De 1993 a 2002, o empresário carioca tentou entrar para o ramo automotivo sem sucesso

A relação de Eike Batista com automóveis não se resume ao belo Mercedes-Benz SLS AMG exposto em sua sala de estar ou os outros modelos dos sonhos que habitam a garagem e que já estiveram em noticiários policiais. Agora suspeito de envolvimento em casos de corrupção, o empresário carioca já tentou ter a sua própria montadora, a JPX. 

Tudo começou em 1993, com a fábrica localizada em Pouso Alegre (MG) e a autorização para a montagem de um jipe idêntico ao francês Auverland A-3, um fora-de-estrada usado pelo exército do país europeu e famoso pela sua robustez. Aqui batizado de JPX Montez, usava diversos componentes importados, como o motor turbodiesel Peugeot 1.9 (XUD-9A), câmbio da mesma marca, caixa de transferência da Auverland e eixos e diferenciais da italiana Carraro. Em 1995, foi lançada a versão picape. 

 

 

Na época, ele era o principal concorrente do Toyota Bandeirantes. Não tinha um motor potente (90,5 cv e 17,4 kgfm de torque), mas se destacava pela capacidade fora-de-estrada, com ângulos de entrada, saída e inclinação superiores graças a sua suspensão traseira montada com molas helicoidais e amortecedores no lugar dos feixes de mola. Custava a partir de US$ 20 mil.

 

 

Foi bem aceito pelo mercado, vendendo boa parte da produção mensal (de 230 veículos em 1995), sendo usado inclusive pelo Exército brasileiro. Mas problemas no arrefecimento (que rendem aos JPX o apelido de "chaleira da trilha" até hoje), nos serviços das concessionárias (60 em 1995) e pela alta do dólar derrubaram a produção e as vendas. 

Em 1996, a JPX paralisa suas atividades e retorna em 1997, com operação reduzida. Em 2001, as vendas eram feitas apenas sob encomenda e em lotes de 20 a 30 carros. Antes, houve uma tentativa de produção de um Tuk-Tuk, veículo de três rodas muito usado na Ásia, mas que não passou de um protótipo que não conseguiu ser homologado. Em 2002, ela fecha oficialmente e entra para a lista de empresas de Eike Batista que não deram certo, deixando um prejuízo de US$ 40 milhões. Estimados.

Essa não foi a única tentativa de Batista de criar uma fabricante nacional de automóveis. Entre 2010 e 2011, o empresário conversou com Gordon Murray, designer do McLaren F1 e do iStream, um sistema de fabricação revolucionário. As conversas não prosperaram, mas a ideia era ter a fábrica no Porto de Açu, outro dos empreendimentos de Batista. Isso facilitaria as exportações do modelo compacto, que seria inspirado nos conceitos T.27 e T.25.

(Colaborou Gustavo Henrique Ruffo)

Fotos: divulgação

Seja parte de algo grande