Volta Rápida: Novo Jeep Compass aponta bússola da marca para cima

Volta Rápida: Novo Jeep Compass aponta bússola da marca para cima
E o Brasil vai se tornando celeiro de novos SUVs. Após a estreia do Nissan Kicks, agora é a vez do novo Jeep Compass surgir aqui antes do restante do mundo. Produzido em Goiana (PE) ao lado do irmão Renegade e da prima Fiat Toro, o modelo chega ao mercado em outubro apontando a bússola da marca para cima: ele nasce com a missão de fazer a ponte entre o Renegade e os SUVs importados da marca, tornando-se assim um dos carros mais sofisticados produzidos em solo nacional.

O que é?

Fruto do projeto 551, o novo Compass foi desenvolvido a partir da plataforma do Renegade. Na verdade ele se aproxima mais da Toro, por conta do porte superior. Suas dimensões ficam entre o irmão menor e a prima, com 4,416 metros de comprimento por 1,819 m de largura e 1,650 m de altura, com 2,636 m de distância entre-eixos. Pensado como alternativa mais familiar ao Renegade, oferece maior espaço interno e porta-malas de 410 litros - menor que o de um sedã médio, mas com boa vantagem sobre os 260 litros do caçula da Jeep.
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Por fora, é clara sua ligação com os modelos tops da Jeep. Tanto que, nos corredores da FCA, o Compass de segunda geração ficou conhecido como "baby Grand", em referência ao estilo inspirado no Grand Cherokee. De fato, ele ostenta linhas mais convencionais e retilíneas se comparado ao Renegade, sem deixar de fazer uma referência ao Compass anterior pelas caixas de roda "quadradas".
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Um dos destaques é o farol com máscara interna na cor branca, que faz contorno do projetor em preto para se assemelhar a um olho humano. A grade de sete fendas obviamente também está lá, desta vez mais delgada para transmitir esportividade. Outra sacada visual está na coluna traseira larga, que no modelo Limited se funde ao teto pintado de preto. As rodas podem ser de 17" ou 18", de acordo com a versão.
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Por falar em versões, o Compass estreia com quatro opções de acabamento e duas de motorização: Sport, Longitude e Limited fazem uso do novo motor 2.0 Tigershark Flex, que gera 166 cv e 20,4 kgfm de torque, sempre com câmbio automático de seis marchas e tração dianteira. A intermediária Longitude também é oferecida com motor 2.0 turbodiesel (mesmo do Renegade, com 170 cv e 35,7 kgfm), neste caso com câmbio automático de nove marchas e tração 4x4. Por último, a top de linha Tailhawk diesel (versão das fotos) traz o mesmo conjunto mecânico acrescido de suspensão elevada, pneus de uso misto e ganchos para reboque bem destacados na dianteira e traseira, além do modo rock (rocha) no sistema de tração integral.
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Para justificar a posição de Jeep mais sofisticado feito no país, o Compass traz itens interessantes nas versões mais caras, como tela de TFT no quadro de instrumentos, central multimídia com tela de 8,4 polegadas sensível ao toque (mesma do Cherokee), sistema de estacionamento automático e até piloto automático adaptativo, capaz de frear sozinho o veículo para acompanhar a velocidade do tráfego. Desde a versão de entrada há freio de estacionamento elétrico, rodas de liga aro 17", fixação Isofix para cadeirinhas e controle de estabilidade.

Como anda?

Antes mesmo do lançamento oficial, tivemos a oportunidade de um contato breve com o Compass Trailhawk na pista do Haras Tuiuti, no interior paulista, onde pudemos rodar com o novo SUV no asfalto lisinho e também em estradinhas de terra. Na ocasião, também rodamos com um Renegade a diesel, o que nos permitiu perceber claramente as diferenças entre eles.
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De cara, o Compass se destaca pelo porte e acabamento. Do trio feito em Pernambuco, ele é o mais sofisticado. O desenho do painel lembra bastante o do Renegade, bem como a disposição dos comandos, mas na parte central ele está mais para o Cherokee, por conta da multimídia com tela grande. O painel principal e os painéis de porta são feitos com espuma injetada, suaves ao toque, enquanto as saídas de ar recebem acabamento em black piano - diferente da Toro, que traz uma pintura preta. Os bancos são grandes e confortáveis, sendo que o do passageiro da frente guarda um porta-objetos sob o assento. Assim, como no Renegade, diversos easter eggs estão espalhados pelo carro, como uma lagartixa na base do limpador do para-brisa até o "Monstro do lago Ness" na base do vidro traseiro.
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Em termos de espaço, o Compass oferece acomodação semelhante à da Toro na dianteira (no Renegade a coluna dianteira mais reta deixa o para-brisa longe), incluindo a posição de dirigir. Na versão avaliada Trailhawk, o banco do motorista vem com regulagens elétricas. O volante é o mesmo do Renegade, assim como os comandos de seta. Atrás, há mais espaço para os joelhos que no irmão menor e o encosto fica mais inclinado que na Toro, resultando numa posição confortável. Com meu 1,78 m de altura e o banco dianteiro ajustado para mim, atrás sobra espaço para as pernas e a cabeça ainda fica a alguns centímetros do teto.
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Ao rodar, o Compass lembra mais a Toro que o Renegade, embora seja o mais silencioso dos três. A suspensão segue o esquema independente dos irmão (McPherson na dianteira e multibraços na traseira) e transmite bastante robustez, sendo eficiente na absorção de impactos e ao mesmo tempo deixando a carroceria bem postada ao solo. É um SUV estável, mas convém não abusar, pois ele é pesado e a dianteira arrasta sem dó quando forçamos na entrada de curva. A direção elétrica é mais leve que a do Renegade, enquanto o pedal do freio se assemelha em sensação e resposta.
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O peso extra do Compass (1.717 kg contra 1.674 kg do Renegade Trailhawk) passa praticamente despercebido pelo motor a diesel. Com bastante oferta de torque em baixos giros e ainda um câmbio esperto, o Compass ganha velocidade facilmente e mostra bom fôlego, nas retomadas. A Jeep fala em 10 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h, o que é basicamente o mesmo desempenho oferecido pela Toro com este propulsor. A marca também diz que trabalhou na calibração do câmbio para deixar as trocas mais suaves. De fato não há o que se queixar neste aspecto, mas também nunca reclamamos disso no Renegade ou na picape da Fiat. Deixando o asfalto, o Compass exibe uma solidez que garante confiança para acelerar na terra, atropelando pedras e buracos do caminho sem grandes oscilações na cabine. Nos obstáculos maiores, o novo Jeep mostrou curso de suspensão suficiente e boa altura livre do solo, passando com maciez e sem raspar embaixo. Aproveitei um subidão para testar (e aprovar) a primeira marcha reduzida (4Low), que também ajuda a segurar a velocidade em descidas íngremes. Em condições normais, o Compass parte em segunda.
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Fica agora a expectativa pelo desempenho da versão flex, cujo motor 2.0 Tigershark deverá sanar as críticas feitas ao Renegade 1.8 E.TorQ. Mas a Jeep só fará a apresentação deste modelo para a imprensa num segundo momento.

Quanto custa?

A Jeep pretende atacar em duas frentes com o novo Compass: nas versões flex, a ideia é combater o líder do segmento Hyundai ix35, antiquado, e o recém-chegado novo Kia Sportage, que vem conquistando boas vendas graças ao design inspirado. Já as versões a diesel não terão rivais em termos de motorização, mas por conta do preço o modelo acabará batendo de frente com os alemães Audi Q3, BMW X1 e Mercedes GLA - todos montados no Brasil. Para quem esperava valor inicial na faixa dos R$ 110 mil, a versão Sport Flex (foto acima) tabelada a R$ 99.990 foi uma boa surpresa. A grande aposta da marca, porém, está na versão intermediária Longitude Flex, de R$ 106.990, que adiciona ar-condicionado de duas zonas, chave presencial com partida por botão, rodas de liga aro 18" e multimídia de 8,4", entre outros itens. Mesmo na Longitude, porém, os cinco airbags extras (dois laterais dianteiros, dois de cortina e um para os joelhos do motorista) são vendidos como opcional no pacote Safety. Já o pacote Premium, também pago à parte, traz bancos de couro, sistema de som da Beats, sensor de chuva e acendimento automático dos faróis, além do retrovisor interno eletrocrômico. Para ter todos os "mimos" do Compass sem a necessidade de motor a diesel e tração 4x4, a Jeep oferece a versão Limited 2.0 Flex (acima), tabelada a R$ 124.990. Já as versões a diesel custam R$ 132.990 (Longitude) e R$ 149.990 (Trailhawk). O teto-solar será opcional livre em todos os modelos (exceto o de entrada), pelo fato de ser um carro com certa demanda para blindagem - no que a janela para o céu se torna um entrave.
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Com o fator novidade amparado pela atraente relação custo-benefício, o novo Compass deverá liderar até com folga as vendas do segmento de SUVs médios. E pelo fato de a versão Sport custar menos do que alguns SUVs compactos, como o Honda HR-V EXL, não será surpresa se o novo Jeep também causar no "andar de baixo", atingindo até mesmo o próprio Renegade. Por Daniel Messeder Fotos: Equipe CARPLACE

Ficha Técnica: Jeep Compass Trailhawk

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.956 cm3, turbo e intercooler, diesel; Potência: 170 cv cv a 3.750 rpm; Torque: 35,7 kgfm a 1.750 rpm; Transmissão: automática de nove marchas, sendo a primeira reduzida, tração 4×4 automática; Suspensão: independente McPherson na dianteira e na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira com ABS e EBD, Rodas: alumínio aro 17" com pneus 215/60 R17; Peso em ordem de marcha: 1.717 kg; Capacidades: porta-malas 410 litros, tanque 60 litros; Dimensões: comprimento 4.416 mm, largura 1.819 mm, altura 1.650 mm, entre-eixos 2.636 mm

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Foto de: Daniel Messeder