Visual e acabamento agradam, mas a ausência do motor turbo tira o tempero

Com design arrojado, o HB20 sempre "pediu" uma versão esportiva. Desde o início do projeto a Hyundai falava que havia planos neste sentido, mas o máximo que se viu foi a série especial Spicy. Isso até que enfim surgiu o RSpec 1.6, este sim, com incremento visual à altura da esportividade das linhas do hatch. O problema é que o modelo traz exatamente o mesmo conjunto mecânico das demais versões 1.6. Vale a pena pagar mais apenas pela cara de mau?

O que é?

Após a boa aceitação da versão Spicy antes da reestilização, a Hyundai investiu mais forte desta vez no HB "esportivo". O RSpec chama a atenção com seu para-choque traseiro com pseudo-extrator, ponteira de escapamento oval, grade tipo colmeia na dianteira, antena de teto do tipo barbatana de tubarão (shark) e rodas de liga diamantadas.

 

Hyundai HB20 Rspec 2017

 

Por dentro, a esportividade divide opiniões por conta do acabamento em preto e vermelho, inclusive nos bancos de couro. No painel, junto com os apliques vermelhos nas saídas de ar e rádio, o quadro de instrumentos é exclusivo. Traz mostradores analógicos de nível de combustível e temperatura do motor, no lugar dos digitais das versões normais, e iluminação por LEDs até na ponta dos ponteiros - o que cria um efeito interessante. É bonito e tem boa leitura, inclusive do computador de bordo no centro. Também curtimos as pedaleiras de alumínio com ótimo posicionamento - acelerador e freio na mesma altura facilitam a manobra de punta-tacco.

Ademais, o R-Spec é um HB20 1.6: posição de dirigir correta, bom espaço interno para a sua categoria e suspensão macia e confortável, o que não é algo exatamente apreciável num esportivo.

Como anda?

Pela ficha técnica, o HB20 R-Spec não decepciona. Ele usa o já conhecido e elogiado 1.6 16 válvulas flex da família Gamma do grupo coreano, com até 128 cv de potência torque de 16,5 kgfm com pico nas 4.500 rpm - agora com o sistema de aquecimento do etanol que dispensou o tanquinho do sistema de partida a frio. Para acompanhar, o câmbio manual de seis marchas tem engates curtos e diretos, com manopla que se encaixa perfeitamente à mão, aumentando a diversão na tocada. Os 128 cv até parecem mais ao puxar os 1.040 kg do HB20. 

Na rua o hatch responde com vontade mesmo em giros mais baixos, ajudado pelo duplo comando variável e pelas primeiras marchas curtinhas. O motor 1.6 é elástico e oferece uma ampla faixa de uso, desde baixa até alta, inclusive em sexta marcha.

Na pista, o RSpec cravou 10,0 segundos na prova de 0 a 100 km/h, um resultado que, senão impressiona para um esportivo, é um bom indício de sua agilidade na cidade. Não há compacto 1.6 aspirado mais rápido do que esse Hyundai em nosso mercado, destronando a posição que já era dele mesmo na antiga versão de cinco marchas (10,3 s). Para efeito de comparação, o Fiesta Sport 1.6 (principal rival) levou 11,0 s na mesma medição.

 

Hyundai HB20 Rspec 2017

 

O que não condiz com a roupa do R é a dirigibilidade. Longe de ser ruim, mas adotar a mesma calibragem de suspensão e direção das demais versões desanima quem espera uma tocada mais afiada - merecia ao menos rodas aro 16" com pneus mais largos e uma leve enrijecida nas molas, como a Fiat fez com o Palio Sporting. Uma boa receita, que já está dentro de casa, seria usar a direção elétrica do HB20X no lugar da hidráulica, com um acerto mais firme em médias e altas velocidades. Do jeito que está, o volante fica muito leve acima das 100 km/h, enquanto a suspensão, apesar de bem calibrada para conforto, poderia conter um pouco mais a tendência de saída de frente. Da mesma forma, os freios poderiam ter mais pegada. A sensibilidade do pedal é boa, firme, mas o resultado na prova de 100 km/h a 0 foi de 43,1 metros - contra 40,7 m do Fiesta Sport. E também é sensível a forte transferência de peso para a dianteira nas frenagens, novamente devido ao acerto macio da suspensão.

Sobre o consumo, havia a expectativa de melhora por conta da sexta marcha. Na estrada, onde o giro ficou mais baixo (menos de 3 mil rpm a 120 km/h), a média com etanol ficou em 11,7 km/l - o que é 0,3 km/h melhor que o antigo cinco marchas. Já na cidade a novidade não fez muita diferença, com o RSpec alcançando média de 8 km/l, também com o combustível vegetal. Vale dizer, porém, que o consumo cai bastante caso o trânsito esteja pesado, baixando para a casa dos 7 km/l.

Quanto custa?

A Hyundai cobra R$ 54.745 por esse HB20 que, além do visual diferenciado, vem com direção hidráulica, vidros, travas e espelhos elétricos, alarme, banco com regulagem de altura, som com Bluetooth e USB, ar-condicionado e faróis de neblina. Sentimos falta de algumas coisas, como uma central multimídia com tela sensível ao toque, coluna de direção com regulagem (sim, ela é fixa!) e dos novos faróis com projetor e LEDs. A não ser o último item (exclusivo do Premium), tudo pode ser comprado no HB20 Comfort Style, que possui o mesmo motor e câmbio por R$ 54.245, mas sem a roupa de briga.

 

Hyundai HB20 Rspec 2017

 

Dentre os "esportivados" Chevrolet Onix Effect, Ford Fiesta Sport e VW Fox Pepper, não temos dúvida de que o RSpec é o mais interessante. Deve uma dirigibilidade mais condizente com a fantasia, mas tem bom desempenho e abre algum sorriso nas acelerações. Mas, para chegar ao nível de um Sandero RS ou Peugeot 208 GT, a Hyundai precisaria de um turbinho no motor 1.6 e alguns ajustes no "chão" do RSpec. Bom, o HB20 1.0 já ganhou versão turbo. Quem sabe o RSpec não é o próximo?

Por Leonardo Fortunatti (colaboração para o CARPLACE)
Fotos: Daniel Messeder e divulgação

PS: "Teste Rápido" é a mais nova seção do CARPLACE. Nossa ideia é levar a informação de forma mais ágil para você, leitor, no caso de carros conhecidos que estreiam nova versão ou mudanças mecânicas. Para tanto, usaremos a base do nosso já famoso "Volta Rápida", mas acrescido das nossas medições exclusivas de aceleração, retomada, frenagem e consumo.

Ficha técnica – Hyundai HB20 1.6 RSpec Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.591 cm3, comando duplo variável, flex; Potência: 122/ 128 cv a 6.000 rpm; Torque: 16,0/ 16,5 kgfm a 4.500 rpm; Transmissão: câmbio manual de seis marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga leve aro 15" com pneus 185/60 R15; Peso: 1.040 kg; Capacidades: porta-malas 300 litros, tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 3.900 mm, largura 1.680 mm, altura 1.470 mm, entre-eixos 2.500 mm Medições CARPLACE (testes realizados com etanol) Aceleração 0 a 60 km/h: 4,6 s 0 a 80 km/h: 6,8 s 0 a 100 km/h: 10,0 s Retomada 40 a 100 km/h em 3a marcha: 10,5 s 80 a 120 km/h em 4a marcha: 10,4 s Frenagem 100 km/h a 0: 43,1 m 80 km/h a 0: 26,8 m 60 km/h a 0: 14,9 m Consumo Ciclo cidade: 8,0 km/l Ciclo estrada: 11,7 km/l

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