Volta Rápida: CVT no March e Versa faz mágica no consumo, mas pesa no bolso

Se você cogitava o March ou Versa para uma vaga na sua garagem, mas na "hora H" desistia pela falta de um câmbio automático, a notícia é boa: a Nissan entra na onda dos compactos sem o pedal esquerdo com uma boa pedida para quem procura conforto e economia de combustível. Ambos receberam o novo câmbio XTronic CVT, atração vinda do Sentra.

O que são?

A linha 2017 dos modelos March e Versa chega ao mercado trazendo como principal novidade o câmbio automático do tipo CVT, de relações continuamente variáveis, disponível para as versões equipadas com motor 1.6 16V - SV, SL e Versa Unique. O visual segue sem alterações, mas as versões de entrada ficaram mais equipadas (veja aqui).
Volta Rápida: CVT no March e Versa faz mágica no consumo, mas pesa no bolso
A Nissan destacou durante a apresentação que o câmbio tem estrutura principal baseada na mesma transmissão aplicada no segmento dos médios (ou seja, o Sentra), mas com otimizações para os veículos compactos. Entre as modificações estão a faixa de relação de marchas ampliada na comparação com os CVTs tradicionais (8,7:1), peso e tamanho reduzidos e bomba de óleo com nível de atrito reduzido em 30%. Outro item aperfeiçoado nos dois modelos foi o ruído interno. Para diminuir o barulho do motor dentro da cabine nas acelerações, ambos ganharam novo pacote acústico que inclui materiais antirruído no console central, no painel de instrumentos e no para-lamas, além de componentes isoladores de maior densidade na parede corta-fogo e para-brisa acústico.
Volta Rápida: CVT no March e Versa faz mágica no consumo, mas pesa no bolso
O motor segue o conhecido 1.6 16V Flex de 111 cv de potência a 5.600 rpm e torque de 15,1 kgfm a 4.000 rpm, tanto com etanol quanto com gasolina.

Como andam?

O test-drive consistiu num pequeno trecho na área urbana de São Paulo com destino ao interior do Estado, em um trajeto de cerca de 140 km dividido em duas partes. Apenas na primeira foi possível observar o comportamento do novo câmbio na cidade. Destaque para a agilidade no trânsito com respostas rápidas, embora isso exija mais do acelerador e faça o giro do motor passar das 4.000 rpm.
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Na estrada, as principais novidades e virtudes se tornam mais evidentes. O conjunto motor-câmbio mostra bom casamento para uma condução confortável. Diferentemente de um câmbio automático tradicional, não há marchas, nem mesmo simuladas. A condução no CVT faz com que você pise mais forte no acelerador, mantendo o giro lá em cima, até atingir a velocidade desejada. Em velocidade de cruzeiro, 120 km/h no caso da rodovia paulista, o giro do motor repousava ligeiramente abaixo das 2.000 rpm. Neste caso, foi possível observar a melhora acústica com o isolamento do ruído do motor, mas incomodou bastante o barulho de vento nas frestas das portas, o que me fez por vários momentos conferir se havia algum vidro aberto.
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Outro aspecto positivo que coloca March e Versa à frente dos rivais está no consumo de combustível. Segundo os resultados do Programa Brasileiro de Etiquetagem, do Inmetro, os dois modelos receberam nota A e também o selo do Conpet para veículos leves, concedido aos carros que atingem os melhores resultados de eficiência energética, ao manterem os mesmos índices das suas versões equipadas com câmbio manual. Com etanol, o March 1.6 16V CVT obteve 7,8 e 9,8 km/l (cidade/estrada) enquanto com gasolina fez 12 km/l e 15 km/l (cidade/estrada). Já o Versa 1.6 16V CVT abastecido com etanol fez 7,8 km/l e 10 km/l (cidade/estrada) e 12 km/l e 14 km/l (cidade/estrada) com gasolina. No entanto, a média que obtivemos com o Versa durante o test-drive, considerando apenas o trecho de estrada e abastecido com gasolina, foi de bons 16,2 km/l.
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Quanto custam?

Para vender, a Nissan aposta muito mais na confiabilidade do conjunto mecânico, conforto e economia do que necessariamente no preço. O March automático mais barato é o 1.6 SV, por R$ 54.090, mais caro que Onix 1.4 LT automático de 6 marchas (R$ 53.890) e Toyota Etios 1.5 XS automático de 4 marchas (R$ 52.640), mas ligeiramente abaixo do Hyundai HB20 1.6 Comfort automático de 6 marchas (R$54.595). Vale lembrar ainda que a Toyota é a única a oferecer o câmbio automático na versão de entrada, equipada com motor 1.3, por R$ 47.625.
Volta Rápida: CVT no March e Versa faz mágica no consumo, mas pesa no bolso
No Versa, a primeira opção também é a 1.6 SV CVT por R$ 57.990, e a concorrência segue o mesmo perfil. O chevrolet Prisma LTZ AT sai por R$ 57.890, enquanto o Hyundai HB20S AT Comfort Plus custa R$ 58.425 e o Toyota Etios 1.5 X começa em R$ 52.140. De série, March e Versa 1.6 SV CVT possuem entre os principais itens ar-condicionado, direção elétrica, banco do motorista com regulagem de altura, travas elétricas, vidros dianteiros e traseiros elétricos, chave com telecomando para abertura das portas e porta-malas, volante com regulagem de altura e comandos de áudio e telefone integrados, computador de bordo, rádio com CD/MP3/iPod/USB/Bluetooth, farol de neblina dianteiro, retrovisores externos com regulagem elétrica, revestimento das portas em tecido e rodas de liga leve aro 15".
Volta Rápida: CVT no March e Versa faz mágica no consumo, mas pesa no bolso
Por R$58.390, o March 1.6 SL CVT adiciona alarme, ar-condicionado automático digital, revestimento dos bancos em tecido especial, acabamento do farol de neblina cromado, acabamento Piano Black no painel central, farol dianteiro com mascara negra, maçanetas externas cromadas, moldura da grade inferior cromada, rodas de liga leve 16” com acabamento Inner Black e pneus 185/55 R16, central multimídia Multi-App com rádio AM/FM, CD e DVD Player, MP3 com display 6,2" colorido, função RDS, entrada auxiliar, USB, conexão à internet através de WI-FI pela Plataforma Android e download de aplicativos, sistema de navegação GPS e câmera traseira.
Volta Rápida: CVT no March e Versa faz mágica no consumo, mas pesa no bolso
O Versa 1.6 SL CVT custa R$ 64.690 e tem praticamente os mesmos itens do hatch, mas traz ainda bancos de couro e sistema Isofix para ancoragem para cadeirinhas infantis. Para o sedã também há a versão de topo Unique por R$ 66.290, somente com CVT, que adiciona acabamento diferenciado, aerofólio, frisos laterais, tapetes com acabamento premium e ponteira de escapamento cromada. Antes de qualquer decisão, é preciso levar em consideração que a forma de condução de um carro equipado com câmbio CVT é diferente de um câmbio automático tradicional. Seu funcionamento ocorre de forma bem linear e privilegia o conforto, em vez de uma tocada esportiva. As únicas opções disponíveis no CVT Xtronic da Nissan são o modo L, que atua como se fosse uma primeira marcha (para ladeiras), e o botão Overdrive, que uma vez acionado eleva o giro do motor para além das 4.000 rpm com o objetivo de garantir uma resposta mais rápida em casos de ultrapassagens ou retomadas. Sendo assim, para quem curte uma condução mais pacata, March e Versa CVT são boas opções. Até então, os únicos compactos a apostarem no CVT (e com sucesso) eram os Honda Fit e City, bem mais caros que os Nissan. Por Fábio Trindade Fotos: Divulgação

Ficha técnica – Nissan March 1.6 SV CVT

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, 1.598 cm³, comando duplo varável na admissão, flex; Potência: 111 cv a 6.200 rpm (etanol ou gasolina); Torque: 15,1 kgfm a 4.000 rpm (etanol ou gasolina); Transmissão: automática tipo CVT; Direção: elétrica com assistência variável; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS, EBD e assistência de frenagem; Rodas: liga-leve aro 15, com pneus 185/65 R15; Peso: 979,5 kg; Capacidades: porta-malas 265 litros, tanque 41 litros; Dimensões: comprimento 3.827 mm, largura 1.675 mm, altura 1.528 mm, entre-eixos 2.450 mm

Ficha técnica – Nissan Versa 1.6 SV CVT

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, 1.598 cm³, comando duplo varável na admissão, flex; Potência: 111 cv a 6.200 rpm (etanol ou gasolina); Torque: 15,1 kgfm a 4.000 rpm (etanol ou gasolina); Transmissão: automática tipo CVT; Direção: elétrica com assistência variável; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS, EBD e assistência de frenagem; Rodas: liga-leve aro 15, com pneus 185/65 R15; Peso: 1060,6 kg; Capacidades: porta-malas 460 litros, tanque 41 litros; Dimensões: comprimento 4.492 mm, largura 1.695 mm, altura 1.506 mm, entre-eixos 2.600 mm

Galeria de fotos: Nissan March e Versa CVT

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