Teste CARPLACE: nova VW Saveiro Cross CD está pronta para encarar as maiores

Quando estava procurando meu primeiro carro, um dos que habitavam meus sonhos de moleque de 18 anos era uma Saveiro “bolinha” TSi. Antes desta sigla ser de propriedade exclusiva dos VW com motor turbo e injeção direta (neste caso com o i maiúsculo), ela estampou a tampa do Gol e sua picape em uma versão esportiva. Juntar o peso e a dinâmica da picapinha com o motor AP 2.0 de 109,5 cv e torque de 17 kgfm resultava num carro divertido. Lógico que o juízo - da minha mãe - falou mais alto e eu acabei ficando anos dirigindo um simples "milzinho".
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O tempo passou para nós. Eu nunca tive sequer uma picape na vida, mas a Saveiro foi evoluindo enquanto isso: trocou de geração, de estilo, de motor, ganhou cabine estendida e até cabine dupla. A mais recente mudança, feita em março, veio com uma troca de identidade. Agora ela quer deixar de ser "a picape do Gol" para assumir o lado "mini-Amarok". A inspiração na irmã maior foi tanta que, se a Amarok pudesse parir algo pela caçamba, seria uma Saveiro. Repare bem nos faróis, lanternas e na grade dianteira mais quadrada e reta - até o desenho do gráfico do sensor de ré é uma Amarok! Pessoalmente, acho que este novo visual da Saveiro ficou melhor nesta versão Cross (com os apliques e o desenho mais arrojado dos para-choques) do que nas demais configurações.
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A Cross cabine dupla é a mais cara da linha. Ao custar R$ 69.250 e ter espaço para – teoricamente – cinco ocupantes, invade um terreno em que duas novatas estão fincando suas bandeiras. Renault Duster Oroch Dynamique 2.0, por R$ 72,4 mil, e Fiat Toro Freedom 1.8, de R$ 77,8 mil, fazem fritar o cérebro de quem procura uma picape nesta faixa de preço. Concorrentes? Sim! Se pensar dentro da casinha, a Saveiro Cross encara apenas a Fiat Strada Adventure cabine dupla, mas o mundo real é mais injusto com a picape da VW. As novatas são maiores, possuem quatro portas, maior espaço interno e caçamba superior. Mas a Saveiro ainda tem seus trunfos.
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Nesta reestilização “Amarokesa”, a picapinha deu um passo além por dentro. Se desconsiderarmos as simplórias laterais porta, ela recebeu um toque de modernidade bem-vindo. O painel ficou bonito como do Gol 2017 e, mesmo sem ser “soft touch”, apresenta encaixes bem feitos e materiais de boa qualidade. Volante de Golf revestido em couro, quadro de instrumentos vistoso com computador de bordo e o acabamento escuro nas colunas e teto deixam a Saveiro bacana por dentro. E ainda tem a central multimídia Discovery Pro como opcional (R$ 1.840), com espelhamento de smartphone via Android Auto ou Apple Car Play. Na cabine, ficou anos luz à frente da Oroch e ainda oferece mais conectividade que a Toro.
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Rodando, outra vantagem da Saveiro. Como chegamos a comentar na redação, a picape parece ter mais "chão" que o próprio Gol, mesmo com a elevação do vão livre nesta nova Cross (total de 198 mm). Ela manda bem na absorção da buraqueira (seja no asfalto ou fora dele) e não revela aquele comportamento típico de picape com a traseira leve pula-pula - algo que acontece com a Strada e sua mola semi-helíptica (a VW usa molas helicoidais). Nas curvas mais fechadas ela aponta firme, sem balançar ou chamar ajuda do ESP (que só atua em abusos mais fortes). Pena a direção ainda ter assistência hidráulica, em vez de elétrica, o que a deixa pesada nas manobras (e piora com os borrachudos pneus de uso misto). A posição dos pedais, deslocados à direita como a minha sonhada “Bolinha”, também incomoda.
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Lembra que comentei sobre o fator diversão da Saveiro TSi? A Cross, com o motor 1.6 16V de até 120 cv, matou minha vontade de ter uma picapinha “rápida”. Basta olhar os números de aceleração de nossas medições, com a aceleração de 0 a 100 km/h em 11,2 s, praticamente junto com a Oroch 2.0 de 148 cv e câmbio de seis marchas (11,0 s) e uma carreta de distância da Toro flex (14,6 s), com o 1.8 de 139 cv e câmbio automático de seis marchas. Junto com os engates precisos já conhecidos do câmbio MQ 200, a Cross anima quem gosta de acelerar um pouco mais. No uso diário, no entanto, o motor multiválvulas exige um pouco mais de acelerador na saída do semáforo, mesmo com o duplo comando variável. Não chega a ser um ponto negativo, mas confesso ter deixado morrer algumas vezes nas primeiras horas de contato.
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Mesmo andando bem, a Saveiro se revelou econômica, chegando à média de 7,8 km/l no etanol em uso urbano, bem melhor que os 6,7 km/l da Oroch. O motor EA-211 1.6, por mais que tenha pico de 16,8 kgfm somente aos 4.000 rpm, entrega sua força de forma linear, permitindo rodar em quinta marcha na maior parte do tempo. Outro ponto positivo está no poder de frenagem: com discos nas quatro rodas, a Cross registrou bons 38,7 metros de 100 km/h a 0, contra 41,2 m da Renault e 39,4 m da Toro. E só a VW tem o modo ABS off-road, que permite um certo travamento das rodas na terra, para criar um "montinho" na frente dos pneus e ajudar na parada.
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No fim do dia, a Saveiro parece pronta para a concorrência recém-chegada. Ela pode não ter a liderança de vendas da Strada ou o arrojo visual da Toro, mas oferece boa dose de equipamentos, melhor dirigibilidade, mais conectividade, menor consumo e mais desempenho para compensar o menor espaço interno e a capacidade de carga inferior. Dependendo do seu perfil de uso, a Cross se encaixa perfeitamente e, em troca, é mais fácil de manobrar e usar na cidade. Quanto à minha TSi, quem sabe se um dia a VW fizer uma Saveiro com o motor 1.4 TSI e câmbio de seis marchas... Sonhar não custa nada! Por Leonardo Fortunatti (colaboração para o CARPLACE) Fotos: Daniel Messeder

Ficha Técnica – VW Saveiro Cross CD 2016

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.598 cm³, duplo comando variável na admissão, flex; Potência: 110/120 cv a 5.750 rpm; Torque: Torque: 15,8/16,8 kgfm a 4.000 rpm;Transmissão: manual de cinco marchas, tração dianteira com bloqueio eletrônico de diferencial;Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção com molas helicoidais na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS; Rodas: aro 15" e pneus 205/60 R15; Peso: 1.130 kg; Caçamba: 580 litros; Capacidade de carga: 605 kg, tanque 55 litros; Dimensões: comprimento 4.511 mm, largura 1.729 mm, altura 1.509 mm, entre-eixos 2.750 mm Medições CARPLACE (testes realizados com etanol) Aceleração 0 a 60 km/h: 5,0 s 0 a 80 km/h: 7,5 s 0 a 100 km/h: 11,2 s Retomada 40 a 100 km/h em 3a marcha: 11,6 s 80 a 120 km/h em 4a marcha: 14,3 s Frenagem 100 km/h a 0: 38,7 m 80 km/h a 0: 24,2 m 60 km/h a 0: 13,6 m Consumo Ciclo cidade: 7,8 km/l Ciclo estrada: 10,5 km/l

Galeria de fotos: Saveiro Cross 2017

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Foto de: Redação2