Volta rápida: Hilux Flex ganha câmbio AT de seis marchas, mas tropeça no consumo

A Toyota Hilux foi a primeira picape média a aparecer em uma nova geração, em novembro do ano passado, sendo seguida pela renovação da S10 e da Ranger. Na estreia, apareceu apenas com a motorização turbodiesel, enquanto a flex se manteve nas lojas no corpo antigo. O SUV SW4 apareceu três meses depois, com o turbodiesel e um V6 a gasolina. Agora ambos chegam equipados com o motor 2.7 de 4-cilindros bicombustível.

O que são?

Segundo a Toyota, os consumidores das picapes e SUVs flex são diferentes dos motores a diesel. Enquanto o último prefere o uso misto e fora-de-estrada, além da durabilidade do conjunto, o outro vive apenas na cidade e preza pelo conforto e design. O motor da Hilux e do SW4 é o mesmo 2.7 litros da geração anterior, mas recebeu duplo comando variável (antes apenas na admissão), mudanças na parte de balancins, retentores e molas de válvulas no cabeçote e reformulação das câmaras de combustão e sistema de alimentação, além da aposentadoria do tanque de partida a frio, com a adição do aquecimento da flauta de combustível. No total, o 2.7 flex possui 159/163 cv (um ganho de 2 cv na gasolina) e torque de 25 kgfm a 4.000 rpm.
Volta rápida: Hilux Flex ganha câmbio AT de seis marchas, mas tropeça no consumo
A transmissão foi o maior avanço. Sai a caixa automática de quatro marchas e entra a de seis, com modos ECO e Power de condução (como acontece na turbodiesel), além da opção de 4x4 com reduzida e acionamento eletrônico na versão SRV. Segundo a marca, todas as mudanças levam a uma economia de até 7% no consumo de combustível. Segundo o Inmetro, o consumo da Hilux com etanol é de 4,8 km/l na cidade e 5,6 km/l na estrada, e 6,9 km/l e 8,1 km/l respectivamente com gasolina, chegando em uma nota C no segmento e E no geral. Para o SW4, que tem melhor aerodinâmica, os resultados são melhores: 4,9 km/l na cidade e 5,9 km/l na estrada com etanol e 7,1 km/l e 8,5 km/l respectivamente com gasolina. O SUV levou nota E no geral e segmento.
Volta rápida: Hilux Flex ganha câmbio AT de seis marchas, mas tropeça no consumo

Como anda?

São 163 cv para 1.970 kg da versão topo da Hilux flex, a SRV com tração 4x4. É pouco se comparado aos 173 cv da Ford Ranger com motor 2.5 e menos ainda contra os 206 cv da Chevrolet S10, que também usa um 2.5, mas traz a vantagem de usar injeção direta de combustível. Aproveitando que está chegando atrasada, porém, a Hilux é a única com câmbio automático - o que agrada cada vez mais o consumidor urbano.
Volta rápida: Hilux Flex ganha câmbio AT de seis marchas, mas tropeça no consumo
Em ação, a Hilux sente maior dificuldade em arrancadas e retomadas (não andamos no SW4). Isso é explicado pelo pico de torque de 25 kgfm apenas a elevadas 4.000 rpm, o que faz o motorista dar mais pressão no acelerador e o câmbio trocar as marchas mais tarde. No test-drive, não foi possível avaliar as respostas em trechos urbanos, mas no uso rodoviário a picape reduz marchas para manter velocidade em aclives, o que prejudica o consumo - e sem nenhuma carga extra além de motorista e passageiro. Em velocidade de cruzeiro, fica em rotações baixas e o isolamento acústico traz conforto para o interior.
Volta rápida: Hilux Flex ganha câmbio AT de seis marchas, mas tropeça no consumo
Na terra batida, aquele caminho do sítio no final de semana, a Hilux flex tira de letra. Usando a mesma suspensão da turbodiesel, apesar de balançar mais que a S10, filtra bem os buracos. Traz sensação de robustez e de quem aguenta bem mais que aquilo. Em nenhum momento foi necessária a ação da tração 4x4. A penalidade ficou, como esperado pelos números do Inmetro, com o consumo. No misto de estrada de terra e rodovia, em cerca de 40 km, o computador de bordo registrou 4,4 km/l com etanol. Aguardaremos nosso teste completo para uma conclusão mais precisa, mas não deixa de ser um mau prenúncio.

Quanto custam?

Na Hilux, as versões flex responderão pela parte intermediária da linha. Veja os preços e principais equipamentos:
  • Toyota Hilux SR flex 4x2 A/T (R$ 111.700): direção hidráulica, ar-condicionado, conjunto elétrico (vidros, travas e retrovisores), rodas de 17", central multimídia com DVD, conexão Bluetooth, USB e TV Digital, piloto automático, computador de bordo em tela monocromática, air bags frontais e de joelho para o motorista, banco do motorista com ajuste de altura, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, protetor de caçamba e alarme perimétrico;
  • Toyota Hilux SRV flex 4x2 A/T (R$ 120.800): adiciona bancos, volante e manoplas em couro, ar-condicionado digital, banco do motorista com ajustes elétricos, painel com tela de TFT, estribos laterais, alarme perimétrico e volumétrico e controles de tração, estabilidade e reboque e assistente de subida (hill holder);
  • Toyota Hilux SRV flex 4x4 A/T (R$ 131.200): + tração 4x4 com reduzida, bloqueio de diferencial e acionamento eletrônico.
Para o SW4, as versões flex estarão posicionadas na entrada, abaixo das SRX com turbodiesel e V6 a gasolina. Veja:
  • Toyota SW4 SR flex A/T 5 lugares (R$ 159.600): direção hidráulica, ar-condicionado manual com saída e controle para o banco traseiro, banco do motorista com ajustes elétricos, rodas de 17", central multimídia com DVD, conexão Bluetooth, USB e TV digital, air bags frontais e de joelho para o motorista, piloto automático, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, computador de bordo em tela monocromática, estribo lateral, conjunto elétrico, controles de tração, estabilidade e de reboque e hill holder;
  • Toyota SW4 SR flex A/T 7 lugares (R$ 164.900): adiciona bancos rebatíveis no porta-malas, com saída de ar-condicionado.
Volta rápida: Hilux Flex ganha câmbio AT de seis marchas, mas tropeça no consumo
A Hilux chega com motor flex depois da Ranger e S10, mas tem a vantagem do câmbio automático. Os modelos flex são bem mais baratos que os turbodiesel, chegando em uma diferença de quase R$ 40.000 na SRV 4x4, mas perdem (e feio) na hora do consumo. Segundo a marca, as versões flex respondem por cerca de 1/4 das vendas totais das picapes. Por Leo Fortunatti, de Atibaia (SP) Fotos: Divulgação Viagem a convite da Toyota

Ficha técnica: Toyota Hilux SRV Flex 4x4

Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas com duplo comando variável, 2.694 cm3, flex; Potência: 159/163 cv a 5.000 rpm; Torque: 25 kgfm a 4.000 rpm; Transmissão: automática de seis marchas, tração 4×2 (traseira), 4×4 e 4×4 com reduzida; Direção: hidráulica; Suspensão: independente com braços sobrepostos e molas helicoidais na dianteira e eixo rígido com feixe de molas na traseira; Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, ABS; Rodas: liga-leve aro 17″ com pneus 265/65 R17; Peso: 1.970 kg; Capacidades: volume da caçamba N/D, carga útil 830 kg, tanque 80 litros; Dimensões: comprimento 5.330 mm; largura 1.855 mm; altura 1.815 mm; entre-eixos 3.085 mm; ângulo de entrada 31º, ângulo de saída 26º, altura livre do solo 286 mm; Preço: R$ 131.200 (agosto 2016)

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