Volta rápida: Novo Mercedes-Benz Classe E adianta o futuro autônomo

Se você não curte a ideia de carros autônomos, melhor respirar fundo antes de ler esta reportagem. A Mercedes-Benz apresenta ao Brasil a décima geração do sedã Classe E, que vem praticamente pronta para o tempo em que os carros dirigirão sozinhos. Modelo mais vendido da marca no mundo, com 11 milhões de unidades desde 1947, coube ao Classe E o direito de estrear tecnologias que não estão presentes nem no atual topo de linha Classe S.

O que é?

Lançado este ano no exterior, o Classe E desembarca para o Brasil primeiro em sua versão intermediária, E250. Se ao redor do mundo ele é o Mercedes mais vendido e usado até como taxi na Europa, aqui será um dos carros mais luxuosos vendidos no país. Por isso, o "pacote Brasil" é quase completo, devendo apenas o painel de instrumentos com tela de TFT, como no Audi A4 e no Classe S. O E250 se destaca pela quantidade de assistentes de condução - daí o caminho para a direção autônoma. Vamos à lista: piloto automático adaptativo (com função stop and go para o trânsito) e frenagem de emergência, assistente de permanência e mudança de faixas, assistente de manobras emergenciais, assistente de ponto-cego, e o Pre-Safe Plus, que prepara o carro e passageiros para impactos. Tudo isso é batizado de Driving Assistance. Há também outras novidades como os faróis full LED que, com 84 pontos individuais de luz, é controlado eletronicamente e ajusta o facho conforme o ambiente e tráfego em sentido contrário. O sistema multimídia possui uma tela de 12,3", controlada por um manete entre os bancos dianteiros, com compatibilidade com Android Auto e Apple Car Play. Por fim, há o assistente de estacionamento, já conhecido como park assist. O Classe E nasce sobre uma estrutura totalmente nova, construída boa parte em alumínio. Ou seja, mesmo sendo 43 mm mais comprido e 65 mm mais longo no entre-eixos, o sedã é até 65 kg mais leve que a geração anterior. O E segue a tendência do uso de diversos tipos de metais nobres, principalmente no habitáculo. Visualmente, ficou muito próximo do Classe C, ganhando vincos e uma musculatura, principalmente nas laterais. A Mercedes-Benz aos poucos adota um estilo mais esportivo.

Como anda?

Por pouco não troco o "como anda?" pelo "como se dirige?". Por mais que o Classe E exija nossas mãos no volante (e ele chega a parar totalmente se os pedidos dele não forem atendidos), o sedã praticamente anda sozinho. São sete radares espalhados na parte frontal, traseira e lateral do carro, além de uma câmera em 2D e 3D instalada no para-brisa, que enxerga até 250 metros à frente e 80 m atrás, com angulação que depende da distância. Na cidade, os mais úteis assistentes são os avisos de ponto-cego (visual e sonoro), para evitar brigas com os motoqueiros, e o de mudança de faixa. Se insistir em mudar com um veículo lá, o volante puxa de volta para o lugar. O mesmo vale para as mudanças de faixa sem seta, que o Classe E interpreta como não proposital. Por mais que modelos mais baratos, como a Ford Ranger, possuam o sistema, o da Mercedes é uma evolução e possui funcionamento mais rápido e suave. Pé na estrada e o E250 praticamente assume a condução. Não fosse pela leitura da resistência e peso das mãos no volante, quase que resolvo mandar e-mails no trajeto do test-drive. Com piloto automático adaptativo ligado, o sedã segue as faixas do chão e o caminho do carro à frente com a distância pré-determinada. Por um lado, é o máximo de conforto que os autônomos darão em breve, mas por outro lado é o fim do prazer de guiar. Ao menos tudo pode ser desligado e, realmente sendo conduzido por um humano, o Classe E mostra respostas de direção e suspensão que mostram que ali ainda está um Mercedes, com seu ótimo balanço entre conforto e estabilidade. Em ambiente fechado, foi a vez da demonstração de todos os assistentes de segurança. O sedã pode frear suavemente no trânsito, voltando a andar quando possível (Stop and Go), e faz frenagens bruscas se, após o aviso sonoro, o motorista não tomar a decisão de frear ao aproximar de outro carro. Outro diferencial é o aviso de pedestres. Ao verificar que um humano ou animal atravessou a via, o carro emite um aviso sonoro e freia automaticamente ou, se o motorista reagir, o carro ajuda no desvio, voltando de forma segura à rota. Tudo isso é feito até os 210 km/h. Como definiu a Mercedes, o E250 é o anjo da guarda dos novos tempos. Se ele não conseguir evitar um acidente com essa a quantidade de assistentes, um sistema sonoro em uma frequência específica (que "desativa" os ouvidos dos ocupantes) suaviza os ruídos provenientes do impacto e da abertura dos airbags. Os cintos se tensionam automaticamente até mesmo se o sistema perceber que há eminencia de acidente traseiro. Para se movimentar (sozinho ou conduzido), o E250 traz o conhecido motor 2.0 turbo com injeção direta de gasolina. Se os 211 cv parecem pouco para o porte do sedã, há 35,7 kgfm de torque entre 1.200 e 4.000 rpm ligado ao câmbio de nove marchas, que casa relações curtas nas marchas baixas e mais longas nas altas, para economizar combustível na estrada. Segundo a Mercedes, o modelo chega aos 100 km/h em 6,9 segundos.

Quanto custa?

O E250 chega em três versões. De série em todas elas, há o pacote completo de segurança e assistentes, os faróis de LEDs adaptativos, sistema multimídia com tela de 12,3" com espelhamento de smartphones, ar-condicionado de três zonas, teto-solar e bancos em couro em três cores para escolher: preto, marrom ou bege. Por R$ 309.900, a versão de "entrada" Avantgarde traz rodas aro 18" com desenho esportivo, suspensão 15 mm mais baixa e grade dianteira com a estrela. A E250 Exclusive (R$ 319.900) traz visual mais "classudo", com acabamento imitando madeira no painel, rodas de 18" com desenho mais clássico e grade filetada com a estrela no capô. Os bancos e volante recebem o couro nobre Nappa, mais macio, e o relógio analógico aparece no painel, ao centro. Para o lançamento, há ainda a Launch Edition limitada a 60 unidades (R$ 325.900), que adiciona rodas de 19" e iluminação por LEDs com 64 cores configuráveis - foi a versão testada e das fotos. O painel de instrumentos com tela TFT ficará para a E300, que chega em outro momento. O novo Classe E sinaliza o futuro. É o primeiro carro da marca com tamanha carga de assistentes de condução e mostra que, inevitavelmente, este será o caminho a ser seguido. Para quem prefere o controle da máquina, restarão os esportivos. Ao menos é o que esperamos... Por Leo Fortunatti Fotos: Divulgação

Ficha técnica: Mercedes-Benz E250 Launh Edition

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.991 cm³, turbo, injeção direta, gasolina; Potência: 211 cv a 5.500 rpm; Torque: 35,7 kgfm entre 1.200 e 4.000 rpm; Transmissão: câmbio automático de nove marchas, tração traseira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente multibraço na traseira; Freios: discos nas quatro rodas com ABS e EBD; Rodas: aro 19″ com pneus 245/40 (dianteira) e 275/35 (traseira) R19; Peso: 1.615 kg; Capacidades: porta-malas 540 litros, tanque 57 litros; Dimensões: comprimento 4.923 mm, largura 1.852 mm, altura 1.474 mm, entre-eixos 2.939 mm Ps: De brinde, uma galeria que traz as 10 gerações do Classe E. Bom proveito!

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