Já fazem alguns anos que se fala de downsizing no mercado. A prática de substituir motores maiores e aspirados por propulsores menores e sobrealimentados caiu como uma luva no mercado brasileiro, pois é possível fazer um pequeno 1.0 de 3 cilindros render quase tanto quanto um 2.0 do passado e, com isso, pagar menos impostos.

Depois de a Volkswagen dar o pontapé na era dos tricilíndricos 1.0 turbo com os finados Golf de sétima geração e up!, a disputa dessa categoria está cada vez mais acirrada. Hoje, Hyundai, Chevrolet e a Caoa Chery já oferecem motores com esta configuração, entregando resultados diferentes de acordo com os componentes usados e suas tecnologias empregadas.

Volkswagen Up! Xtreme 2020
Chevrolet Onix Plus Midnight

Recentemente, a Fiat finalmente deu detalhes sobre seu inédito 1.0 turbo para o Pulse, que será lançado em breve. Derivado do tricilíndrico aspirado da família Firefly encontrado no Argo, com a sobrealimentação a Fiat autoproclamou o motor como o mais potente do Brasil nessa categoria. 

E o SUV poderá ser apenas o primeiro a adotá-lo, com o novo propulsor podendo chegar ainda ao Jeep Renegade 2023 e até mesmo no Peugeot 208 e no substituto do Citroën C3, uma vez que todas as marcas são do grupo Stellantis. Mas, olhando para o mercado de hoje, como que o novo motor da Fiat se compara com os principais rivais?

Stellantis - 1.0 Turbo 200 Flex: até 130 cv e 20,4 kgfm

Motor GSE T3 (1.0 turbo) Stellantis

O nome de batismo do motor que equipará o Fiat Pulse é 1.0 Turbo 200 Flex, onde o número faz menção ao torque em Newton-Metros (Nm), como faz a Volkswagen. Um dos mais modernos do país, também é o mais potente da categoria com a ajuda de diversas tecnologias, além do turbo e da injeção direta de combustível, comum em diversos concorrentes. 

Seu principal diferencial é o MultiAir, um sistema já conhecido dentro da Fiat de outros modelos e aplicado pela primeira vez em um motor produzido no Brasil. No lugar de um comando de válvulas na admissão, atuadores são instalados e permitem variar abertura e tempo de abertura, além de diversos parâmetros com maior flexibilidade que o comando tradicional.

Stellantis 1.0 Turbo 200 Flex  

Cilindrada

999 cc (70 x 86,5 mm)

Número de cilindros

3
Potência (pico em rpm) 130 cv com etanol / 125 cv com gasolina (pico não declarado)
Torque (pico em rpm) 20,4 kgfm com etanol ou gasolina (1.750 rpm)
Aplicação Fiat Pulse

Volkswagen - 200 TSI: até 128 cv e 20,4 kgfm

Comparativo: Nivus x Strada x Onix

O primeiro tricilíndrico turbo dessa nova era chegou em 2016 com o Volkswagen Golf 1.0 TSI, que teve diversas modificações para ter mais potência que o utilizado até então no up!. Em 2017 começou a se espalhar pela linha da marca, sendo encontrado em Polo e Virtus até hoje. Como as plataformas da empresa são comuns entre os carros, todos usam alguma variação da arquitetura MQB - mais recentemente o pequeno 1.0 turbo da VW também é visto no T-Cross e no Nivus.

Apesar de ser o que tem mais tempo no mercado, o 200 TSI da Volkswagen ainda é um dos que trazem um pacote de soluções mais elevado. Ele já conta com os tradicionais comandos de válvulas, mas com variador de fase na admissão e escape, além de injeção direta de combustível. É produzido em São Carlos (SP).

Volkswagen 200 TSI  

Cilindrada

999 cm³ (74,5 x 76,4 mm)

Número de cilindros

3
Potência (pico em rpm) 128 cv com etanol / 116 cv com gasolina (5.550 rpm)
Torque (pico em rpm) 20,4 kgfm com etanol ou gasolina (2.000 rpm)
Aplicação Polo, Virtus, T-Cross e Nivus

Hyundai - 1.0 Turbo GDI: até 120 cv e 17,5 kgfm

Hyundai HB20 1.0T Evolution 2022

Há alguns anos, a Hyundai tinha se aventurado pelo mundo dos motores 1.0 turbo na linha HB20. Mais simples e menos moderno porém, vendeu pouco e não entregava um desempenho superior ou melhor consumo o suficiente para justificar o preço maior em relação ao 1.6 aspirado da época. Com o lançamento da linha 2021 da família HB20, a empresa introduziu um novo propulsor.

É o 1.0 Turbo GDI, motor que está equiparado em tecnologia com a Volkswagen. Ele já tem intercooler, injeção direta de combustível e os comandos de válvulas possuem variadores de fase na admissão e no escape. Hoje, ele é encontrado nos Hyundai HB20, HB20S e no recém-renovado Creta.

Hyundai Turbo GDI  

Cilindrada

998 cm³ (71 mm x 84 mm)

Número de cilindros

3
Potência (pico em rpm) 120 cv com etanol ou gasolina (6.000 rpm)
Torque (pico em rpm) 17,5 kgfm com etanol ou gasolina (1.500 rpm)
Aplicação HB20, HB20S e Creta

Chevrolet - 1.0 Ecotec Turbo: 116 cv e 16,8 kgfm

Comparativo: Chevrolet Tracker Premier x Hyundai Creta Prestige

Depois de a primeira geração do Onix colocar a Chevrolet no topo do ranking das marcas mais vendidas, estava na hora de aposentar os antigos 1.0 e 1.4 aspirados de quatro cilindros. Com o lançamento da segunda geração, em setembro de 2019, a plataforma do carro se tornou global, chamada de GEM, e com isso ficou mais moderna também na motorização.

Em 2019 foi introduzido o atual 1.0 Ecotec Turbo, motor 1.0 tricilíndrico sobrealimentado da empresa. Ele também tem intercooler e variadores de fase para os comandos de admissão e escape. No entanto, a Chevrolet foi mais conservadora e não adotou o sistema de injeção direta de combustível, usando a injeção indireta convencional - diferente da versão utilizada no exterior. Com isso, é um dos que entrega menos potência nessa lista.

Chevrolet 1.0 Ecotec Turbo  

Cilindrada

999 cm³ (74 mm x 77,49 mm)

Número de cilindros

3
Potência (pico em rpm) 116 cv com etanol ou gasolina (5.500 rpm)
Torque (pico em rpm) 16,8 kgfm com etanol / 16,3 com gasolina (2.000 rpm)
Aplicação Onix, Onix Plus e Tracker

Caoa Chery - 1.0 turbo: até 102 cv e 17,1 kgfm

Caoa Chery Tiggo 3x Turbo

Chegando agora à festa, a Caoa Chery começou a oferecer seu primeiro 1.0 turbo de 3 cilindros no Brasil. A estreia ocorreu com o lançamento do Tiggo 3X. No entanto, a montadora foi bem conservadora no acerto de seu propulsor. Ele já conta com intercooler, mas a injeção de combustível é indireta, como na Chevrolet. Porém, o motor da Caoa Chery conta com comando de válvulas variável apenas para admissão, não para o escape. Com isso, é o menos potente da lista.

Caoa Chery 1.0 Turbo  

Cilindrada

997 cm³ (71 mm vs. 84 mm)

Número de cilindros

3
Potência (pico em rpm) 102 cv com etanol / 98 cv com gasolina (5.500 rpm)
Torque (pico em rpm) 17,1 kgfm com etanol / 16,8 com gasolina (2.000 rpm)
Aplicação Tiggo 3x

Visão geral dos motores 1.0 turbo

  Stellantis Volkswagen Chevrolet Hyundai Caoa Chery
Cilindrada 999 cm³ 999 cm³ 999 cm³ 998 cm³ 997 cm³
Número de cilindros 3 3 3 3 3
Potência Etanol (pico em rpm) 130 cv (pico não declarado) 128 cv (5.550 rpm) 116 cv (5.500 rpm) 120 cv (6.000 rpm) 102 cv (5.500 rpm)
Potência Gasolina (pico em rpm) 125 cv (pico não declarado) 116 cv (5.550 rpm) 116 cv (5.500 rpm) 120 cv (6.000 rpm) 98 cv (5.500 rpm)
Torque Etanol (pico em rpm) 20,4 kgfm (1.750 rpm) 20,4 kgfm (2.000 rpm) 16,8 kgfm (2.000 rpm) 17,5 kgfm (1.500 rpm) 17,1 kgfm (2.000 rpm)
Torque Gasolina (pico em rpm) 20,4 kgfm (1.750 rpm) 20,4 kgfm (2.000 rpm) 16,3 kgfm (2.000 rpm) 17,5 kgfm (1.500 rpm) 16,8 kgfm (2.000 rpm)
Injeção direta Sim Sim Não Sim Não
Variador de fase admissão MultiAir III Sim Sim Sim Sim
Variador de fase escape Sim Sim Sim Sim Não
Intercooler Sim Sim Sim Sim Sim
Envie seu flagra! flagra@motor1.com