Teste CARPLACE: Afinal, qual é a do Fiat Mobi? E o esperado encontro com o up!

Teste CARPLACE: Afinal, qual é a do Fiat Mobi? E o esperado encontro com o up!
Em julho de 1976, a Fiat inaugurava a primeira fábrica de automóveis do Brasil fora do estado de São Paulo. Instalada em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), a planta foi a responsável pela fabricação de um compacto que, na época, causou furor ao trazer motor e tração dianteiros quando o VW Fusca era o rei das ruas: o 147. Depois de 40 anos, do mesmo lugar, nasce o Mobi, que vem causando polêmica e gerando muitas perguntas desde que foi lançado em abril. Afinal, qual é a do novo compacto da Fiat?
Teste CARPLACE: Afinal, qual é a do Fiat Mobi? E o esperado encontro com o up!
Escolhemos este cara roxo das fotos para a missão de conhecer melhor o carrinho - até então só havíamos dirigido-o em eventos com percursos fechados, durante pouco tempo. O Mobi Like On do nosso teste de agora é o modelo mais completo da gama, só ficando abaixo do "aventureiro" Way. Custa R$ 42.300 e mais R$ 1.250 da nada discreta pintura Roxo Mirtilo, chegando aos R$ 43.550. Traz o que é necessário (e mais um pouco) para o conforto no uso diário: direção hidráulica, ar-condicionado, vidros dianteiros, travas e retrovisores elétricos, computador de bordo, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, coluna de direção e banco do motorista com regulagem de altura, rodas de liga aro 14" com pneus 175/65, alarme e som com conexão Bluetooth e USB. Bem equipado, mas você vai dizer "é caro!". Bem, vamos conhecer o carro antes de falar em dinheiro.
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Apesar de pequeno, com 3,57 m de comprimento, o Mobi não quer ser um carro "fofinho". Basta olhar a dianteira, com faróis grandes e capô envolvente, para notar que a Fiat deu uma aparência imponente para o compacto. A lateral traz vincos que destacam os para-lamas e a traseira, que também abusa do tamanho das lanternas, adotou uma tampa de vidro para o porta-malas quase como uma provocação para a VW - que não usou o item do up! europeu na versão brasileira. De fofo, apenas a pintura com a faixa cinza na lateral.
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A fábrica de Betim, construída para o 147, recebeu uma grande atualização para o Mobi. Novos maquinários para trabalhar com materiais mais nobres, novas técnicas de soldas e menor tolerância nas folgas de carroceria transformaram o Mobi no melhor Fiat já construído em solo mineiro, com o padrão de qualidade semelhante ao da picape Toro, que nasce em Goiana (PE) ao lado do Jeep Renegade. Isso se reflete num melhor isolamento acústico, maior conforto ao rodar e menor torção da carroceria, reduzindo o trabalho da suspensão. Outro ponto que a Fiat trabalhou atentamente foi no interior, com uso de plásticos de boa qualidade e diversas texturas em cada região do painel e portas. Parecido com o Uno em diversos aspectos do acabamento, chega a ser superior até ao Palio, que é maior e mais caro.
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A Fiat diz que o Mobi é uma" solução de mobilidade urbana e individual". E isso não podemos negar. Foi na cidade que o "roxinho" mostrou suas principais virtudes. Usando parte da plataforma do Uno, ele herdou boas características do irmão, como o volante bem centralizado e os pedais de acionamento leve. A posição de dirigir é elevada, com visão ampla, o que agrada no trânsito. A direção, mesmo ainda usando assistência hidráulica, é leve para manobras e tem peso bom em médias velocidades. Fora a agilidade de ser compacto e caber em qualquer buraco no louco tráfego das grandes cidades.
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Outra herança que o Mobi levou do Uno foi o motor. Usando o já mais que conhecido Fire 1.0, ele estreia na contramão do mercado com um "mil" 4-cilindros - ficará para o Uno a primazia de usar o novo 1.0 GSE 3-cilindros da marca em alguns meses, enquanto o Mobi irá recebê-lo somente em 2017 nas versões mais caras. Então de início o novato se move com os 73/75 cv de potência e 9,5/9,9 kgfm de torque gerados pelo Fire. Mesmo mais leve, o Mobi recebeu uma relação de marchas mais curta que o Uno, justamente para atender ao uso urbano e chegar "mais rápido" na melhor faixa de torque.
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Rodando na cidade, até que a idade do motor é compensada pela leveza do carrinho, e as saídas não deixam a desejar. Uma das coisas boas do Fire é a baixa vibração, o que faz dele um propulsor agradável de trabalhar em médias e altas rotações - condição necessária para ele entregar boa performance. Por conta disso, é preciso fazer contantes reduções de marcha afim de manter o motor "acordado", o que cansa um pouco o motorista e eleva o consumo. Ao menos o Mobi teve os engates do câmbio melhorados em relação ao Uno, apesar de a Fiat dizer que não trocou o trambulador. Na estrada, a limitação do motor fica mais evidente, especialmente em aclives e ultrapassagens.
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Em relação à dinâmica, o Mobi segue a receita Fiat de suspensão macia e direção leve, sendo um carro fácil de dirigir mesmo para iniciantes. Apesar da maciez, que deixa a carroceria rolar um tanto nas curvas, a estabilidade é boa, pois o Mobi inclina até certo ponto e depois apóia bem, sem sustos. O baixo peso também ajudou nas provas de frenagem, nas quais o compacto mostrou segurança e parou em curtos espaços.

up! na área

Se o Mobi está dando o que falar, seu único rival direto no mercado brasileiro também está longe de ser unanimidade. O VW up! recebe críticas por sua simplicidade, seguindo a regra "do menos é mais" da escola alemã de automóveis. Isso vale para o acabamento e principalmente para o design, bem mais racional que apelativo. Ao trazer parte da carroceria aparente na parte interna das portas, o up! encontra rejeição de alguns consumidores. O Mobi fez diferente, cobrindo tudo com plástico, investindo em diversas texturas em diferentes áreas. Dá impressão de ser melhor acabado, ainda que o VW tenha construção mais caprichada. O mesmo vale para o painel de instrumentos, onde o Mobi traz uma telinha digital com diversas informações no centro do cluster. Por sua vez, o up! tem um quadro simplório demais, com conta-giros diminuto. Também não entendemos a simples falta de uma entrada USB no sistema de som da versão mais completa do VW, que vem com a central multimídia Maps&More. No Fiat, o sistema LiveOn só estreia em agosto, fazendo uma interface entre seu celular e o carro para usar o aparelho como uma espécie de central multimídia. Mas também será opcional. Se o Mobi agrada mais no design e no ambiente da cabine, o up! dá o troco no aproveitamento de espaço. O VW tem uma dianteira bem curta e valoriza a cabine, o que fica claro pelo seu entre-eixos 12 cm maior. Resultado: o up! é mais espaçoso para os ocupantes do banco traseiro, como esperado, e também para o motorista - ao menos o Fiat tem portas traseiras que abrem em maior ângulo, o que facilita o acesso. No porta-malas, nova vantagem do Volks, com 285 litros contra 235 litros - no aspecto visual a diferença parece ainda maior. Os dois trazem sacadas legais no compartimento de carga: o up! vem com uma prateleira que divide o espaço em dois (podendo ocultar objetos na parte inferior) e o Mobi traz a CargoBox, uma caixa removível com diversos nichos para pequenos objetos.
Teste CARPLACE: Afinal, qual é a do Fiat Mobi? E o esperado encontro com o up!
Em movimento, o up! não tem dificuldade de se impor pela mecânica moderna. Além de usar direção elétrica, que não rouba energia do motor, o VW é equipado com o eficiente motor 1.0 EA-211 de 3-cilindros, com 12 válvulas e comando variável na admissão, que gera 75/82 cv e 9,7/10,2 kgfm. Esperto na cidade e valente na estrada, o up! nem parece 1.0 na maioria das situações.
Teste CARPLACE: Afinal, qual é a do Fiat Mobi? E o esperado encontro com o up!
A diferença de performance pôde ser conferida em nossos testes: enquanto o Mobi levou 16,7 segundos para chegar aos 100 km/h, o up! fez o mesmo em 14,8 s. Na retomada de 80 a 120 em quarta-marcha, prova que simula uma ultrapassagem de estrada, o Fiat registrou 20,9 segundos, ao passo que o VW cravou 17,0 s. Melhor para o Mobi apenas nas frenagens, percorrendo 40,1 metros até parar quando vindo a 100 km/h, contra 41,0 do up!. Em consumo, mais uma vez a modernidade do VW falou mais alto. Foram 10,2 km/l de etanol na cidade e 14,0 km/l na estrada. Já o Mobi fez 9,2 km/l e 11,9 km/l nas mesmas condições, respectivamente.
Teste CARPLACE: Afinal, qual é a do Fiat Mobi? E o esperado encontro com o up!
No fim das contas, a compra de um carro é quase sempre feita pelo lado emocional. E nisso o Mobi tem mais chances, pois seu design é mais trabalhado e o interior, mais aconchegante. Além disso, é um compacto que será bem aceito por quem está acostumado aos arros da Fiat, pois trata-se de uma espécie de Uno menorzinho. Já o up! é um conceito totalmente novo dentro da VW brasileira, que vem ganhando seu espaço aos poucos, se impondo pela racionalidade do projeto e elevada segurança. Mas que sofre resistência de quem sempre comprou o Gol. Para fazer frente ao up! na parte racional da coisa, o Mobi precisa do novo motor GSE 1.0 3-cilindros. Mas, enquanto isso, aposta no preço: se você acha o Mobi Like On caro por R$ 42.300, o que dizer dos R$ 48.990 do up! na versão de topo High? São valores que os deixam na faixa de best-sellers como Onix, HB20 e Ka, maiores e mais bem aceitos pelo mercado. Na briga particular entre os pequeninos, porém, parece que o design e o preço estão fazendo a diferença para o Fiat, que deve fechar julho à frente do rival nas vendas. Por Leo Fortunatti Fotos: Daniel Messeder Fiat Mobi Like On Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 8 válvulas, 999 cm3, flex; Potência: 73/75 cv a 6.250 rpm;Torque: 9,5/9,9 kgfm a 3.850 rpm; Transmissão: câmbio manual de cinco marchas, tração dianteira; Direção: hidráulica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; Freios: discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS; Rodas: liga-leve aro 14″ com pneus 175/65 R14; Peso: 946 kg; Capacidades: porta-malas 235 litros, tanque 47 litros; Dimensões:comprimento 3.566 mm, largura 1.633 mm, altura 1.500 mm, entre-eixos 2.305 mm Medições CARPLACE Aceleração 0 a 60 km/h: 6,3 s 0 a 80 km/h: 10,9 s 0 a 100 km/h: 16,7 s Retomada  40 a 100 km/h em 3a: 15,6 s 80 a 120 km/h em 4a: 20,9 s Frenagem 100 km/h a 0: 40,1 m 80 km/h a 0: 24,2 m 60 km/h a 0: 13,7 m Consumo Ciclo cidade: 9,2 km/l Ciclo estrada: 11,9 km/l

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