O subcompacto enfim fica do jeito que deveria ter vindo ao mundo: com motor moderno de bom desempenho e baixo consumo

No embalo do lançamento da Toro, a Fiat mostrou o Mobi apenas 40 dias depois. Mas, diferentemente da picape, que trazia uma série de novidades para a marca e para o próprio mercado, o pequeno hatch estreou com sabor de "mais do mesmo". Apesar de mudanças na plataforma e na construção, o público entendeu o Mobi como um mini-Uno, sem trazer atrativos que o diferenciassem do que já existia nas lojas.

A recepção morna fez a Fiat se mexer. Na época, alguns executivos chegaram a reconhecer que era melhor ter esperado mais tempo para lançar o carrinho. Mas ele já estava nas ruas, e era preciso agir rápido. Foi então que a marca acelerou o lançamento da versão Drive. Antes prevista para abril de 2017, ela chegou durante o Salão do Automóvel, em novembro do ano passado. As novidades? O motor 1.0 de 3 cilindros Firefly e a direção elétrica, além da estreia do sistema LiveOn de conexão para smartphone (prometido desde o lançamento).

 

Fiat Mobi 1.0 Drive Teste BR

 

Dirigir o Mobi Drive é ter a certeza de que era isso que a Fiat devia ter feito desde o começo. Antes, a ideia de carro urbano econômico e fácil de manobrar era comprometida pelo antigo motor 1.0 Fire e pela pesada direção hidráulica. Além disso, o desempenho deixava a desejar. Por isso, a não ser que você esteja em busca de preço acima de tudo, olhe para a versão Drive com carinho se você quer um Mobi - ela é a única com o novo conjunto motriz e custa somente R$ 1.400 a mais que a versão Like, com os mesmos equipamentos. A Drive sai por R$ 39.870, contra R$ 38.470 da Like. Para efeito de comparação, o VW up!, principal rival do Fiat, é tabelado a R$ 45.493 na versão intermediária Move.

Ar-condicionado, direção elétrica e vidros dianteiros elétricos são itens de série na versão Drive. O problema é que os opcionais estão todos reunidos num só pacote, o que aumenta o preço em R$ 4.500 quando equipado com o rádio tradicional ou R$ 4.650 quando vem com o LiveOn. É o caso da unidade das fotos, que além do LiveOn dispunha de rodas de liga leve de aro 14", faróis de neblina, tecido mais bacana nos bancos, console de teto, apoia-pé para o motorista, retrovisores com seta embutida e função tilt-down (que abaixa o espelho do lado direito ao se engatar a ré para visualizar a calçada), sensor de estacionamento traseiro e painel com moldura. Estamos falando então de um Mobi de R$ 44.520.

Fiat Mobi 1.0 Drive Teste BR
Fiat Mobi 1.0 Drive Teste BR

A diferença da mecânica fica evidente logo na primeira volta. Nós já havíamos elogiado este motor no Uno, mas no Mobi ele parece ainda melhor, já que o carro é mais leve e a quinta marcha é mais longa - 0,795 contra 0,838 -, embora o diferencial seja um pouco mais curto. Na prática, o Mobi Drive se revela muito mais disposto nas saídas e requer menos trocas de marcha no trânsito, além de encarar as subidas sem medo. Tudo por conta do torque de 10,9 kgfm logo a 3.250 rpm (contra os 9,9 kgfm a 3.850 rpm de antes), motivo pelo qual a Fiat optou pelo cabeçote de apenas duas válvulas para seu "milzinho" de 3 cilindros. Já a potência máxima, de 77 cv, é de apenas 2 cv extras em relação ao Fire.

O que sentimos no dia a dia ficou claro em nossas medições. Na prova de 0 a 100 km/h, o Mobi Drive registrou 14,5 segundos, uma diferença de 2,7 segundos para a versão Like. Na retomada de 80 a 120 km/h em quarta marcha, uma disparidade ainda mais gritante: 14,1 s contra 20,9 s - e isso num teste que define o fôlego que o carro tem numa ultrapassagem. Já na prova de consumo, mais motivos para sorrir. Com 10,1 km/l na cidade e 14,3 km/l quando abastecido com etanol, o pequeno Fiat se tornou o carro mais econômico já testado por nós com o combustível vegetal. Na estrada, a quinta marcha alongada faz o motor girar a confortáveis 3.500 rpm quando a 120 km/h, sem ruído ou vibração que incomodem na cabine. 

 

Fiat Mobi 1.0 Drive Teste BR

 

Por falar em vibração, o único momento em que o motor tricilíndrico treme pra valer é na partida. Depois disso, só percebemos que "falta 1 cilindro" por causa do ronquinho mais nervoso. Outra atração, a direção elétrica, caiu como uma luva para o Mobi. Além de não roubar tanta potência do motor, o sistema tem a tecla City, que reduz o esforço no volante em 50% e deixa a condução ainda mais leve. Em termos de suspensão e freios, não sentimos diferença significativa para as demais versões. O hatch é macio e bom de buraco, mas inclina com facilidade em curvas fechadas e frenagens fortes. Ao menos o Mobi tem balanços curtos e, depois que a carroceria apoia, ele segue sem sustos na trajetória. 

E o LiveOn, vale a pena? Bom, eu adoraria poder optar pelo sistema sem ter de levar o restante do pacote opcional junto. Mas, se for para escolher entre ele e o rádio, vale os R$ 150 a mais. Isso porque seu celular se transforma numa espécie de central multimídia, mostrando num aplicativo os dados de rádio, mídia do celular, serviços de streaming de música e mapas (incluindo o Waze) e o Eco Drive, que ajuda você a dirigir gastando menos combustível. Também mostra onde você estacionou da última vez, um recurso útil para encontrar o carro num shopping, por exemplo. Legal também é que fica tudo bem à mão com o smartphone no centro do painel, em posição elevada. Ponto negativo é expor seu celular a olhares indiscretos, além de ser fácil esquecê-lo ali - eu pelo menos fiz isso...

Fiat Mobi 1.0 Drive Teste BR
Fiat Mobi 1.0 Drive Teste BR

A nova versão Drive, então, redime o Mobi nos pontos em que ele mais ficava devendo. Aliás, ele já deveria ter nascido assim.   

PRÓS

  • O motor 1.0 Firefly deu vida nova ao subcompacto.
  • O desempenho passou a ser um dos melhores entre os 1.0 aspirados.
  • Ele foi o carro mais econômico já testado por nós com etanol.
  • Direção elétrica combinou com a leveza dos pedais e câmbio.

CONTRAS

  • Espaço traseiro e porta-malas são pequenos mesmo quando comparado ao rival Up!. 
  • Opcionais estão todos unidos num pacote, sem opção de equipamentos livres.
  • Todas as versões, mesmo a de entrada Easy, deveriam receber o novo motor. 

Fotos: Rafael Munhoz  

Fiat Mobi Drive 

MOTOR dianteiro, transversal, três cilindros, 6 válvulas, 999 cm³, comando variável de válvulas, com ciclo Atkinson/Miller em cargas parciais, flex
POTÊNCIA/TORQUE 72/77 cv a 6.250 rpm / 10,4/10,9 kgfm a 3.250 rpm
TRANSMISSÃO manual de cinco marchas, tração dianteira
SUSPENSÃO independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
RODAS E PNEUS de aço de aro 14", com pneus 175/65 R14
FREIOS discos sólidos na dianteira e tambores na traseira, com ABS e ESP
PESO 945 kg em ordem de marcha
DIMENSÕES comprimento de 3.566 mm, largura de 1.633 mm, altura de 1.502 mm e entre-eixos 2.305 mm
PORTA-MALAS 215 litros
PREÇO R$ 39.870

 

MEDIÇÕES
    Mobi Drive  
Aceleração    
  0 a 60 km/h 5,9 s  
  0 a 80 km/h 9,6 s  
  0 a 100 km/h 14,5 s  
Retomada    
  40 a 100 km/h em 3ª 13,2 s  
  80 a 120 km/h em 4ª 14,1 s  
Frenagem    
  100 km/h a 0 41,5 m  
  80 km/h a 0 25,4 m  
  60 km/h a 0 14,3 m  
Consumo    
  Ciclo cidade 10,1 km/l  
  Ciclo estrada 14,3 km/l  

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