos - bom para levar as compras do mercado sem deixar as coisas soltas. Mas, ao levar bagagens volumosas, é preciso tirar a cesta e deixar em casa, pois ela rouba espaço do já limitado compartimento de bagagens.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Um opcional bastante interessante será oferecido a partir de junho: trata-se do Live On (acima), um dock com integração ao sistema nervoso do carro. A ideia é usar seu celular (Android ou iPhone) como central multimídia do carro via Bluetooth, a partir de um aplicativo que integra rádio, Waze e Spotfy, além de uma espécie de econômetro que vai te mostrando como dirigir gastando menos combustível. Para carregar o celular há uma tomada USB bem próxima do dock, e para não haver distração alguns comandos podem ser feitos pelas teclas do volante. Resta esperar até a estreia do recurso para ver se a Fiat vai cumprir a promessa de cobrar bem menos que uma central multimídia. Como anda? Quem já dirigiu um Uno se sentirá em casa no Mobi, pois, se não olharmos pelo retrovisor interno, a impressão é de se estar dirigindo o irmão maior - o que é bom por um lado e nem tanto por outro. Bom porque a posição de guiar é correta, bem centrada, o volante tem boa pegada e a dirigibilidade geral é bastante leve, seja no peso dos pedais, resistência dos engates do câmbio ou no esforço da direção (que ainda mantém a assistência hidráulica). O lado não muito bom é que, mesmo sendo cerca de 60 kg mais leve que o Uno (dependendo da versão), o Mobi tem desempenho apenas razoável.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Equipado com o conhecido motor 1.0 Fire de 75 cv e 9,9 kgfm de torque, o novato tem saídas morosas e precisa de giros além das 3 mil rpm para responder a contento nas retomadas. Ou seja, é preciso trabalhar bem o câmbio (que nos pareceu mais "justinho" em relação ao Uno apesar de não ter havido troca do trambulador) para não perder o pique, mesmo rodando em ambiente urbano. Ao menos o consumo nos pareceu interessante, com média de 9,5 km/l de etanol num trajeto pela capital paulista, sem muito trânsito.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
A calibração de molas e amortecedores é semelhante à do Uno, bem confortável, mas como o entre-eixos e os balanços são mais curtos, o Mobi parece um pouco mais à mão que o irmão, com menor rolagem da carroceria nas curvas e frenagens. Mas nada que tire a boa absorção de impactos, coisa que ele faz com mais delicadeza que o up!, mais firme como todo VW. No geral é um carrinho leve e ágil na cidade, além de ser bastante fácil de estacionar - apenas a visibilidade traseira acabou restrita pela tampa de vidro, já que a parte transparente é pequena. VEJA TAMBÉM: Segredos Fiat, novos modelos e linha mais enxuta nos próximos anos Salvo atrasos, o Mobi deverá entrar mais sério na briga com up! em 2017, para quando está prevista a adoção do novo motor 1.0 GSE 3-cilindros da Fiat - que estreia no segundo semestre deste ano sob o capô do Uno. Até lá, o compacto da VW seguirá na frente em consumo e, principalmente, performance. Ainda que desempenho não seja prioridade em se tratando de 1.0, é certo que os motores tricilíndricos modernos deixaram a tocada dos "milzinhos" bem mais agradável. Quanto custa? Contrariando a expectativa do preço inicial abaixo de R$ 30 mil, o Mobi estreou a partir de R$ 31.900. Mas a versão Easy é totalmente destinada a frotistas, que talvez desejem algo mais moderno que o Palio Fire - este segue em produção ao menos até que o Mobi "embale" nas vendas. Já o consumidor comum terá de gastar mais.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
A versão que a Fiat considera que será a mais vendida é a intermediária Like, de R$ 37.900, que vem com ar-condicionado, direção hidráulica, limpador/lavador do vidro traseiro, vidros dianteiros elétricos, comando interno para abertura do bocal de combustível e do porta-malas. A versão avaliada, a Like On, já pula para R$ 42.300, adicionando rodas de liga, ajuste de altura do banco do motorista, rádio com Bluetooth, retrovisores elétricos e sensor de estacionamento, entre outros itens - veja tabela completa de preços e equipamentos.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Atrás em termos técnicos, a Fiat rebate dizendo que o Mobi Like é R$ 2.090 mais barato que o Take up! com ar e direção assistida (elétrica). E compara a novidade até mesmo com o Ka SE, alegando ser R$ 3.690 mais em conta. No entanto, vale lembrar que o Ka é substancialmente maior, sendo mais concorrente de Uno e Palio do que do Mobi.
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
O fato é que, seja qual for o rival escolhido, quase todos eles estão sendo vendidos com descontos nas lojas. Tem Onix a R$ 35.900, Ka a R$ 39.900, up! com taxa reduzida... Com mercado em baixa devido à crise, acreditamos que o Mobi também terá de entrar na guerra de preços para se dar bem. Por Daniel Messeder
Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!
Fiat Mobi Like On Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 8 válvulas, 999 cm3, flex; Potência: 73/75 cv a 6.250 rpm; Torque: 9,5/9,9 kgfm a 3.850 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga-leve aro 14" com pneus 175/65 R14; Peso: 946 kg; Capacidades: porta-malas 235 litros, tanque 47 litros; Dimensões: comprimento 3.566 mm, largura 1.633 mm, altura 1.500 mm, entre-eixos 2.305 mm Galeria de fotos:

Seja parte de algo grande

Volta rápida: Sem inovar, Fiat Mobi mira pontos fracos do up!

Foto de: Daniel Messeder