Volta Rápida: Na terra com o Fiat Mobi Way, suspensão é ponto alto

Volta Rápida: Na terra com o Fiat Mobi Way, suspensão é ponto alto
A fórmula de sucesso que estreou na Palio Adventure, em 1999, é a aposta da Fiat para fazer o pequeno Mobi embalar nas vendas. Chega agora em junho às lojas a versão Way do novo compacto, disposta a responder por pelo menos 35% do mix do modelo. A expectativa da marca é que, somado o aventureiro, o Mobi passe a emplacar cerca de 4 mil unidades mensais - contra as 2.407 unidades vendidas no primeiro mês de loja.
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Para promover a estreia do carrinho, a Fiat fez mais uma apresentação do Mobi à imprensa, desta vez dedicada à versão Way. Com visual diferenciado pelos itens "off-road" e suspensão modificada, o hatch foi avaliado num trajeto de cerca de 100 km, sendo grande parte dele na terra. Será que o Way vale mais que o Mobi, digamos, comum?

O que é?

Sabendo da boa acolhida de seus modelos em versões mateiras, seja Adventure ou Way, a Fiat trouxe logo de cara o Mobi Way. Ele segue a linha do Uno de mesmo nome, que representa quase metade das vendas do modelo. A receita é conhecida: altura do solo elevada (171 mm contra 157 mm neste caso), para-choque dianteiro exclusivo (com desenho que lembra um quebra-mato), cobertura plástica nas caixas de roda e barras transversais no teto. Para o Mobi a Fiat ainda providenciou um logotipo específico "Way" colado na tampa traseira de vidro e, na suspensão, adotou barra estabilizadora na dianteira - necessária, segundo a marca, por conta da maior extensão dos amortecedores, o que faria a carroceria rolar um pouco mais nas curvas.
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De resto, o Way é o Mobi que você conheceu há cerca de um mês e meio: design jovial (com destaque para a dianteira "parruda" e a traseira com tampa de vidro), montagem caprichada (graças aos novos métodos implementados na fábrica de Betim, MG) e bom acabamento para a faixa de preço. Pelo lado negativo, há pouco espaço no banco traseiro e no porta-malas (mesmo comparado ao up!), enquanto o motor 1.0 Fire, apesar de confiável, não oferece nem desempenho nem consumo à altura dos rivais mais modernos. A Fiat também aproveitou a oportunidade para dizer que o Mobi não é um "mini Uno", como acabou ficando no senso comum. Para tanto, a marca exibiu um slide (foto acima) que mostra o quanto da plataforma do novo compacto foi aproveitada do Uno - o que de fato é pouca coisa. Além disso, a engenharia da empresa garantiu que o Mobi foi construído para obter ao menos três estrelas no teste de impacto do Latin NCAP, já considerado os novos parâmetros mais exigentes - que em teoria rebaixariam o up! de cinco para quatro estrelas.

Como anda?

Fizemos o trajeto pelo interior paulista com a versão Way On, a mais completa do Mobi, que traz banco do motorista com regulagem de altura, rodas de liga, faróis de neblina e um console de teto igual do Uno. Na dirigibilidade, a diferença para o Mobi comum é notável por conta da suspensão. O Way é claramente mais durinho e transmite maior sensação de solidez, além de absorver muito bem os impactos do piso.
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Nos trajetos de terra do percurso, com direito a um pouco de lama por conta da chuva, a suspensão realmente foi o destaque do carro. Mesmo ao passar sobre as famosas "costelas de vaca", o Way se manteve sempre confortável e à mão, ajudo pela direção leve e rápida - apesar de ainda usar uma bomba hidráulica. Fora isso, a elevada altura livre do solo (14 mm extras) livrou o fundo do carro de pedras e pequenos facões. Também nas curvas o aventureiro se mostrou melhor que a versão civil, pois, apesar da maior altura, a barra estabilizadora contém mais inclinação da carroceria.
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O ponto negativo ficou por conta do desempenho em baixa. O Way é 20 kg mais pesado que o Mobi Like, e o motor Fire demora para fazê-lo embalar. Diversas vezes foi preciso engatar a primeira marcha nas subidas do trajeto. Como o torque máximo de 9,9 kgfm está disponível apenas a elevadas 3.850 rpm, é preciso trabalhar bem o câmbio para não perder o pique. Depois que embala, até que o hatch vai bem, pois o motor gira suave e tem baixo ruído. Na terra, com circuito de no máximo 60 km/h, a média de consumo com etanol ficou em 8 km/l (pelo computador de bordo).
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Em relação ao Uno Way, o Mobi aventureiro nos pareceu mais bem acertado de suspensão, além de o câmbio ter engates mais justinhos - apesar de a Fiat dizer que não houve mudanças no trambulador. Na briga com o Cross up!, no entanto, o Mobi Way fica devendo principalmente no motor, apesar de ser mais suave de suspensão em pisos ruins.

Quanto custa?

A resposta da Fiat contra o conjunto mecânico mais moderno do VW será no preço: enquanto o Mobi Way custa R$ 39.300 e o Way On é tabelado a R$ 43.800, o Cross up! não sai por menos de R$ 47.690. Vale lembrar, porém, que o carro da VW é mais equipado, trazendo terceiro apoio de cabeça no banco traseiro, rodas de liga aro 15", sensor de estacionamento traseiro e direção elétrica (mais cara que a hidráulica do Fiat). Opcional interessante do Mobi, o Live On (dock para celular que se conecta ao painel do carro) sofreu atraso no desenvolvimento e deverá estar disponível somente em agosto.
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Questionada sobre a chegada do futuro motor 1.0 3-cilindros da família GSE, a Fiat disse apenas que "está a caminho, mas não para o Mobi". Ou seja, o tricilíndrico virá primeiro no Uno, cuja estreia deverá ocorrer perto do Salão do Automóvel, em novembro. Segundo uma fonte ligada à marca, a previsão inicial era de que o Mobi recebesse o novo propulsor em meados de 2017. Até lá, o jeito será brigar no preço para atingir as metas de venda. Por Daniel Messeder, de Itupeva (SP) Fotos: Divulgação Fiat Mobi Way On Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 8 válvulas, 999 cm3, flex; Potência: 73/75 cv a 6.250 rpm; Torque: 9,5/9,9 kgfm a 3.850 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira, com barra estabilizadora, e eixo de torção na traseira; Freios: discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga-leve aro 14" com pneus 175/65 R14; Peso: 966 kg; Capacidades: porta-malas 215 litros, tanque 47 litros; Dimensões: comprimento 3.596 mm, largura 1.685 mm, altura 1.550 mm, entre-eixos 2.305 mm, altura do solo 171 mm

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Foto de: Daniel Messeder