Em ano de "retorno às raízes" no lado técnico, saiba no que prestar atenção na nova temporada da Fórmula 1

A espera está no fim. Sim, a temporada 2017 da Fórmula 1 começa neste final de semana no Albert Park, em Melbourne. Tido como um dos mais imprevisíveis do ano, o GP da Austrália pode ser mais uma vez o palco para uma corrida emocionante, na qual tudo pode acontecer.

Neste ano, o novo regulamento técnico da F1 coloca uma pimenta extra entre os ingredientes para a nova temporada. Com o intuito de fazer os carros ficarem mais bonitos, rápidos e desafiadores para os pilotos, a FIA aumentou as dimensões das asas dianteiras e traseiras, o tamanho do difusor e a largura dos pneus. Além disso, com motores mais potentes, os carros ganharam 20 kg a mais devido ao maior consumo de combustível.

O resultado apareceu nos testes. A melhor volta da pré-temporada de 2016 foi feita por Kimi Raikkonen com a Ferrari em 1min22s765 no Circuito da Catalunha, na Espanha. Um ano depois, o mesmo finlandês no mesmo circuito cravou 1min18s634 – mais de 4s mais veloz.

Saiba agora no que ficar de olho nesta temporada.

Domínio da Mercedes...  mas e Bottas?

 

Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1, Valtteri Bottas, Mercedes AMG F1
Foto: XPB Images

 

Mesmo com a Ferrari ficando com os dois tempos mais velozes ao fim da pré-temporada, o time a ser batido para muitos ainda é a Mercedes. Os alemães foram os únicos a passar das 1000 voltas durante a pré-temporada, e continuam ter a unidade de potência mais eficiente da F1. Inclusive, para alguns, o time não usou o modo mais rápido de seu motor nos treinos. A habilidade de Lewis Hamilton está fora de questão, mas será que Valtteri Bottas será páreo para o inglês? Seja lá como for, teremos uma ótima referência para saber o verdadeiro potencial do contestado, embora campeão, Nico Rosberg.

Ferrari no páreo? Lições de 2016...

 

Kimi Raikkonen, Ferrari SF70H
Foto: XPB Images

 

No papel, após um ano difícil, certa desorganização e as saídas do diretor técnico James Allison e do aerodinamicista Dirk de Beer, a Ferrari deveria sofrer em 2017. Mas o cronômetro disse o contrário, com os dois carros liderando os testes. Significa que a Ferrari fará um grande ano? Não, já que em 2016 o time também foi o mais rápido nos testes, mas não ganhou nenhuma corrida. É impossível saber ao certo o potencial da Ferrari, mas os italianos parecem mais uma vez estar no top 3, brigando com Mercedes e Red Bull.

Briga no meio do grid

 

Daniil Kvyat, Scuderia Toro Rosso STR12
Foto: XPB Images

 

Atrás do top 3, equipes como Williams, Force India e Toro Rosso parecem estar juntas, com Renault e Haas um pouco mais atrás. Um bom duelo poderá se desenvolver entre estes times pela disputa do quarto lugar, que no ano passado ficou com a Force India. A grande incógnita é a McLaren, que foi disparado o time que menos andou e mais teve problemas na pré-temporada, para o desespero de Fernando Alonso.

Largadas na chuva

 

The grid before the start of the race
Foto: XPB Images

 

Alvo de muitas críticas nos últimos anos, as largadas na chuva agora não serão mais com safety car. Quer dizer, mais ou menos. Depois de ver os chuvosos GPs de Mônaco, da Grã-Bretanha e do Brasil largando atrás do SC em 2016, a F1 estabeleceu que as corridas com chuva poderão continuar se iniciando atrás do safety car por motivos de segurança. No entanto, assim que o carro de segurança sair da pista, os carros irão tomar suas posições no grid para uma largada normal. Qual será o efeito disso? Acidentes? Mais voltas que o habitual com o safety car antes de uma largada? Aguardemos.

Estreante problema

 

Lance Stroll, Williams FW40 crashed into a tyre barrier
Foto: XPB Images

 

Entre os 20 pilotos que correrão neste ano, apenas um jamais largou em uma corrida de F1. Campeão da dificílima Fórmula 3 europeia no ano passado, Lance Stroll, de 18 anos, chega não só com um grande currículo, mas também com uma polpuda conta bancária. O canadense é filho de Lawrence Stroll, dono da grife Tommy Hilfiger. No entanto, nem testes extras com um carro de 2014 bancados pelo pai fizeram Lance se encontrar no Williams de 2017. Na primeira semana de testes, ele danificou três vezes o FW40 em dois dias e fez a Williams perder um dia de treino. Ele colocou a cabeça no lugar no teste seguinte, mas foi quase 1s mais lento que seu companheiro Felipe Massa.

Comparação com 2016

 

Marcus Ericsson, Sauber C36
Foto: LAT Images

 

Como dito na introdução do texto, os carros devem ser bem mais rápidos neste ano. De 4s a 5s pelo menos. Será algo interessante de acompanhar durante o ano. Mas isso significará boas provas? É cedo para dizer, mas boa parte do paddock da F1 tem sido pessimista pelo fato de a maior pressão aerodinâmica dos carros "sujar" mais o ar que o carro de trás recebe. Quanto a motores, olho na Sauber. Com motor Ferrari de 2016, o time promete sofrer bastante neste ano. Os suíços já foram os mais lentos na pré-temporada, cerca de 3s atrás de Raikkonen. Pelo jeito, Marcus Ericsson e Pascal Wehrlein não vão poder almejar muito neste ano.

Novos ares no comando

 

Chase Carey, Formula One Group Chairman and Bernie Ecclestone
Foto: XPB Images

 

Com a saída Bernie Ecclestone do comando da Fórmula 1, o campeonato viverá uma nova era a partir de 2017. A norte-americana Liberty Media chega à direção da categoria pelas mãos de Chase Carey após adquirir os direitos comerciais do campeonato no último ano. O grupo promete uma revolução no campeonato, privilegiando o show e o contato com os fãs pelos meios digitais. Os próximos anos serão importantes para o esporte.

Fotos: Motorsport

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