Volta Rápida: Jeep Compass 2.0 Flex mostra conjunto equilibrado

Os fãs da Jeep e demais interessados num SUV médio na faixa de R$ 100 mil a R$ 130 mil podem respirar aliviados: agrada o desempenho da nova geração do Compass, agora fabricado no Brasil, com motor 2.0 Tigershark Flex nas versões de tração dianteira - os 4x4 a diesel a gente contou como anda ha um tempo. Rodamos com o Compass Longitude Flex, que será o mais vendido da gama pela previsão da marca, num trajeto de estrada no litoral paulista e gostamos do que vimos. Acompanhe:

O que é?

O Compass é o terceiro modelo produzido pela FCA na nova fabrica de Goiana (PE), ao lado do Jeep Renegade e da Fiat Toro - modelos com os quais compartilha uma série de componentes. Por ser o mais caro e refinado do trio, ele tem direito a algumas exclusividades, sendo a principal delas o motor 2.0 Tigershark no lugar do 1.8 E-torQ nas versões flex. Feito no México na mesma unidade que produz os míticos Hemi V8, este propulsor foi lançado em 2013 para equipar inicialmente o sedã Dodge Dart. Construtivamente, este motor conta com bloco de alumínio e cabeçote de quatro válvulas por cilindro, se destacando pelo duplo variador de fase, que pode atrasar ou adiantar o eixo comando em até 60 graus, para otimizar consumo ou desempenho. É tocado por corrente e tem balancins roletados para redução de atrito. Gera 159/166 cv de potência e 20,5 kgfm de torque a 4 mil rpm, sendo 86% deste valor disponível logo a 2 mil rpm. A transmissão é sempre automática de seis marchas (mesma do Renegade 1.8), mas com relações e leis de passagem especificas. Em termos práticos, a Jeep fala em aceleração de 0 a 100 km/h em 10,6 segundos e velocidade máxima de 192 km/h. O consumo pelos dados do Inmetro fica em 5,5 km/l na cidade e 7,2 km/l na estrada com etanol, passando a 8,1 km/l e 10,5 km/l, respectivamente, com gasolina. Para rodar com etanol, o Tigershark passou por alterações que incluíram pistões com novo desenho, velas de irídio e sistema de aquecimento do combustível para partida a frio, entre outras.

Como anda?

Confesso que nutria certo receio de o Compass lembrar o moroso Renegade 1.8 automático, mas a primeira saída já desfez qualquer chance de semelhança: o Jeep médio parte com saúde e embala sem dificuldade, parecendo se tratar de um SUV bem mais leve que o irmão menor - e na verdade ele pesa 1.541 kg, contra 1.440 kg do Renegade. O motor 2.0 não só entrega mais força como tem uma curva de torque mais bem distribuída que o 1.8 de origem Fiat, que, vale lembrar, não tem nada em comum com a família Tigershark vinda da Chrysler. Nosso test-drive percorreu cerca de 60 km entre o Guarujá e a Riviera de São Lourenço, sendo quase todo o percurso em estrada de mão dupla. Ótima oportunidade para notar que o Compass não refuga nas ultrapassagens, com reduções espertas do câmbio e respostas prontas do motor. Gostamos também do baixo nível de ruído e vibrações do propulsor, que quase não se faz ouvir abaixo de 4 mil rpm. Acima disso, há um ronco agradavelmente grave para um 2.0, dando até um temperinho na condução.
Volta Rápida: Jeep Compass 2.0 Flex mostra conjunto equilibrado
Em relação ao Compass Trailhawk 2.0 a diesel que havíamos dirigido antes, percebi a suspensão mais macia neste Longitude Flex. Segundo a Jeep, realmente há calibrações diferentes para esses modelos. Como no Renegade, a suspensão independente nos dois eixos é uma maravilha para atropelar obstáculos urbanos como valetas e quebra-molas, com uma atuação suave e silenciosa tanto no trato com buracos quanto em pisos desnivelados como ruas de paralelepípedo. O acerto concilia bem conforto e estabilidade, apresentando inclinação contida da carroceria nas curvas (considerando ser um SUV médio) e uma direção com agilidade e peso corretos. Dava para entrar nas curvinhas fechadas com um pouco mais de velocidade sem problemas, tendo o carro sempre à mão. Este equilíbrio, aliás, é a tônica do Compass Flex. O motor não falta nem sobra, o câmbio tem passagens suaves e na hora certa, a suspensão está acertadinha, assim como a direção e os freios. É um carro que você encontra o que ele promete, sem mais nem menos. Por dentro há mais espaço que no Renegade, principalmente no banco traseiro e no porta-malas, de 411 litros. Também o acabamento é condizente com o preço do carro, sendo a maioria das superfícies de contato agradáveis ao toque, como a parte superior das portas e do painel. Já o teto e os para-sóis são revestidos de tecido. Falta apenas uma cobertura plástica maior na porta traseira, o que permite ver a lata da carroceria ao lado da janela e pode incomodar os mais exigentes. No fim do trajeto de ida e volta (retorno com outro jornalista no comando), a média de consumo ficou em 8,7 km/l pelo computador de bordo, usando gasolina. Mas não considere este valor como nossa medição de estrada, pois rodamos sem nos importar com o gasto de combustível, mais de olho no desempenho. O teste completo será feito em breve.

Quanto custa?

Em tempos de preços nas alturas, a Jeep surpreendeu ao tabelar o Compass a atraentes R$ 99.990 na versão de entrada Sport - valor inferior ao do Honda HR-V EXL, por exemplo. O modelo traz de série ar-condicionado, direção elétrica, airbags frontais, controle de estabilidade com assistente de partida em rampa, piloto automático, multimídia de 5", sensor de ré, assinatura em LED e rodas aro 17". Já a versão mais interessante em termos de custo-benefício é a Longitude, de R$ 106.990, que adiciona multimídia com tela de 8,4", ar digital de duas zonas (que pode ser controlado pela tela central), chave presencial com partida por botão e rodas aro 18". No carro avaliado constavam ainda os opcionais do kit Premium, que inclui acendimento automático dos faróis, bancos de couro, sensor de chuva, retrovisor interno eletrocrômico e sistema de som da Beats, por R$ 3.500. Somando isso e a pintura metálica azul Pacific, chegamos a um Compass R$ 111.990. Outros opcionais da versão Longitude são os airbags laterais, de cortina e de joelho (R$ 3.000), além do teto-solar panorâmico (R$ 6.800). Por fim, a versão Flex de topo é a Limited de R$ 124.990, que pode ser identificada pelo teto preto e rodas exclusivas. A lista de itens de série adiciona os airbags extras (sete no total), detector de pontos cegos, faróis de xenônio e quadro de instrumentos configurável. Mas o destaque fica por conta dos opcionais de segurança, como faróis de facho alto automático, piloto automático adaptativo (que freia o carro sozinho) e aviso de mudança de faixa. Quando recebe este pacote (chamado high-tech), o Compass vem ainda com sistema de estacionamento automático (park-assist), sistema de som Beats, banco do motorista com ajustes elétricos e partida remota pelo controle da chave. Após o primeiro contato com o Compass Flex, a melhor notícia é não sentirmos falta do motor a diesel, como acontece no Renegade. Ou seja, quem optar pelo Compass movido a óleo só fará isso se realmente desejar a tração 4x4 ou quiser maior autonomia. Porque o novo 2.0 Tigershark dá conta do recado. Por Daniel Messeder, do Guarujá (SP) Fotos: divulgação e autor

Ficha Técnica: Jeep Compass Longitude Flex

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.995 cm3, duplo variador de fase, flex; Potência: 159/ 166 cv a 6.200 rpm; Torque: 19,9/20,5 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: automática de seis marchas, tração dianteira; Suspensão: independente McPherson na dianteira e na traseira; Direção: elétrica; Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira com ABS e EBD; Rodas: alumínio aro 18" com pneus 225/55 R18; Peso em ordem de marcha: 1.541 kg; Capacidades: porta-malas 410 litros, tanque 60 litros; Dimensões: comprimento 4.416 mm, largura 1.819 mm, altura 1.638 mm, entre-eixos 2.636 mm; altura mínima do solo 210 mm

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Foto de: Daniel Messeder