Agora que a Thruxton ganhou motor 1.200, esta variação esportiva da Street Twin chega para ocupar o lugar da antiga 900, a R$ 41.990

Com forte presença no mercado de motos aventureiras de alta cilindrada, no qual se destaca a Tiger 800, a Triumph vem apostando no segmento de clássicas para crescer nas vendas e ganhar maior notoriedade no Brasil. Esta estratégia inclui a nova Street Cup, uma versão esportiva da Street Twin com muito do estilo da Thruxton e posicionamento abaixo desta. Na verdade, a Cup estreia como a sucessora natural da antiga Thruxton 900, já que a nova geração ganhou motor 1.200 e subiu uma patamar na tabela de preços. Ela custa R$ 41.990, contra R$ 55.000 da Thruxton R.

O que é?

A Triumph considera a Cup uma street racer, ou seja, uma moto de proposta urbana com experiência de pilotagem emocionante. A base é toda da Street Twin, incluindo o chassi, o motor bicilíndrico de 900 cc e o câmbio de 5 marchas. O que muda, na parte física da coisa, é o posicionamento do piloto, já que o guidão é mais baixo e levemente deslocado à frente. As novas suspensões traseira mais longas (embora mantenham o curso de 120 mm da Street Twin) deixaram a traseira mais alta, com o banco a 780 mm do solo. A intenção foi fazer a moto ficar mais ágil nas mudanças de direção.

Avaliação Triumph Street Twin BR
Triumph Street Cup Ride Apart

Para o piloto, é sensível a diferença na postura e altura, mas ainda assim os pés chegam ao chão facilmente. Já as costas ficam obviamente mais arqueadas, o que requer costume, mas valoriza uma tocada mais dinâmica. Em relação à Street Twin, a Cup se diferencia ainda pela presença do painel com dois mostradores (um para o velocímetro e outro para o conta-giros, ambos com uma janelinha digital para outras informações), que é basicamente o mesmo da Thruxton. Também como na Thruxton, os espelhos retrovisores ficam posicionados nas extremidades dos semi-guidões.

Na parte visual, a Street Cup tem projeto de pintura em dois tons e poucas carenagens, além de um pequeno para-brisa de corrida montado sobre o farol. Itens de acabamento incluem ainda protetores de garfo esportivos, capa de banco estilo monoposto cafe racer, pedaleiras semelhantes às da Thruxton R, tampa do motor preta com a inscrição da marca e indicadores de direção exclusivos. Ao vivo, a Cup parece uma Thruxton mais magra e leve, lembrando muito as motos de corrida dos anos 1960 e 1970. Na pintura amarela com cinza, o conjunto ganha infinitamente mais destaque do que na preta com cinza. 

Como anda?

Para quem já pilotou a antiga Thruxton 900, a evolução é brutal. Principalmente em termos de leveza (200 kg a seco) e facilidade de mudança de direção. Já se comparada à Street Twin, a Cup se diferencia basicamente pela posição de pilotagem e a dianteira mais "nevosa" aos comandos do condutor. Já a suspensão me pareceu um pouco mais firme, principalmente na dianteira, mas pode ser mais uma questão de posicionamento (já que seu corpo fica mais apoiado na frente da moto) do que propriamente de acerto dinâmico.

O destaque da Cup, como na Twin, é a facilidade de pilotagem. A moto é bastante leve e tem torque exuberante em baixas e médias rotações - os 8,16 kgfm totais são entregues logo a 3.200 rpm. Assim, mesmo com a potência sendo de modestos 55 cv (estamos falando de uma 900 cc), o motor empurra com vontade mesmo em marchas altas. Na verdade, dá até para quase deixar o motor morrer em terceira marcha e acelerar que ele responde na hora. As acelerações são progressivas, sem engasgos, graças ao acelerador eletrônico bem calibrado, enquanto a manopla de embreagem, com acionamento assistido, é bastante leve e agradável de usar no trânsito urbano.

Avaliação Triumph Street Twin BR
Avaliação Triumph Street Twin BR

Outra vantagem da Cup na cidade é seu corpo estreito, de apenas 740 mm, que permite passar entre os carros sem dificuldades. Em compensação, o guidão esterça pouco, como na esportivas, o que complica nas manobras. A posição das pedaleiras, freio traseiro e câmbio é confortável, sem ficar muito para trás, embora um pouco altas. Já o motor gira tão liso que mal parece um bicilíndrico. E o ronco, ainda que suave, é empolgante.

Na estrada, a Cup sofre do mesmo mal que a Twin: o câmbio de somente 5 marchas deixa a pilotagem cansativa em velocidades de viagem, pois, nos 120 km/l legais da rodovia, o motor trabalha com 4 mil giros e incomoda um pouco, deixando clara a ausência de uma sexta marcha - como existe na Thruxton 1.200, que viaja de forma bem mais relaxada.

Quanto à ciclística e freios, a Cup está muito bem dimensionada. As suspensões firmes garantem poucos balanços nas curvas (é preciso apenas se acostumar com a dianteira nervosinha na hora de apontar), enquanto os freios com pinças Nissin dão conta do recado sem sustos (o sistema ABS é de série). Para completar, a Street Cup vem com controle de tração comutável, que pode ser desligado caso o piloto queira "fazer graça" nas saídas. Em termos de consumo, a média ficou em 22,9 km/l durante a avaliação, que mesclou trechos urbanos e rodoviários, com predominância do segundo.            

Quanto custa?

Considerando a Street Twin, moto de entrada da linha clássica da Triumph, a R$ 36.500, a Street Cup a R$ 41.990 pode soar meio salgada. A marca explica, porém, que a Twin linha 2017 está chegando às lojas em breve com o valor de R$ 38.990, o que coloca a estreante num patamar razoável de R$ 3 mil acima - condizente com as diferenças que ela incorpora. Na parte de acessórios, serão oferecidos mais de 120 itens de personalização, como suspensão traseira ajustável, manoplas aquecidas e escape da Vance & Hines, entre outros componentes.   

 

Avaliação Triumph Street Twin BR

 

Nesta faixa dos R$ 42 mil, a Street Cup chega de cara com as versões Enduro, Urban e Full Throttle da Ducati Scrambler (R$ 41.900) e um pouco acima da Harley-Davidson Iron 883 (R$ 40.500). Num sub-segmento tão de nicho quanto este, onde a escolha tem muito a ver com estilo e identificação com a marca, a Triumph pretende emplacar cerca de 16 motos por mês da nova Cup.

É um número modesto, sim, mas que certamente vem ao encontro da expansão da marca no mercado de clássicas, cuja meta da filial brasileira é chegar a 40% das vendas da marca no país. Para completar a gama da Triumph neste setor, já está marcado para a segunda quinzena de maio o lançamento da Scrambler e da Bobber, cujo sucesso na Europa gera filas de espera.    

Fotos: Divulgação

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Avaliação Triumph Street Cup BR

Foto de: Redação Brasil